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É falso que hospital de BH esteja lotado por “nova doença” • Lupa

lupa.uol.com.br By Ítalo Rômany 2026-02-10 878 words
Circula no Instagram e no WhatsApp um vídeo em que um homem alega que o Hospital Metropolitano Odilon Behrens, em Belo Horizonte (MG), estaria lotado de casos de uma "nova doença" e que a gestão da unidade e a imprensa estariam abafando as informações por causa do Carnaval. Nos comentários nas redes sociais, usuários associam a suposta nova doença a casos do vírus Nipah e da Influenza A (H3N2), especialmente do subclado K. É falso.

Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação:

Vítimas em todo o país. O hospital Odilon Behrens está lotado, cheio de casos da nova doença e a direção do hospital proibiu de divulgar essas notícias por causa do carnaval. Então as notícias sobre o espalhamento dessa doença em Belo Horizonte pelo país inteiro está sendo abafado.
– Trecho de post que circula no Instagram com mais de 10 mil compartilhamentos

Vítimas em todo o país. O hospital Odilon Behrens está lotado, cheio de casos da nova doença e a direção do hospital proibiu de divulgar essas notícias por causa do carnaval. Então as notícias sobre o espalhamento dessa doença em Belo Horizonte pelo país inteiro está sendo abafado.

– Trecho de post que circula no Instagram com mais de 10 mil compartilhamentos

Em nota, a prefeitura de Belo Horizonte, responsáve
l pelo Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HOB), informou que não procede à informação sobre registros de casos suspeitos ou confirmados do vírus Nipah na capital. Também não há aumento atípico de internações por doenças infecciosas na unidade hospitalar.

A gestão informou ainda que a Secretaria Municipal de Saúde realiza, diariamente, o monitoramento dos indicadores epidemiológicos e assistenciais da cidade.

O Ministério da Saúde, também por nota, infor
mou que é falso que hospitais brasileiros estariam sendo impactados por 'uma suposta doença originada no exterior'. "Não há registro de detecção de novos vírus no Brasil nem nos Estados Unidos. O Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional) mantém monitoramento contínuo de eventos de saúde pública no Brasil e no mundo", explica.

Na imprensa, tampouco há notícias atuais sobre um novo surto de doença em Belo Horizonte.

Sobre o Nipah

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Nipah é um vírus que se transmite principalmente de animais (como morcegos frugívoros) para humanos, podendo também ser passado de pessoa para pessoa ou por meio de alimentos contaminados.

Importante: até o momento, não há casos confirmados no Brasil.

Diferente do SARS-CoV-2 (causador da Covid-19), que se propaga com facilidade por meio de partículas suspensas no ar, o vírus Nipah depende de contato íntimo e prolongado, explica a Sociedade Brasileira de Infectologia.

Em janeiro de 2026, autoridades sanitárias indianas comunicaram à OMS a confirmação laboratorial de dois casos de infecção pelo vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental.

As ocorrências envolveram dois profissionais de saúde que atuavam no mesmo hospital. Os primeiros sintomas surgiram no fim de dezembro de 2025, e o diagnóstico foi confirmado em 13 de janeiro. Um dos pacientes apresentou evolução clínica favorável, enquanto o outro segue internado em estado grave.

Após a identificação dos casos, mais de 190 pessoas que tiveram contato com os infectados foram monitoradas e testadas. Todas apresentam resultados negativos até o momento, sem indícios de circulação comunitária do vírus.

A infecção por Nipah pode variar de assintomática a letal, incluindo doenças respiratórias agudas e encefalite (inflamação do encéfalo). Os sintomas iniciais são semelhantes aos de uma gripe, mas podem evoluir para um quadro mais severo.

É verdade que não há medicamentos ou vacinas específicas para fazer frente ao Nipah. Também não há cura. Assim como ocorreu com a Covid-19 no início da pandemia, o tratamento se resume a oferecer suporte e tratar os sintomas com paliativos.

Medidas preventivas incluem higiene de alimentos, uso de proteção ao manipular animais doentes, evitar contato com pessoas infectadas e procedimentos de biossegurança em ambientes de saúde.

Sobre a gripe K

Casos de Influenza A (H3N2), em especial do subclado — subdivisão ou ramificação genética dentro de uma linhagem maior de um vírus — K, têm sido mais frequentes nos Estados Unidos e no Canadá. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os dados epidemiológicos atuais não indicam um aumento na gravidade da doença, embora este subclado represente uma evolução notável nos vírus da influenza A(H3N2). "Estimativas iniciais sugerem que a vacina contra a influenza continua a oferecer proteção contra a necessidade de hospitalização, tanto em crianças quanto em adultos, embora sua eficácia contra a doença clínica durante a temporada atual permaneça incerta", explica.

No Brasil, dados de dezembro indicam a identificação de quatro casos do subclado K: um importado, no Pará, associado a viagem internacional, e três no Mato Grosso do Sul. Em nota técnica publicada em 29 de janeiro deste ano, o Ministério da Saúde afirma que não há evidências de aumento significativo da gravidade clínica associado ao subclado K nem indicação de adoção de medidas de saúde temporárias.

Os sintomas são os já conhecidos da doença, como febre, dor no corpo, tosse e cansaço, com atenção para sinais de agravamento, como falta de ar e piora rápida do quadro.

Importante: as vacinas disponibilizadas pelo SUS protegem contra formas graves da gripe, inclusive as causadas pelo subclado K.

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