'Homens não podem ficar calados ao verem violência contra mulher'
Publicado em 18 de março de 2026 às 21:02
"O mundo violento contra as mulheres é um mundo ruim para todos. É um mundo em que metade da população está vivendo com medo [...] A gente não tem liberdade hoje". O alerta da jornalista e escritora Ana Paula Araújo deu o tom da primeira edição de 2026 do painel Todas Elas, realizado nesta quarta-feira (18), no auditório da Rede Gazeta, em Vitória, com o tema "Sinais, Vozes e Caminhos". Mais do que discutir a violência de gênero, o encontro trouxe um ponto central: o papel dos homens — inclusive os que não agridem — no enfrentamento ao problema.
Além da Ana Paula Araújo, apresentadora do Bom Dia Brasil, da TV Globo, o evento reuniu na mesa de debates a gerente de Relações Institucionais do Sebrae/ES, Alline Zanoni; a delegada-chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, Claudia Dematté; e a secretária de Estado das Mulheres, Jacqueline Moraes. A mediação foi realizada pela jornalista e gerente-executiva de Produto Digital da Rede Gazeta, Elaine Silva, uma das idealizadoras do projeto Todas Elas.
As participantes debateram estratégias de prevenção, identificação precoce e ruptura do ciclo de violência. Ainda durante o evento, foi lançada a comunidade Todas Elas no WhatsApp, com o objetivo de ampliar o acesso à informação e fortalecer a rede de apoio às mulheres. A iniciativa pretende reunir conteúdos sobre direitos, serviços e formas de enfrentamento à violência, aproximando o debate do cotidiano por meio de um canal direto com o público. No espaço, também será possível interagir com outras mulheres, em busca de apoio e conselhos em diferentes áreas para estimular o protagonismo feminino.
Um dos principais consensos do painel foi que a violência contra a mulher raramente começa com agressões físicas. A manifestação ocorre de forma gradual, muitas vezes silenciosa e naturalizada.
A delegada Claudia Dematté explicou que há uma escalada. "Geralmente essa violência não começa na agressão física. Ela começa na violência moral, nos xingamentos, no controle, nas humilhações, e vai evoluindo até chegar ao feminicídio", afirmou.
A jornalista Ana Paula Araújo reforçou que muitos desses comportamentos ainda são confundidos com cuidado. "Porém, são sinais de que coisa muito pior vem por aí", ressaltou.
O debate também trouxe novos sinais no ambiente digital. Casos de manipulação de imagens com uso de inteligência artificial e perseguição em redes sociais foram citados como formas recentes de violência.
A gerente-executiva de conteúdos digitais da Rede Gazeta, Elaine Silva, mencionou o crescimento de casos envolvendo o uso de inteligência artificial para gerar imagens falsas de nudez de adolescentes em escolas — um crime que muitas vezes é minimizado pelas instituições.
Situações como essa, segundo as debatedoras, ainda encontram respostas insuficientes das instituições, que tratam o ato como algo superficial e não como um crime. "Isso não é brincadeira. É violência", reforçou Ana Paula ao comentar sobre alguns episódios.
Se identificar os sinais é o primeiro passo, romper o silêncio é o que pode interromper o ciclo de violência contra a mulher. E, nesse ponto, o painel trouxe um dos debates mais contundentes: a responsabilidade dos homens.
Ana Paula Araújo chamou a atenção para o comportamento em grupos masculinos, em que conteúdos ofensivos e até criminosos circulam sem contestação. "Mesmo quando é uma minoria que pratica, há um acolhimento silencioso. Falta o homem que diga: 'isso é um absurdo'", afirmou.
A jornalista destacou ainda que muitos homens não se reconhecem como agressores, mas já tiveram atitudes abusivas ou se omitiram diante delas. Para ela, o enfrentamento à violência passa necessariamente por uma mudança de postura. "Você que é homem, se posicione, não fique calado diante de uma violência", defendeu.
A secretária de Estado das Mulheres, Jacqueline Moraes, também destacou a importância de ampliar esse diálogo. Segundo ela, levar o tema para diferentes públicos é essencial para transformar a realidade. "A gente precisa falar com todos — mulheres e homens — para mudar essa cultura", afirmou, ao citar iniciativas como o programa "Homem que é Homem" e os Centros Margaridas, mantidos pelo governo do Estado.
A delegada Claudia Dematté reforçou essa ideia ao afirmar que o problema não pode ser tratado apenas como uma questão feminina. "Se o homem faz parte do problema, ele precisa fazer parte da solução. Essa não é uma luta só das mulheres, é uma luta de toda a sociedade", disse.
Ao discutir os caminhos para romper o ciclo da violência, o painel destacou a importância de uma rede de proteção estruturada e acessível.
Entre as iniciativas citadas está o programa "Homem que é Homem", que atua na reeducação de agressores por meio de grupos reflexivos, com o objetivo de reduzir a reincidência.
Outro fator decisivo é a independência financeira. Durante o evento, foi destacado que a autonomia econômica é determinante para que muitas mulheres consigam deixar relações abusivas.
Nesse contexto, a gerente de Relações Institucionais do Sebrae/ES, Alline Zanoni, defendeu o empreendedorismo como uma ferramenta concreta de transformação social. Segundo ela, o acesso à qualificação profissional e à geração de renda pode ser determinante para romper o ciclo de violência.
