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Análise - Mônica Bergamo: Mendonça ensaia ser o novo Moro, mas não lidera PGR, polícia nem Judiciário

www1.folha.uol.com.br By Mônica Bergamo 2026-03-20 421 words
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça é hoje a autoridade com a caneta mais cheia e poderosa do país.

Relator dos dois processos judiciais mais explosivos hoje em curso—a delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o escândalo do INSS—, ele pode, com sua atuação, influir inclusive de forma decisiva nas eleições legislativas, estaduais e presidenciais deste ano.

O magistrado vem sendo comparado, por isso, ao ex-juiz Sergio Moro, que na era da Operação Lava Jato era a autoridade mais celebrada do país, transformando-se em herói para uma parcela da população que queria ver o PT longe do poder e festejou quando Lula foi preso por envolvimento no escândalo da Petrobras.

Na avaliação de advogados e de magistrados, bem como de lideranças políticas e de especialistas em opinião pública ouvidos pela coluna, Mendonça deve, sim, ocupar um lugar no imaginário da população parecido com o do ex-juiz no auge da Lava Jato: o do homem que está passando o Brasil a limpo.

Assim como Moro, que divulgou trechos da delação premiada de Antonio Palocci que prejudicavam o PT nas vésperas da eleição de 2018, ele terá em mãos explosivos eleitorais que poderá, ou não, detonar em momentos decisivos do pleito.

As diferenças entre os dois, no entanto, seriam evidentes.

No comando da Lava Jato, Moro tinha em torno dele um bloco sólido e unido de policiais federais e de procuradores que trabalhavam em torno de objetivos comuns. Exercia sobre eles liderança incontestável, como mostrou a Vaza Jato, que revelou diálogos do magistrado com o grupo.

Sua autoridade não sofria contestação também de outras esferas do Judiciário. Tanto o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4a Região) quanto o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) e o STF (Supremo Tribunal Federal) endossavam praticamente todas as suas medidas.

Com Mendonça, é diferente.

Por mais que hoje concentre poder, ele não tem ascendência sobre a PGR (Procuradoria-Geral da República) que terá um papel fundamental na condução da delação premiada de Vorcaro.

Trabalha com delegados da Polícia Federal em quem deposita confiança —mas a corporação está notoriamente dividida. No STF, é visto com desconfiança por alguns colegas, que não estão dispostos a corroborar toda e qualquer decisão que ele venha a tomar.

Diferenças à parte, o ministro agora vive momentos de celebridade semelhantes aos que Moro desfrutava no auge da Lava Jato.

Na quinta (19), ao embarcar em Brasília, foi tietado por passageiros e tripulantes do avião que o levaria ao Rio de Janeiro.

A aeronave acabou quebrando, e o magistrado teve que desembarcar.

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