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‘A fé nunca pode ser usada para justificar a dor’, diz autor de Café com Deus Pai

correio24horas.com.br By Thais Borges 2026-03-21 1427 words
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Thais Borges

Thais Borges

Publicado em 21 de março de 2026 às 05:00

Já são pelo menos quatro anos dominando as listas de livros mais vendidos do país. Você provavelmente conhece alguém que lê diariamente o Café com Deus Pai, principal título do gênero devocional no país hoje - ou talvez você seja essa pessoa. O nome por trás do megaseller (ou seja, mais que um bestseller para o mercado editorial) é Junior Rostirola, pastor sênior da Igreja Reviver.

Para 2026, ele preparou a edição Porções Diárias de Amor, que traz a novidade de incentivar o leitor a colocar em prática os Atos de Amor, considerados pelo autor como gestos simples mas de acolhimento. "O sucesso do livro mostrou que existe uma sede muito grande por espiritualidade e reflexão no cotidiano", diz ele, que contou que a inspiração para escrever veio de sua própria relação com Deus, em entrevista ao CORREIO.

O pastor Junior Rostirola é o autor do megaseller Café com Deus Pai

Rostirola, que já revelou ser um 'órfão de pai vivo', falou ao jornal sobre o novo livro, sua trajetória de superação pela fé e a forma como lidou com a violência em casa durante a infância, além do papel da igreja diante da violência doméstica contra mulheres cristãs.

Confira a entrevista na íntegra

Como veio a inspiração para o Café com Deus Pai? Você imaginava que ia ser um hábito adotado por tantas pessoas no seu dia?

A inspiração nasceu do meu próprio momento com Deus. Eu sempre tive o hábito de começar o dia em silêncio, lendo a Bíblia, orando e refletindo sobre a vida. Era como se eu estivesse realmente tomando um café com Deus, conversando com o Pai antes de começar a rotina. Em algum momento senti que aquelas reflexões poderiam ajudar outras pessoas também. Eu não imaginava que isso se tornaria um hábito para milhões de pessoas. O que aconteceu foi muito maior do que qualquer expectativa minha. Eu acredito que isso foi, sem dúvida, o agir de Deus, e por isso entrego a Ele todo o mérito. Também vejo que esse movimento revela algo do nosso tempo: as pessoas estão sedentas de amor, de cuidado e de um relacionamento mais próximo com Deus. Quando alguém encontra um espaço simples para isso no seu dia, acaba abraçando essa experiência.

O que são as Porções Diárias de Amor e o que a nova edição traz de diferente?

As Porções Diárias de Amor são um convite para transformar a leitura em atitude. Em Café com Deus Pai 2026, além das reflexões, da leitura bíblica e da oração ao longo de 365 dias, o leitor também é incentivado a colocar o amor em prática por meio dos Atos de Amor, desafios simples distribuídos ao longo do ano que estimulam gestos de cuidado e gentileza com o próximo.

O primeiro Ato de Amor aconteceu no dia 28 de fevereiro, convidando o leitor a servir um café a alguém — um gesto simples que representa pausa, escuta e acolhimento. Ao longo do ano, outros desafios incluem doar um livro, deixar um mimo, compartilhar mensagens de fé e enviar palavras de carinho. A proposta é lembrar que o amor pode ser vivido de forma prática e intencional no cotidiano, por meio de pequenas atitudes que fazem diferença na vida das pessoas.

Café com Deus Pai trouxe mais renovação e força ao gênero devocional. Depois do Café com Deus Pai, muitas editoras seculares começaram ou retomaram publicações do gênero devocional. Como você viu esse sucesso também editorial? Consegue calcular o impacto para o setor?

Eu vejo isso com muita gratidão. O sucesso do livro mostrou que existe uma sede muito grande por espiritualidade e reflexão no cotidiano. Se o livro ajudou a reacender o interesse pelo gênero devocional e abriu espaço para que mais pessoas tenham acesso a conteúdos que aproximem elas de Deus, isso já é algo muito positivo. Acho que o impacto vai além do mercado editorial. Estamos falando de pessoas que estão voltando a separar alguns minutos do dia para refletir sobre a vida, sobre fé e sobre propósito.

O nome Café com Deus Pai, hoje, ficou muito popular nas redes sociais, que fazem adaptações, memes, até quadros e canais inspirados nele. Como você vê esse movimento?

Eu vejo isso com naturalidade e até com alegria. Quando algo entra na cultura das pessoas, ele começa a ganhar novas formas. O mais importante para mim é perceber que a mensagem central continua sendo lembrada: parar alguns minutos do dia para se conectar com Deus. Se isso chega às pessoas através de formatos diferentes, memes carinhosos ou conteúdos nas redes, de certa forma a mensagem continua circulando.

Como é a sua rotina de conversa com Deus hoje? Que horário do dia você tem o seu momento de Café com Deus?

Eu continuo mantendo esse hábito pela manhã, porque começar o dia com Deus muda completamente a forma como eu encaro tudo o que vem depois. É um tempo de silêncio, leitura da Bíblia, oração e reflexão, que me ajuda a alinhar o coração antes de entrar no ritmo da rotina. Mas esse diálogo com Deus não fica restrito apenas a esse momento. Ele continua ao longo de todo o dia, muitas vezes no carro, em um avião ou entre um compromisso e outro, quando sigo conversando com Deus e refletindo sobre a vida. Inclusive, muitas das mensagens que escrevo para Café com Deus Pai nascem nesses momentos inesperados do dia.

Ainda assim, eu procuro manter dois encontros que para mim são indispensáveis: pela manhã, para começar o dia com Deus, e à noite, como um tempo de gratidão e reflexão antes de descansar. Foi também em um desses momentos que nasceu mais um livro: 'A vida que você busca está na cura que você precisa'. A obra convida o leitor a revisitar experiências que podem influenciar escolhas, comportamentos e relações ao longo da vida, abordando temas como orfandade emocional, ressignificação da própria história e o processo de cura interior, algo que também dialoga com a minha própria trajetória. A ideia é continuar essa caminhada com as pessoas, ajudando cada leitor a olhar para dentro, encontrar cura e viver com mais propósito.

Você cresceu em uma família com situações de violência doméstica, por parte dos homens em relação às mulheres. O que você acredita que deve ser feito para reverter esse cenário na sociedade brasileira?

Esse é um tema que me toca profundamente, porque faz parte da minha história. Eu cresci vendo situações de violência dentro de casa e sei o quanto isso marca uma família. Acredito que o caminho passa por educação, consciência e responsabilidade. Precisamos ensinar desde cedo sobre respeito, sobre o valor das pessoas e sobre controle emocional. Também é fundamental que as pessoas falem mais abertamente sobre esse tema, sem normalizar ou esconder a violência. E a fé tem um papel importante nisso, porque ela também pode ser um impulso para a transformação e para que alguém tenha coragem de romper ciclos, buscar ajuda e sair de situações que geram dor e sofrimento.

Numa pesquisa recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto Datafolha, 42,7% das mulheres evangélicas contaram ter sido vítimas de violência doméstica. Por que acha que isso ainda é tão alto? E como a igreja pode enfrentar isso?

Esse número mostra que a violência doméstica é um problema da sociedade como um todo, não apenas de um grupo específico. A igreja tem um papel muito importante nisso, porque ela é um espaço de orientação, acolhimento e formação de valores. É fundamental que líderes falem com clareza sobre respeito, dignidade e responsabilidade dentro da família. A fé nunca pode ser usada para justificar violência ou silêncio diante da dor de alguém. Pelo contrário, ela deve ser um caminho de proteção, cuidado e restauração.

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