"Pelas pesquisas do Sebrae, 48% das mulheres que já sofreram ou vivenciaram relacionamentos abusivos conseguiram sair dessa situação por meio do empreendedorismo", destacou a palestrante.
Alline também chamou a atenção para as barreiras enfrentadas por essas mulheres, especialmente no acesso à autonomia financeira. Ela lembrou que, em muitos casos, o controle exercido pelo agressor impede até mesmo que a vítima tenha independência sobre o próprio dinheiro, dificultando a saída da relação.
Diante desse cenário, as participantes reforçaram que o enfrentamento à violência precisa ir além da denúncia, envolvendo também ações que garantam autonomia e suporte contínuo às mulheres. Nesse contexto, políticas públicas, capacitação profissional e acesso facilitado a serviços se tornam fundamentais para viabilizar esse processo de ruptura.
No campo jurídico, ferramentas como a medida protetiva on-line e o atendimento em delegacias especializadas e unidades móveis foram apontadas como avanços que facilitam o acesso à denúncia e ampliam a proteção às vítimas.
Para a delegada Claudia Dematté, no entanto, a resposta precisa ir além da punição. "Não adianta trabalhar só a repressão. A gente precisa atuar também na prevenção e na desconstrução dessa cultura", apontou.
Todas Elas - evento "Sinais, Vozes e Caminhos"
Apesar dos números ainda alarmantes, o painel terminou com uma mensagem de mobilização. As participantes destacaram que o aumento das notificações pode indicar que mais mulheres estão buscando ajuda — um sinal de que o silêncio começa a ser rompido.
Ainda assim, o alerta permanece: a mudança depende de um esforço coletivo. E, nesse cenário, o silêncio — especialmente o masculino — deixa de ser neutralidade e passa a ser parte do problema. "A gente precisa de tolerância zero com a violência para chegar ao feminicídio zero, na agressão zero [...] Isso é uma convocação para todos nós", concluiu Ana Paula Araújo.
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Multiple named expert sources from relevant fields, but all are panel participants (secondary sources for the article).
Specific Findings from the Article (4)
"Ana Paula Araújo"
Named journalist and writer, panel participant.
Named source"Claudia Dematté"
Named police chief of specialized division.
Named source"Jacqueline Moraes"
Named Secretary of State for Women.
Named source"Alline Zanoni"
Named institutional relations manager at Sebrae/ES.
Named sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Article presents a single perspective (panel participants) advocating for male involvement against gender violence, with no counterarguments presented.
Specific Findings from the Article (2)
"o papel dos homens — inclusive os que não agridem — no enfrentamento ao problema"
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One sided""Você que é homem, se posicione, não fique calado diante de uma violência""
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Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
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Provides good context about violence escalation, digital violence, economic factors, and institutional responses.
Specific Findings from the Article (3)
"Geralmente essa violência não começa na agressão física. Ela começa na violência moral"
Explains the gradual nature of violence.
Background"48% das mulheres que já sofreram ou vivenciaram relacionamentos abusivos conseguiram sair dessa situação por meio do empreendedorismo"
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Statistic"Casos de manipulação de imagens com uso de inteligência artificial e perseguição em redes sociais"
Adds contemporary context about digital violence.
Context indicatorLanguage Neutrality
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Mostly neutral reporting language with 1-2 instances of advocacy language.
Specific Findings from the Article (3)
"As participantes debateram estratégias de prevenção"
Neutral reporting of event proceedings.
Neutral language"um dos debates mais contundentes"
Mildly emphatic language.
Sensationalist"Isso não é brincadeira. É violência"
Direct quote with emphatic tone.
SensationalistTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
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Full author attribution, clear date/time, all quotes properly attributed to specific speakers.
Specific Findings from the Article (2)
"Publicado em 18 de março de 2026 às 21:02"
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Date present"izada. A delegada Claudia Dematté explicou "
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Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
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Core Claims & Their Sources
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"Men have a crucial role to play in confronting violence against women, including those who are not perpetrators."
Source: Multiple panel participants including journalist Ana Paula Araújo and Secretary Jacqueline Moraes Named secondary
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"Violence against women follows an escalating pattern, often starting with non-physical abuse."
Source: Police chief Claudia Dematté Named secondary
-
"Economic independence through entrepreneurship helps women leave abusive relationships."
Source: Sebrae manager Alline Zanoni citing institutional research Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (6)
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P1
"48% of women who experienced abusive relationships left through entrepreneurship (Sebrae research)"
Factual -
P2
"The Todas Elas WhatsApp community was launched during the event"
Factual -
P3
"The panel occurred on March 18, 2026 at Rede Gazeta in Vitória"
Factual -
P4
"Male silence in groups causes acceptance of offensive/criminal content"
Causal -
P5
"Economic autonomy causes ability to leave abusive relationships"
Causal -
P6
"Increased notifications causes more women seeking help"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: 48% of women who experienced abusive relationships left through entrepreneurship (Sebrae research) P2 [factual]: The Todas Elas WhatsApp community was launched during the event P3 [factual]: The panel occurred on March 18, 2026 at Rede Gazeta in Vitória P4 [causal]: Male silence in groups causes acceptance of offensive/criminal content P5 [causal]: Economic autonomy causes ability to leave abusive relationships P6 [causal]: Increased notifications causes more women seeking help === Causal Graph === male silence in groups -> acceptance of offensivecriminal content economic autonomy -> ability to leave abusive relationships increased notifications -> more women seeking help
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.