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Violência doméstica entre evangélicas expõe omissão institucional | Congresso em Foco

congressoemfoco.com.br By Carol Cassiano 2026-03-18 579 words
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IGREJA

18/3/2026 18:06

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Quase 43% das mulheres evangélicas no Brasil já sofreram algum tipo de violência de gênero ou doméstica, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha. Percentual superior à média nacional (32,4%). Esse número, por si só alarmante, revela uma realidade ainda mais complexa quando se observa o comportamento dessas vítimas diante da violência.

A busca por ajuda formal (como delegacias, DEAMs ou via 180) ainda é baixa: apenas 25,7% recorrem a esses serviços. Em contraste, 53% procuram apoio dentro das igrejas, de acordo com pesquisa recente do Senado Federal. Esse dado indica que, para a maioria das mulheres evangélicas, a igreja é a primeira, e muitas vezes única, porta de entrada para quem está tentando sair da violência. No entanto, esse caminho raramente se traduz em proteção efetiva. Na maioria das situações, o que se observa é a culpabilização da vítima e revitimização.

Especialistas apontam que esse cenário está diretamente ligado a discursos que ainda predominam em parte das instituições religiosas. A pressão para manter o casamento a qualquer custo e a ideia de que conflitos conjugais devem ser resolvidos no âmbito privado contribuem para dificultar denúncias e prolongar ciclos de violência. Muitas vítimas relatam medo de julgamento dentro da própria comunidade, além de receio de serem responsabilizadas pela destruição familiar. Denunciar, nesse contexto, não é só enfrentar o agressor, é enfrentar a igreja.

A dimensão do problema exige respostas concretas. Freepik

O problema não se resume a falhas individuais, mas revela um padrão estrutural. A igreja, enquanto instituição com forte presença territorial e influência social, deve atuar como rede de proteção e encaminhamento. No entanto, na prática, acaba funcionando como barreira à denúncia. Lideranças seguem falando sobre família sem encarar o que acontece dentro dela; seguem pregando reconciliação sem garantir segurança; seguem ocupando um espaço central na vida dessas mulheres sem assumir o impacto disso. Em um contexto em que mais de 4 em cada 10 mulheres evangélicas relatam já ter sofrido violência, a neutralidade deixa de ser uma opção.

A dimensão do problema exige respostas concretas. A igreja hoje tem capilaridade, confiança e presença onde o Estado muitas vezes não chega. Não se trata de atacar a fé, mas de expor o uso dela como mecanismo de contenção. Pois quando mais de 40% de um grupo sofre violência e o principal espaço de acolhimento falha, não estamos diante de exceções. Sem mudanças estruturais, o risco é que espaços de fé continuem sendo procurados como refúgio, mas operando, na prática, como ambientes que perpetuam o silêncio e dificultam o acesso à proteção.

Diante desse cenário, a pergunta já não é mais se há um problema - isso está escancarado. A questão é qual será o papel das igrejas no enfrentamento à violência contra à mulher: acolher e proteger ou seguir reproduzindo estruturas que sustentam o problema?

O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.

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