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Novas regras do abono salarial deixam 8,2 mil trabalhadores sem benefício no Ceará; veja o que muda - Negócios - Diário do Nordeste

diariodonordeste.verdesmares.com.br By Gabriela Custódio 2026-02-12 407 words
Novas regras do abono salarial deixam 8,2 mil trabalhadores sem benefício no Ceará; veja o que muda

Limite de renda para acesso ao benefício deixa de acompanhar os reajustes do salário mínimo e passa a ser corrigido apenas pela inflação.

Os efeitos do novo critério de renda para acesso ao abono salarial começam a ser sentidos a partir deste ano. A mudança estabelece que o teto do benefício deixará de acompanhar o salário mínimo e passará a ser corrigido apenas pela inflação. Com isso, ao longo da próxima década, haverá uma redução gradual no número de trabalhadores com direito ao benefício.

No Ceará, esse número reduziu aproximadamente 1% em 2026, cerca de 8,2 mil pessoas a menos na comparação com 2025. Uma vez que o ano-base utilizado de referência para o cálculo do benefício é dois anos antes do pagamento, as alterações aprovadas em 2024, com a Emenda Constitucional n.º 135, começam a ter reflexo na quantidade de trabalhadores aptos a receber o abono salarial de 2026.

Segundo dados fornecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ao Diário do Nordeste, foram identificados 1.009.118 trabalhadores com direito ao abono salarial no Ceará em 2026.

Esse número é 0,81% menor do que o de 2025, quando foram identificados 1.017.330 empregados aptos a receber o benefício — cerca de 8,2 mil trabalhadores de diferença.

Segundo projeção do Ministério da Fazenda, essa dinâmica fará com que, até 2035, o teto de elegibilidade se aproxime de um salário mínimo e meio.

Por que menos pessoas terão direito ao abono salarial?

O professor da Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), João Mário de França, explica por que a atualização do teto atrelada à inflação deve reduzir o número de beneficiários.

"Como o salário mínimo cresce acima da inflação, à medida que os anos vão passando, com essa desvinculação, você vai quebrando cada vez mais esse limite e tendo um público menor sendo beneficiado", esclarece

"Nesse primeiro ano, a redução foi de apenas cerca de 1%, mas no segundo a tendência é ser maior e assim sucessivamente", complementa França

Quais os prós e contras da mudança

O docente observa que a medida é positiva para os cofres públicas, mas pondera que o benefício é fundamental para a qualidade de vida dos trabalhadores de baixa renda e para a economia local. O problema, segundo França, é que essa política não é focalizada.

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