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Zema renuncia e deixa direita em cenário de guerra aberta em MG - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Glauco Faria 2026-03-22 768 words
Eleições 2026

Zema renuncia e deixa direita em cenário de guerra aberta em MG

Ex-governador mira o Planalto, mas deixa um sucessor isolado, rejeitado por anotações de Flávio Bolsonaro e ameaçado pelo avanço de Cleitinho

Romeu Zema (Novo) renunciou ao governo de Minas Gerais neste domingo (22), passando o cargo ao vice Mateus Simões (PSD).

A renúncia ocorre menos de duas semanas antes do prazo da Justiça Eleitoral para viabilizar a pré-campanha de Zema à Presidência.

O governo Simões enfrenta fragmentação da direita: Cleitinho (Republicanos) launchou candidatura própria ao governo com vice de Patos de Minas.

O PL permanece dividido entre apoiar Simões ou Cleitinho, enquanto Zema articula vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).

Romeu Zema (Novo) oficializou neste domingo (22) sua renúncia ao cargo de governador de Minas Gerais, passando o bastão para o vice e pré-candidato ao cargo, Mateus Simões (PSD).

A manobra, que ocorre pouco menos de duas semanas antes do prazo limite da Justiça Eleitoral, tem como objetivo declarado pavimentar a pré-campanha de Zema à Presidência da República. Em seu discurso de despedida, o agora ex-governador adotou um tom de ataque ao governo Lulca, tentando se cacifar como nome da oposição, embora nos bastidores articule para ser o vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Enquanto Zema mira o Planalto, seu sucessor assume o estado em meio a um cenário de fragmentação da direita e da extrema direita no estado. A disputa pela composição da chapa que disputará o governo do estado tem causado estranhamento entre os partidos da aliança em torno de Simões.

O acordo prévio de que o partido Novo indicaria o vice, com a vereadora de Belo Horizonte Fernanda Altoé como favorita, passou a ser questionado após o presidente do PSD em Minas, deputado estadual Cássio Soares, em uma agenda com jornalistas no início de março, ter sugerido que a indicação do vice de Simões pelo Novo não estaria garantida, segundo relata o jornal O Globo.

Base de Zema e o fator Cleitinho

O possível racha abriu espaço para o avanço de outras candidaturas no campo conservador como a do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que já definiu seu pré-candidato a vice: o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão.

A escolha é uma afronta direta a Simões, que acumula atritos públicos com Falcão. No início do ano, a esposa do prefeito, deputada estadual Lud Falcão (Podemos), relatou ter recebido uma ligação em tom de ameaça de Simões, na qual o então vice-governador teria ameaçado "fechar as portas" do Executivo caso o marido da parlamentar não se desculpasse por críticas feitas à gestão do governo estadual.

O clima de divisão atinge também o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda não sabe quem apoiar no estado. Enquanto alguns deputados estaduais da sigla defendem abertamente o nome de Cleitinho, o deputado federal Nikolas Ferreira tenta costurar o apoio do partido a Simões. Contudo, anotações de Flávio Bolsonaro reveladas pela Folha de S. Paulo apontaram que o PL avaliaria que o atual governador "puxa para baixo" um eventual palanque bolsonarista.

Simões e o PSD

Ainda que faça parte do PSD, onde o presidente nacional, Gilberto Kassab, espera lançar um nome à presidência da República entre três governadores, Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, Simões promete lealdade a Romeu Zema.

"Nesse momento, o que muita gente vê, acho que o Kassab e o Zema também, é um cenário parecido com o que tínhamos em Minas em 2018, em que havia o PT no governo desgastado e um retorno, nesse caso não é do [ex-]presidente [Jair] Bolsonaro, é do Flávio, que pode evocar a derrota de 2022, ou seja, pode repetir um movimento que deu errado. E aí as pessoas podem olhar e falar: gente, tem outro, não? Porque desses daí eu cansei", disse Simões, em entrevista à Folha de S. Paulo.

Em seguida, mostrou, no discurso, seu compromisso com Zema. "Acho que é essa leitura do Kassab, e é por isso que ele não se importa em dar liberdade para os governadores e eu aqui apoiar o Zema. A proposta da candidatura de Zema e de Ratinho não é de eleição com base em apoio político, mas com base em leitura popular. É óbvio que eu tenho que estar com o Zema por questão de coerência.""

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