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VÍDEO: Show de Tiago Santineli sobre umbanda acaba em tumulto e prisão após vigília de cristãos em BH - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Diego Feijó de Abreu 2026-03-22 1182 words
NeoConservadorismo BH

VÍDEO: Show de Tiago Santineli sobre umbanda acaba em tumulto e prisão após vigília de cristãos em BH

Humorista foi ouvido e liberado pela Polícia Civil; caso ocorreu após campanha de boicote, pressão de políticos conservadores e protesto organizado contra espetáculo "Olodumare"

Humorista Tiago Santineli foi conduzido à delegacia em BH após tumulto na noite de sábado (21) no Teatro
da Maçonaria, onde apresentava o show "Olodumare" sobre umbanda.

O espetáculo era alvo de boicote e pressão política desde março, incluindo pronunciamento do deputado Bruno Engler (PL) na Assembleia de MG pedindo cancelamento.

Três pessoas foram ouvidas na delegacia, incluindo Santineli, e um homem de 33 anos foi liberado após prestar depoimento; caso será
apurado.

O caso gerou divergência entre versões: amizade de Santineli alega intolerância religiosa, enquanto manifestantes dizem que houve provocação inicial por parte do humorista.

O humoris
ta Tiago Santineli foi conduzido à delegacia, na noite deste sábado (21), depois de uma confusão na porta do Teatro da Maçonaria, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, onde se apresentava ao lado de Luis Titoin no show "Olodumare". O espetáculo, anunciado com temática ligada a religiões de matriz africana, já vinha sendo alvo de boicote e pressão pública antes mesmo de começar. Na madrugada de domingo (22), a Polícia Civil de Minas Gerais informou, por meio de nota reproduzida pela imprensa mineira, que um homem de 33 anos foi ouvido pela 2ª Central Estadual do Plantão Digital, liberado em seguida e terá o caso apurado pela delegacia responsável.

O episódio não foi uma confusão isolada na saída de um evento. A apresentação em Belo Horizonte foi cercada por uma mobilização religiosa e política nos dias anteriores, com publicações nas redes, campanha aberta pelo cancelamento e convocação de uma vigília na porta do teatro. O alvo era um show sobre umbanda e religiosidade afro-brasileira. O desfecho da noite foi o artista levado para prestar esclarecimentos depois do tumulto provocado justamente no entorno da apresentação.

O que aconteceu na porta do teatro

Segundo relatos publicados por veículos mineiros com base no boletim de ocorrência (BO), Santineli disse à polícia que foi cercado ao chegar ao local, chamado d
e "satanista" e provocado por manifestantes contrários ao conteúdo do show. O humorista afirmou que ouviu frases contra a realização de uma apresentação sobre umbanda e relatou empurrões durante a discussão. Uma testemunha confirmou essa versão no registro policial.

Os manifestantes apresentaram outra narrativa. Um deles afirmou que o grupo realizava uma vigília religiosa e acusou Santineli de iniciar as ofensas e o empurr
ão. Uma mulher ligada ao protesto disse ter sido alvo de falas machistas. Outra testemunha corroborou a versão do grupo. Além de Santineli, outras duas pessoas foram encaminhadas para prestar esclarecimentos.

O ponto central da noite está menos na divergência previsível entre os depoimentos e mais na sequência objetiva dos fatos: um espetáculo sobre religiões de matriz africana foi alvo de vigília organizada, pressão pública e tumulto na porta do teatro, e o humorista que estava no centro do ataque acabou conduzido à delegacia.

Show já vinha sendo cercado por pressão política

A reação ao show começou antes do sábado. No dia 4 de março, o deputado estadual Bruno Engler (PL) atacou da tribuna da Assembleia Legislativa de Minas Gerais uma apresentação de Santineli na capital e pediu que o evento não fosse realizado em um colégio católico. O pronunciamento está registrado no portal oficial da ALMG. No discurso, Engler chamou o comediante de "pseudo-humorista", disse que ele debocha da fé cristã e tratou o show como afronta religiosa.

