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MP denuncia ex-assessora de Flávio Bolsonaro por esquema de lavagem de dinheiro de filho miliciano

otempo.com.br By Renato Alves 2026-03-19 904 words
BRASÍLIA – O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou à Justiça estadual Raimunda Veras Magalhães, mãe do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega e ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Ela e outras 18 pessoas foram denunciadas por integrarem um esquema de lavagem de dinheiro ligado a Adriano da Nóbrega. Ex-capitão do Bope da Polícia Militar do RJ, da qual foi expulso por crimes, ele foi morto em 2020 pela polícia da Bahia – estava foragido havia mais de um ano.

Raimunda Magalhães já havia sido denunciada à Justiça, mas em outro esquema, o de "rachadinha" atribuído a Flávio pelo MPRJ quando ele era deputado estadual. A mãe de Adriano da Nóbrega trabalhou como assessora de Flávio entre abril de 2016 e novembro de 2018.

Além da mãe, a primeira mulher de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, também trabalhou no gabinete de Flávio na Alerj. Ambas receberam mais de R$ 1 milhão em salários, mas não apareciam para trabalhar, segundo investigação do MPRJ.

O caso da "rachadinha", que teve como pivô Fabrício Queiroz, amigo da família Bolsonaro e assessor de Flávio na Alerj, foi arquivado após a anulação de provas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia mais: Ex-assessor de Fl
ávio Bolsonaro e pivô de 'rachadinha', Queiroz é nomeado subsecretário no Rio

Queiroz foi candidato a deputado federal em 2022, mas não se elegeu. Em 2024, foi eleito como suplente do PL para a Câmara dos Vereadores de Saquarema. É subsecretário de Segurança e Ordem Pública no município da Região dos Lagos do RJ, comandado pelo prefeito Lucimar Vidal (PL).

Viúva e deputado federal também foram denunciados

Conforme a denúncia mais recente, a mãe de Adriano da Nóbrega integrou uma rede de pessoas e empresas usada para "receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho". Na lista dos denunciados também está Julia Lotufo, a viúva de Adriano da Nóbrega.

Ela comandou a venda de imóveis avaliados em R$ 3,5 milhões, atribuídos ao miliciano, ainda segundo o MPRJ. Os bens eram fruto dos delitos cometidos pela organização criminosa comandada pelo ex-Bope, de acordo com a investigação.

Segundo o MPRJ, após a morte do miliciano, Julia Lotufo vendeu as propriedades ao deputado federal Rogério Teixeira Júnior, o Juninho do Pneu (União Brasil-RJ). O MPRJ diz que ambos sabiam da origem ilegal dos imóveis. O parlamentar é uma das 19 pessoas denunciadas à Justiça.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ cumpriu dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão, nesta quinta-feira (19/3), contra integrantes da organização criminosa que era liderada e depois sucedeu Adriano da Nóbrega.

Com o cumprimento dos mandados na operação Legado, o MPRJ divulgou a denúncia contra 19 pessoas. O Gaeco dividiu as acusações da operação em três ações penais:

A primeira trata da lavagem de dinheiro oriundo do jogo do bicho na Zona Sul do Rio;

A segunda descreve a atuação da organização criminosa associada a Adriano da Nóbrega;

A terceira envolve a tentativa de levantar recursos com a venda de patrimônio do grupo.

Controle do jogo do bicho em Copacabana

Adriano controlava pontos de jogo do bicho em Copacabana, na Zona Sul do Rio, em associação com o bicheiro Bernardo Bello, segundo o MPRJ. A investigação apontou que quatro empresas movimentaram R$ 8,5 milhões.

O MPRJ garante ter provas de que pessoas ligadas a Adriano da Nóbrega não só continuaram em atividade após a morte dele como sofisticaram seus negócios criminosos.

Julia Lotufo atuava como líder e controlava toda a contabilidade e os ativos da organização criminosa, cujos negócios ilícitos envolviam agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular, de acordo com o MPRJ.

"As investigações identificaram empresas de fachada criadas e operadas com o objetivo de receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho", diz o MPRJ em nota.

Entre os empreendimentos de fachada estão um depósito de bebida, um bar, um restaurante e um quiosque de serviços de sobrancelha em um shopping na Zona Norte que, em seis meses, movimentou aproximadamente R$ 2 milhões em créditos.

Quando morreu, Adriano da Nóbrega era investigado havia um ano pelo Gaeco do MPRJ. Já havia sido preso duas vezes por suspeita de ligação com a máfia de caça-níqueis. Em 2011, foi detido na operação Tempestade no Deserto, que mirou a cúpula do jogo do bicho.

Já em janeiro de 2019, foi denunciado na operação Intocáveis, que prendeu cinco homens acusados de integrar uma milícia que atuava em grilagem de terra, agiotagem e pagamento de propina em Rio das Pedras e na Muzema, duas favelas de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.

Adriano apareceu nas escutas telefônicas do Ministério Público como "Capitão Adriano" ou "Gordinho". Suspeito de comandar um grupo que cometeu dezenas de homicídios, o "Escritório do Crime", era considerado violento por policiais e investigadores.

Então capitão do Bope, ele f
oi expulso da PM do RJ por envolvimento com jogo de bicho e recebeu homenagem, mais de uma vez, pelo hoje senador e então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Alerj.

A equipe de O TEMPO Brasília não conseguiu contato com as defesas de Julia Lotufo e Raimunda Magalhães. Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência, não quis comentar por não ter tomado conhecimento da acusação. Juninho do Pneu não havia se pronunciado até a mais recente atualização deste conteúdo. O espaço segue aberto para manifestação.

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