Governo endurece regras do frete mínimo — e alimentos devem ficar mais caros
César H. S. Rezende
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 20 de março de 2026 às 06h00.
O reforço na fiscalização da tabela do frete mínimo, anunciado pelo governo federal na quarta-feira, 18, deve ter um efeito cascata no setor logístico e pressionar o preço dos alimentos no Brasil, afirmam analistas ouvidos pela EXAME — a medida ocorre em meio à alta do diesel e à demanda de caminhoneiros por recomposição de renda.
Criada em 2018, após a greve da categoria, a tabela estabelece um piso para os valores do frete, com o objetivo de proteger principalmente transportadores autônomos. Apesar disso, sua aplicação sempre enfrentou falhas.
O anúncio do governo é uma resposta à ameaça de greve geral dos caminhoneiros, que vêm cobrando medidas para garantir o cumprimento efetivo da lei que instituiu o piso do frete — os motoristas afirmam que a legislação de 2018 não é respeitada na prática por empresas contratantes, o que precariza a profissão.
Agora, com fiscalização mais rígida, o governo tenta fazer a regra valer na prática. O impacto mais imediato das mudanças deve aparecer no bolso do consumidor, já que o transporte representa uma fatia relevante do custo final de diversos produtos, especialmente no agronegócio. No país, o modal rodoviário responde por entre 60% e 75% de toda a movimentação de cargas.
Em alguns setores, o frete chega a representar até 25% do valor final. Assim, qualquer alta tende a ser repassada ao longo da cadeia. "Se o preço do frete aumentar, pode gerar inflação", diz Vinicios Fernandes, diretor de frete na Edenred Mobilidade.
Segundo ele, o efeito é em cadeia: o aumento do diesel eleva o frete, que encarece produtos e pode pressionar os índices inflacionários. No médio prazo, o aumento do custo logístico deve chegar ao consumidor, especialmente por meio dos alimentos.
Para Fernando Bastiani, pesquisador da Esalq-Log, o agronegócio deve ser um dos setores mais impactados, com reflexos diretos sobre insumos e alimentos.
Para garantir o cumprimento da tabela, o governo aposta na ampliação do monitoramento das operações. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deve passar a acompanhar todas as contratações por meio de documentos eletrônicos.
"A ideia do governo é fazer um cerco com relação ao cumprimento dessa política", afirmou Bastiani. Segundo ele, as punições podem atingir toda a cadeia: "Desde o embarcador até o transportador, todos são corresponsáveis pelo não cumprimento da lei".
Empresas que descumprirem as regras poderão sofrer sanções, incluindo restrições para operar. A ANTT vai intensificar o monitoramento e ampliar o uso de sistemas de cruzamento de dados, permitindo identificar contratos de frete firmados abaixo do valor mínimo estabelecido na tabela oficial.
Entre os principais instrumentos de fiscalização está o Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), sistema obrigatório que registra cada operação de transporte rodoviário remunerado de cargas no país.
Sempre que um frete é contratado, é necessário emitir um Ciot, que reúne informações sobre o valor da operação, o transportador, o contratante e o tipo de carga transportada.
A partir do cruzamento desses dados com documentos eletrônicos de transporte e registros de pagamento, a ANTT consegue identificar inconsistências e detectar casos em que o valor pago está abaixo do piso mínimo.
O governo deve ampliar o uso dessas ferramentas para tornar a fiscalização mais automatizada.
A dificuldade de aplicação da tabela está ligada à própria estrutura do setor. Com milhões de caminhoneiros e alta concorrência, o preço do frete historicamente foi definido mais pela oferta e demanda do que pelos custos.
"Como não havia fiscalização, o mercado continuava precificando da maneira que achava adequado", diz Bastiani.
Na prática, isso abriu espaço para contratos abaixo do piso, especialmente em cadeias do agronegócio, como fertilizantes.
Fernandes, da Edenred Mobilidade, acrescenta que há também questionamentos técnicos. "Existem empresas que questionam a matemática e a dinâmica da tabela do piso mínimo", afirma
Com a fiscalização mais intensa, empresas que operavam fora da regra devem sentir rapidamente o impacto.
"Se elas estiverem operando abaixo do piso mínimo, vai aumentar o custo do frete ou vão receber mais multas", diz.
Por outro lado, a medida pode beneficiar transportadores. A alta recente do diesel — que pode representar até 45% do custo do transporte — vinha inviabilizando operações. Com o reajuste do frete, a atividade tende a voltar a ser economicamente viável.
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"Vinicios Fernandes, diretor de frete na Edenred Mobilidade."
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"Criada em 2018, após a greve da categoria, a tabela estabelece um piso"
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Author attribution"Publicado em 20 de março de 2026 às 06h00."
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Core Claims & Their Sources
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"The government's stricter enforcement of minimum freight rules will increase food prices in Brazil."
Source: Attributed to analysts and experts Vinicios Fernandes and Fernando Bastiani. Named secondary
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"The enforcement is a response to truckers' strike threats and aims to make the 2018 law effective."
Source: Presented as factual reporting on government action and context. Unattributed
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (7)
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P1
"The minimum freight table was created in 2018 after a truckers' strike."
Factual -
P2
"Road transport accounts for 60-75% of all cargo movement in the country."
Factual -
P3
"The ANTT will monitor all contracts via electronic documents."
Factual -
P4
"Diesel can represent up to 45% of transport cost."
Factual -
P5
"Stricter freight enforcement causes increased freight costs -> increased product prices -> potential inflation"
Causal -
P6
"High diesel prices causes unviable operations for transporters -> need for freight adjustment"
Causal -
P7
"Lack of past enforcement causes market priced freight based on supply/demand -> contracts below minimum floor"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: The minimum freight table was created in 2018 after a truckers' strike. P2 [factual]: Road transport accounts for 60-75% of all cargo movement in the country. P3 [factual]: The ANTT will monitor all contracts via electronic documents. P4 [factual]: Diesel can represent up to 45% of transport cost. P5 [causal]: Stricter freight enforcement causes increased freight costs -> increased product prices -> potential inflation P6 [causal]: High diesel prices causes unviable operations for transporters -> need for freight adjustment P7 [causal]: Lack of past enforcement causes market priced freight based on supply/demand -> contracts below minimum floor === Causal Graph === stricter freight enforcement -> increased freight costs increased product prices potential inflation high diesel prices -> unviable operations for transporters need for freight adjustment lack of past enforcement -> market priced freight based on supplydemand contracts below minimum floor
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.