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BC de Campos Neto disse estar tudo ‘ok’ com o Master quando alertado pela PF - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Henrique Rodrigues 2026-03-19 615 words
Cerco se fecha

BC de Campos Neto disse estar tudo 'ok' com o Master quando alertado pela PF

Documento comprova que o Banco Central foi notificado e avisado pela Polícia Federal, mas a resposta foi a de que não havia qualquer irregularidade com a instituição financeira

Banco Central, sob gestão de Roberto Campos Neto, ignorou alertas da PF sobre suposto "dono oculto" do Banco Master em julho de 2024.

PF desconfiava que o empresário Nelson Tanure controlava o banco por meio de paraísos fiscais; BC arquivou as denúncias.

Dois ex-diretores do BC são investigados por suspeita de receber pagamentos informais de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.

BC interviu e liquidou o banco em novembro de 2025, quatro meses após afirmar à PF que "estava tudo ok".

Documentos obtidos e publicados pelo SBT News, nesta quarta-feira (19), revelam que o Banco Central, durante a gestão de Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ignorou alertas críticos da Polícia Federal sobre o Banco Master meses antes da instituição protagonizar o que investigações apontam como a maior fraude bancária da história do país. Em julho de 2024, a PF enviou um ofício à autarquia detalhando suspeitas de que o empresário Nelson Tanure seria o "dono oculto" do banco, operando através de paraísos fiscais. A resposta do BC, no entanto, foi de que as denúncias já haviam sido analisadas e arquivadas.

A íntegra do documento, enviada ao delegado Gleydson Machado Calheiros, da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros de São Paulo, mostra que o BC minimizou os riscos. A autoridade monetária afirmou que as suspeitas sobre a cadeia societária do Master, que envolveria recursos da empresa Aventtti Strategic Partners, nas Bahamas, eram de conhecimento da casa desde 2023, mas que não viu necessidade de abrir procedimentos específicos.

Blindagem interna e servidores investigados

O Banco Central justificou o arquivamento baseando-se em documentos fornecidos pelos próprios representantes de Daniel Vorcaro, o então controlador oficial do Master. Segundo o ofício, quatro departamentos internos (Desup, Derad, Deorf e Desuc) deram o aval para as operações de aumento de capital da instituição, alegando que a fiscalização era feita de forma "contínua".

Contudo, investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) lançam uma sombra sobre essa "análise técnica". Dois nomes da cúpula do BC na época são agora alvos centrais da PF:

Paulo Sérgio Neves de Souza: Ex-diretor de Fiscalização.

Belline Santana: Ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup).

Ambos estão afastados, usam tornozeleira eletrônica e são suspeitos de prestar "consultoria" informal a Daniel Vorcaro em troca de pagamentos. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram o banqueiro pedindo ajuda direta a Paulo Sérgio para destravar negócios que estariam sendo "atravancados" pela autarquia.

O colapso e o silêncio

A postura de "normalidade" do BC durou pouco. Apenas quatro meses após o ofício enviado à PF garantindo que estava tudo 'ok', o Banco Central interveio e liquidou o Master em novembro de 2025.
O ex-presidente Roberto Campos Neto, que deixou o cargo no final do ano passado, passou então a não comentar o caso. A desculpa para tal situação é uma versão que corre entre os mais chegados da gestão passada alegando que o tal documento da PF foi respondido por um coordenador e não teria chegado ao conhecimento da diretoria colegiada.

O Banco Central informou, por meio de sua assessoria, que não comenta informações que correm sob sigilo. Enquanto isso, os servidores envolvidos respondem a sindicâncias que podem resultar em demissão, enquanto a PF aprofunda a investigação sobre como uma estrutura de "donos ocultos" e offshores conseguiu operar sob os olhos da principal autoridade financeira do país.

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