Nos dias seguintes, a pressão migrou para as redes sociais. Políticos, influenciadores e grupos conservadores passaram a defender o boicote ao espetáculo e a estimular mobilização no local da apresentação. Reportagens publicadas neste domingo (22) registram que a vigília foi organizada antes do evento e que o show "Olodumare" já havia enfrentado obstáculos e cancelamentos anteriores.

Quem é Tiago Santineli e por que ele virou alvo recorrente da direita

Santineli não é apenas um nome do circuito de stand-up. Nascido em Samambaia, no Distrito Federal, ele ganhou projeção nacional na internet com humor político de confronto, mirando p
ersonagens da extrema direita, parlamentares bolsonaristas e figuras da bancada religiosa. Esse perfil transformou o comediante em alvo frequente de campanhas, ameaças e tentativas de cancelamento de shows.

A própria Fórum já mostrou como Santineli se consolidou como um dos principais críticos públicos de Nikolas Ferreira. Em outra r
eportagem, a revista também registrou ameaças sofridas pelo humorista depois da divulgação de um teaser satírico contra bolsonaristas, episódio que levou ao aumento da hostilidade contra suas apresentações e sua presença nas redes.

Esse histórico ajuda a explicar o peso do caso em Belo Horizonte. O protesto
de sábado (21) não atingiu um artista qualquer nem um show qualquer. A mobilização se voltou contra um comediante já marcado por embates públicos com a direita e contra uma apresentação cujo tema envolvia justamente religiões de matriz africana, um dos alvos mais recorrentes de intolerância religiosa no país.

Djonga a
parece na delegacia e amplia repercussão

A repercussão cresceu ainda durante a madrugada. O rapper Djonga esteve na delegacia para prestar apoio a Santineli. A presença do artista mineiro deu outra dimensão ao episódio e ajudou a empurrar o caso para além da página policial.

Nas redes sociais, vídeos do momento da condução e relatos de pessoas que estavam no teatro circularam com rapidez. Parte dessas publicações descreve hostilidade a frequentadores do show e tentativa de constranger o público com orações e símbolos religiosos. Essas acusações ainda dependem de apuração formal e não constam, até aqui, como conclusão oficial das autoridades.

Pastor e amigo de Santineli fala em racismo religioso

Em conversa com a Fórum, o pastor Fillipe Gibran, amigo de Santineli, afirmou que o humorista e Luis Titoin foram a Belo Horizonte para trabalhar e que o qu
e ocorreu na porta do teatro foi uma tentativa de boicotar e intimidar o espetáculo. Segundo ele, houve inversão completa dos papéis no desfecho da noite.

"Eles fizeram intolerância religiosa, fizeram racismo religioso e depois denunciaram falsamente o Tiago justamente pelas atitudes que eles mesmos fizeram", disse Gibran à Fórum.

"Eles fizeram intolerância religiosa, fizeram racismo religioso e depois denunciaram falsamente o Tiago justamente pelas atitudes que eles mesmos fizeram", disse Gibran à Fórum.

A fala resume a disputa em torno do caso. De um lado, os organizadores da vigília alegam manifestação religiosa. De outro, aliados de Santineli sustentam que o protesto extrapolou esse limite e se transformou em constrangimento dirigido a um show com referências afro-brasileiras.

Mesmo antes da conclusão policial, o caso já deixou uma marca política e cultural difícil de ignorar. Um espetáculo sobre umbanda foi alvo de campanha de pressão, recebeu protesto organizado na porta, terminou em confusão e acabou com o principal artista da noite na delegacia. Em uma capital que costuma se apresentar como espaço de diversidade cultural, a sequência expõe o avanço de ações de intimidação contra manifestações artísticas associadas ao campo progressista e às religiões de matriz africana.

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