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Centrão quer reduzir alíquota de exportação de petróleo na MP do diesel

poder360.com.br By Eduarda Teixeira 2026-03-19 546 words
Centrão quer reduzir alíquota de exportação de petróleo na MP do diesel

Foram apresentadas 135 emendas em 6 dias; alterações elevariam a renúncia fiscal e, em alguns casos, inviabilizam financeiramente a medida

O governo Lula enfrenta resistência coordenada no Legislativo contra a MP (Medida Provisória) 1340 de 2026. Editada há menos de uma semana, a medida que subsidia o diesel em R$ 0,32 por litro já recebeu 135 emendas. O foco da oposição e de setores do Centrão é desidratar o "imposto do petróleo" –a taxação de 12% sobre a exportação de óleo bruto criada para custear o programa.

A iniciativa do governo busca reduzir o impacto da alta do diesel no Brasil, pressionado pela guerra no Oriente Médio. O combustível é considerado estratégico por influenciar o custo do transporte de cargas e, assim, o preço dos alimentados e outros produtos importantes.

Emendas como a do deputado Junio Amaral (PL-MG), no entanto, querem reduzir de 12% para 5% o imposto sobre o petróleo bruto. Outro pedido de alteração, do deputado Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), quer um recuo ainda maior, para 3%.

A mudança deixaria um rombo enorme no cálculo feito pela equipe econômica, que perderia parte do montante previsto para suprir a renúncia fiscal com a MP.

A comissão mista que analisará a medida ainda não foi instalada. O relator, responsável por aceitar ou recusar essas emendas, ainda não foi escolhido.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), irá conversar com os presidentes da Câmara e do Senado para articular a escolha de um nome mais alinhado ao governo.

BIODIESEL

Outra frente propõe tornar o imposto variável. O deputado Junio Amaral sugeriu um modelo progressivo atrelado ao preço do barril tipo Brent: a alíquota seria zerada quando o petróleo ficasse abaixo de US$ 100 e só atingiria o teto se superasse US$ 140

O deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária, quer estender a subvenção econômica ao biodiesel, de R$ 0,64 por litro. O argumento é assegurar isonomia e evitar que o subsídio ao diesel fóssil acabe desestimulando a mistura renovável. A medida pode mais do que dobrar a renúncia fiscal calculada pelo governo Lula.

Mais emendas:

Marcel van Hattem (Novo-RS): quer derrubar o imposto de exportação. Alega que a medida fere a segurança jurídica e afasta investimentos. Também propõe o fim da preferência da Petrobras em leilões de partilha;

Rodrigo Valadares (União Brasil-SE): pede que o imposto não incida sobre campos maduros ou de petróleo pesado (pós-sal), para evitar o abandono precoce dessas reservas;

Arnaldo Jardim (Cidadania-SP): propõe facilitar a restituição de créditos de PIS/Cofins para usinas de biocombustíveis;

Marussa Boldrin (MDB-GO): pede a proibição da importação de biodiesel para a mistura obrigatória até o fim de 2026, protegendo a indústria nacional.

Zequinha Marinho (Podemos-PA): quer um subsídio maior para a Região Amazônica, por causa do alto custo do frete e isolamento logístico;

Duda Ramos (MDB-RR): pede isenção total de Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e PIS/Cofins sobre combustíveis destinados à Região Norte até o fim de 2026.

Kim Kataguiri (Missão-SP): quer que o imposto de exportação seja extinto automaticamente assim que a arrecadação atingir os R$ 10 bilhões necessários. Também exige que a ANP (Agência Nacional de Petróleo) publique a memória de cálculo dos preços de referência.

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