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José Edson F. Mendonça: Em busca de sentido

jc.uol.com.br By JC 2026-03-22 760 words
José Edson F. Mendonça: Em busca de sentido

Diferentes culturas abordam a busca de sentido que vão do existencialismo à espiritualidade, mas cada visão contribui para a compreensão desse tema

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"... Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas, (Mt 6:33).

Diferentes culturas e filosofias abordam a busca de sentido de maneiras bem variadas; do existencialismo à espiritualidade, cada visão contribui para a compreensão desse tema tão palpitante.

Essa busca deve ser vista como uma jornada de interesse de todos. Procurar um propósito, uma razão para viver, um significado que dê valor às nossas experiências é ter um norte que nos guia e nos motiva a seguir em frente. Estudos mostram que pessoas com um propósito claro tendem a encontrar mais satisfação e bem-estar na vida.

Nesse contexto, as relações interpessoais são fundamentais, decisivas, diria mesmo, imprescindíveis para avançar na arte de se sentir parte de algo maior. Muitas vezes, o significado da vida não está em grandes conquistas, mas, em pequenas experiências do cotidiano: um sorriso, um aperto de mão, um cumprimento, uma informação prestada ou obtida de forma gentil, pode fazer toda a diferença em alguém e em você mesmo; são momentos simples que dão cor ao viver. Por exemplo, quando nos predispomos a pensar no bem, a ouvir as ideias, a fazer uma pequena gentileza a alguém, a relevar equívocos, mal-entendidos, a desejar paz e alegria, com sinceridade, quando entretemos atenção e tempo, sintonizamos e atraímos para nós uma energia positiva de mesmo teor que nos torna mais leves e confiantes na edificação da nossa jornada evolutiva.

Outrossim, no best seller, "Em busca de sentido", editado em 1945, o judeu-austríaco e psiquiatra Viktor Frankl (1905-1997) narra com riqueza de detalhes, os três anos da sua incrível, atribulada e desafiante experiência, como prisioneiro, no campo de concentração de Auschwitz.

Conta ele que os nazistas o despojaram de tudo: da família, haveres, documentos, objetos, o manuscrito de um livro ainda não publicado, as roupas, os pelos do corpo - até as sobrancelhas, tudo mesmo. - Não tínhamos nada, a não ser, literalmente, a nossa existência nua e crua, conta. Não importava quem era o sujeito, a profissão, nada. A única referência lá era um número tatuado no próprio corpo, ou costurado na calça, ou no casaco: o dele era o 119.104.

Naquele ambiente grotesco e inóspito, após a triagem, a grande maioria (cerca de 90%) seguia direto para os fornos crematórios, e os demais eram submetidos às mais terríveis condições de trabalhos forçados, frio congelante, fome, pestes, bofetadas, chicotadas, gritos e muito horror; muitos sucumbiam e desencarnavam, vários pelo suicídio.

Continua Frankl: "Tudo pode ser tomado do ser humano, menos uma coisa ... a última das liberdades humanas... sua capacidade de escolher qual atitude tomar em qualquer circunstância, e o seu próprio caminho". - Quando um homem descobre que seu destino é sofrer, tem que ver nesse sofrimento uma tarefa sua e única. Só nós podemos encontrar na nossa dor e sofrimento, os nossos mais profundos sentimentos, esperanças, sonhos e novas perspectivas que deem um novo e profundo significado à nossa existência. Na maneira como o ser humano suporta o sofrimento está a possibilidade de uma vitória única e singular. A ideia é converter o sofrimento em conquista, em propósito, dando-lhe sentido maior do que a própria vida. Mas, cada um deve descobri-lo por si mesmo e aceitar a responsabilidade que sua escolha implica."

Ademais, só nós podemos extrair das vicissitudes, experiências, dores e sofrimentos os mais profundos sentimentos, esperanças, sonhos, novas perspectivas e visão que deem um novo e profundo senso de propósito à nossa existência.

Por sua vez, o Espiritismo ensina que, como espírito imortal submetido à lei do progresso, o homem é fruto de suas escolhas, herdeiro do seu passado e construtor do seu amanhã; suas potencialidades devem ser desenvolvidas e postas a serviço dos semelhantes, a serviço da vida, a serviço de uma causa maior que deve transcender o significado da existência.

Concluindo, essa instigante e desafiadora resposta deve ser buscada dentro de nós mesmos, no nosso templo interior, refletindo e avaliando possibilidades e fragilidades, questionando valores e crenças ressignificando as experiências vivenciadas, com humildade e sinceridade, extraindo lições capazes de alavancar voos mais altos em direção a novos patamares de autorrealização, sem esquecer de considerar a máxima de Jesus posta no cabeçalho.

José Edson F. Mendonça presta colaboração ao movimento espírita, como escritor, palestrante e membro do Instituto Espírita Gabriel Delanne, rua São Caetano, 220, Campo Grande - Recife/PE

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