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Análise: escalada do conflito no Oriente Médio vai guiar próximos passos do Banco Central

veja.abril.com.br By Ernesto Neves 2026-03-18 592 words
Análise: escalada do conflito no Oriente Médio vai guiar próximos passos do Banco Central

Corte de 0,25 ponto da Selic marca início da flexibilização, mas alta do petróleo e escalada no Oriente Médio reduzem espaço para alívio mais rápido

O Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 18, iniciar o ciclo de afrouxamento monetário e reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. O corte acontece após um período de quase dois anos com a Selic estacionada em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas.

A decisão acabou vindo em linha com o que se consolidou nos dias mais recentes, embora, até o início de março, a aposta predominante no mercado fosse de um corte mais intenso, de 0,5 ponto percentual.

A virada nas expectativas ocorreu ao longo da última semana, com investidores migrando para um cenário mais cauteloso, refletido inclusive nos preços de opções negociadas na Bolsa, que passaram a indicar maior probabilidade de um ajuste mais moderado, cenário confirmado pelo Copom.

O movimento ocorre em meio a um ambiente externo mais adverso, marcado pela escalada da guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre o mercado de energia.

A disparada do petróleo, que voltou a ser negociado acima de US$ 100 o barril, elevou o grau de incerteza global e contaminou as projeções de inflação.

Nesta quarta-feira, 18, em particular, houve piora na percepção de risco após novos bombardeios atingirem instalações de gás no Catar e no Irã, ampliando o temor de interrupções no fornecimento.

Esse contexto levou analistas a revisarem rapidamente suas projeções, reduzindo o espaço para cortes mais agressivos de juros e, em alguns casos, até considerando a possibilidade de manutenção da taxa.

O encarecimento de combustíveis e seus efeitos em cadeia sobre preços seguem no radar, e devem orientar os próximos passos da política monetária.

No cenário doméstico, o corte marca apenas o início de um ciclo que tende a ser gradual e dependente de dados.

O próprio Banco Central já havia indicado, na reunião de janeiro, que poderia iniciar a flexibilização caso o cenário evoluísse conforme o esperado, o que se confirmou, ainda que com menor intensidade do que o mercado projetava inicialmente.

A revisão recente das expectativas, captada pelo boletim Focus desta semana, já apontava para um corte de 0,25 ponto, refletindo a deterioração do ambiente externo.

Ainda assim, a autoridade monetária deve manter uma postura cautelosa: a inflação segue pressionada, e os efeitos do choque de commodities ainda são incertos.

"O esperado processo de descompressão deve prosseguir, mesmo que de forma ainda muito mais parcimoniosa daqui em diante. Em parte, essa perspectiva se apoia no fato da economia ainda sentir os efeitos restritivos das altas dos juros, como observado no processo de desaceleração da atividade econômica em curso, além da taxa de inflação prospectiva permanecer dentro do intervalo de tolerância", diz Alex Agostini, economista da Austin Rating.

A ata da reunião, a ser divulgada na próxima semana, deve trazer mais detalhes sobre o ritmo dos próximos cortes. Mas a sinalização até aqui é de um ciclo mais lento, com ajustes graduais e condicionados à evolução do cenário internacional e dos preços no Brasil.

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