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Trabalhadores da Fhemig mantêm greve mesmo após ação na Justiça: 'Quem prejudica é o Estado'

otempo.com.br By Isabela Abalen 2026-03-19 581 words
A judicialização da greve dos trabalhadores da saúde da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) não deve impedir, ao menos por enquanto, a continuidade do movimento. Em assembleia realizada em frente ao Hospital Júlia Kubitschek, no Barreiro, nesta quinta-feira (19/3), a maioria dos servidores decidiu manter a escala mínima nos oito hospitais da rede SUS-MG em Belo Horizonte até que haja notificação formal sobre a ação judicial protocolada pelo governo de Minas, conforme anunciado pelo secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, em coletiva pela manhã.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig (Sindpros), Carlos Martins, não há argumento consistente que justifique o fim da greve sem negociação sobre as condições de trabalho dos servidores e a melhoria da assistência aos pacientes. Segundo ele, não houve interrupção dos serviços de urgência e emergência, que tiveram as escalas mantidas.

"O secretário de Estado afirmou que a greve está prejudicando o paciente. Não é verdade. Não é possível afirmar que há pacientes com fratura exposta aguardando três dias por cirurgia apenas por causa da greve. No bloco cirúrgico do Pronto-Socorro João XXIII, as urgências foram mantidas em 100%. Já nos procedimentos eletivos, mantivemos escala para garantir o funcionamento mínimo", rebateu.

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Ao defender a greve, o representante sindical diz que o movimento tem como objetivo melhorar a assistência aos pacientes e denuncia o sucateamento da rede Fhemig. "O Estado tomou a decisão de fechar o Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), o que trouxe ainda mais prejuízos para pacientes ortopédicos que dependiam dessas cirurgias. Não fechamos nenhum setor; houve apenas redução de pessoal em razão de uma paralisação legítima. Quem tem prejudicado é o Estado, nós queremos atender melhor os pacientes", argumentou.

O sindicato ainda não recebeu uma notificação formal sobre a ação na Justiça protocolada pelo Estado para encerrar o movimento grevista. No entanto, a expectativa é de que haja tramitação. "Não temos problema algum em provar ao juiz, e temos provas para isso, que não houve prejuízo, como foi apresentado", continuou o presidente do Sindpros.

Assim que for notificada, a categoria deverá realizar nova assembleia para discutir os próximos passos. Até o momento, os hospitais com alguma adesão à paralisação são: João XXIII, Infantil João Paulo II, Maria Amélia Lins, Eduardo de Menezes, Júlia Kubitschek, Alberto Cavalcanti, Cristiano Machado e a Maternidade Odete Valadares.

O que reivindicam os trabalhadores de saúde da Fhemig?

Conforme a Associação dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg) e o Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig (Sindpros), a greve deseja:

Discutir a gestão da Fhemig na assistência aos pacientes;

Denunciar condições precárias de trabalho;

Denunciar a retirada de direitos dos trabalhadores;

Avaliar o reajuste salarial de 5,4% apresentado pelo governo.

O que diz o governo de MG sobre o reajuste salarial?

O governo de Minas Gerais afirmou que tem "compromisso com a valorização dos servidores públicos estaduais e mantém diálogo permanente com as categorias, sempre respeitando os limites e as responsabilidades estabelecidos pela legislação vigente".

A gestão acrescentou que a reorganização das contas públicas e o restabelecimento da regularidade no pagamento dos servidores são prioridades desde 2019, com medidas adotadas nesse sentido até o anúncio mais recente de recomposição de 5,4% nos salários de todo o funcionalismo estadual, feito na última semana.

"A medida vale para servidores ativos, inativos e pensionistas da administração direta e indireta do Estado. A recomposição será paga retroativamente a 1º de janeiro de 2026."

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