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Brasil não registrou caso de Nipah; vídeo distorce notícia de 2021 • Lupa

lupa.uol.com.br By Carol Macário 2026-02-11 727 words
Vídeo que viralizou no Facebook alerta para o suposto primeiro caso do vírus Nipah no Brasil. O narrador da gravação mostra o trecho de uma notícia no Jornal da Record segundo o qual um passageiro vindo da Índia estaria infectado com a "nova cepa indiana". Na sequência, o autor do conteúdo alerta que não existe vacina nem tratamento para a doença causada pelo Nipah e apela para que o Carnaval seja cancelado. É falso. A notícia é de 2021, e trata de uma variante indiana do coronavírus.

Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

"CONFIRMADO 1 CASO DO VÍRUS NIPAH NO BRASIL"
– Letreiro de vídeo que circula no Facebook que, até o dia 11 de fevereiro de 2026, tinha mais de 180 compartilhamentos

"CONFIRMADO 1 CASO DO VÍRUS NIPAH NO BRASIL"

– Letreiro de vídeo que circula no Facebook que, até o dia 11 de fevereiro de 2026, tinha mais de 180 compartilhamentos

O Ministério da Saúde informou que nã
o foi confirmado nenhum caso de infecção pelo vírus Nipah (NiV) no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também negou quaisquer registros da doença no país. A notícia que aparece no vídeo viral é antiga: trata-se de uma reportagem de 2021, e não de 2026, sobre uma variante indiana do coronavírus — e não do Nipah.

Uma busca reversa de imagem, associada a palavras-chave mencionadas na gravação, indica que a notícia foi ao ar em 26 de maio de 2021 na Record News. O vídeo está disponível no perfil no Facebook da emissora.Na ocasião, o apresentador Rafael Agarte noticia que a variante B.1.617 (Delta), popularmente chamada de variante indiana do novo coronavírus, tinha sido identificada em um passageiro brasileiro que desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, no dia 22 de maio após uma viagem para a Índia.

Na edição que circula agora pelo Facebook, o autor exibe apenas a introdução da matéria original, omitindo o contexto correto. Além disso, o próprio narrador da gravação falsa admite, no minuto 1 '25, que tinha "acabado de receber a notícia" e que iria "confirmar se realmente é verdade", ou seja: usou letreiros sensacionalistas sem ter certeza de que o conteúdo que estava exibindo era verdadeiro.

Anvisa tem planos de contingência

Segundo o Ministério da Saúde, não há nenhum caso de Nipah (NiV) confirmado no Brasil. A pasta informou que mantém "protocolos permanentes de vigilantes a agentes altamente patogênicos" e que o risco de uma pandemia causada pelo NiV é considerada baixa.

A Anvisa também se pronunciou sobre os boatos e explicou, em nota, que monitora eventos de saúde pública e atualiza as orientações quando necessário. Também informou que mantém planos de contingência preparados nos pontos de entrada brasileiros já "prevendo situações de isolamento, investigação de contatos de casos suspeitos para qualquer doença transmissível, bem como desinfecção e gerenciamento de resíduos de meios de transporte afetados".

Apenas dois casos confirmados na Índia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu alerta de infecção pelo vírus somente na Índia e em Bangladesh. Na Índia, a entidade informou em 30 de janeiro que foram confirmados apenas dois casos entre trabalhadores de saúde. As 198 pessoas com quem eles tiveram contato testaram negativo.

Já em Bangladesh, a OMS confirmou em 6 de fevereiro um paciente infectado pelo Nipah após ter consumido seiva crua de tamareira-do-deserto (date palm). Todas as 35 pessoas que tiveram contato com ele testaram negativo e estão sendo monitoradas.

Por fim, a entidade avalia que o risco geral à saúde pública representado pelo NiV é baixo nos níveis nacional, regional e global, com risco de disseminação internacional considerado baixo.

Nipah foi relatado pela primeira vez em 1998 na Ásia

O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, encontrado em animais. Morcegos frugívoros da família Pteropodidae são os hospedeiros naturais. O vírus é geralmente transmitido de bichos para seres humanos, embora a transmissão também possa ocorrer por meio de alimentos contaminados ou diretamente entre pessoas.

Os primeiros casos de infecção foram relatados em 1998 e, desde então, houve registros em Bangladesh, Índia, Malásia, Filipinas e Singapura. Pessoas infectadas podem desenvolver febre, dor de cabeça ou confusão mental, tosse e dificuldade para respirar. Ainda não existe tratamento nem vacina. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%.

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