‘Escudo das Américas ameaça paz entre nações sul-americanas’, afirmam especialistas
Coalizão da extrema direita capitaneada pelos EUA é analisada por Roberto Moll (UFF), Carolina Pedroso (Unifesp) e Neusa Bojikian (INCT-INEU/ Unicamp) analisam riscos da aliança militar firmada entre EUA e países da região
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no dia 7 de março, ao lado de governantes de direita e extrema direita da América Latina, uma coalização militar voltada a combater o narcotráfico e o crime organizado. Intitulada "Escudo das Américas", essa coalização prevê que as Forças Armadas estadunidenses realizem operações conjuntas com as forças de segurança, militares e policiais, desses países.
Participam da coalizão, capitaneada pelos Estados Unidos, países como Argentina, Bolívia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trindade e Tobago. Também participou o José Antonio Kast, que dias depois foi empossado como presidente do Chile.
Para avaliar o impacto dessa aliança, relacionando-a com o contexto de ataques na região, Opera Mundi ouviu três pesquisadores do Instituto Nacional de Estudos Políticos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU), as professoras Carolina Pedroso (Unifesp) e Neusa Maria Pereira Bojikian (INCT-INEU/ Unicamp); e o professor Roberto Moll (UFF).
Os três concordam que a iniciativa é preocupante, compromete a paz na região e vai muito além de uma coalização voltada ao combate às drogas na América Latina. Eles explicam o que está implicado no acordo militar e, em particular, seus efeitos para o Brasil, sobretudo, neste ano eleitoral.
Escudo das Américas
A professora Neusa Maria Pereira Bojikian (INCT-INEU/Unicamp), uma das organizadoras do recém lançado livro A Volta de Trump: Choque Político e Relações Internacionais (Unesp, 2025), observa que o Escudo das Américas não é uma instituição ou um acordo multilateral entre Washington e as outras nações, mas sim "arranjo flexível de países que são selecionados pela Casa Branca".
O objetivo desse arranjo é ser uma organização política que Washington "determina e reconhece como funcional". Neste sentido, a escolha dos países não é neutra, mas reflete "afinidades políticas e relações de poder", funcionando "menos como política de segurança e mais como uma forma de reorganizar o espaço regional".
Para Bojikian, "há de fato uma convergência prévia, que facilita a adesão, mas isso não significa que a participação seja apenas voluntária ou espontânea". Ela salienta que muitos desses países dependem do apoio dos Estados Unidos e precisariam arcar com um alto custo se dissessem não a Trump.
Não se trata de "uma cooperação entre iguais", mas de um exercício de poder que combina "coerção, alinhamento político e organização das dependências entre esses países". Em vários casos, o que se verifica "é um consenso condicionado em meio a relações assimétricas".
Esse arranjo, explica a pesquisadora, é operacionalizado sob liderança dos Estados Unidos, um "ator que não faz parte e nem se importa com os problemas da região" e prevê o compartilhamento de inteligência e, potencialmente, operações conjuntas.
Caserna sob extrema direita
Para a professora Carolina Pedroso (Unifesp), este "projeto de integração regional" significará, na prática, uma maior presença dos militares norte-americanos na América Latina, em particular na América do Sul, na medida em que os países da América Central e do Caribe já contam com a presença de tropas e bases norte-americanas.
Pedroso destaca que há um histórico na América do Sul, em particular, na Colômbia neste sentido. A diferença, agora, é que "Washington está ampliando essa presença em países que não tinham tanto alinhamento político e ideológico, como Bolívia, Chile, Argentina e Paraguai".
Ela frisa que "não existe histórico ou caso empírico de melhora dos índices de criminalidade e narcotráfico com a presença de militares norte-americanos". O aumento dessa militarização acende, portanto, um "alerta enorme", sobretudo após as agressões de Washington contra a Venezuela e Cuba.
"Não podemos esquecer do precedente aberto com a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela", um "ponto de ruptura" com o padrão adotado pelo pais com as nações da América do Sul. Ela explica que "sempre houve intervenção e ingerência, mas eles nunca tinham chegado ao ponto de bombardear uma capital sul-americana".
"O que aconteceu na Venezuela é um recado para a região do que pode acontecer com qualquer governo que desafie o objetivo hegemônico dos Estados Unidos", acrescentou, ao lembrar que a própria Estratégia de Segurança Nacional chama Corolário Trump e da Doutrina Monroe.
Já o historiador Roberto Moll (Universidade Federal Fluminense – UFF) observa que esses 12 países "dispostos a se alinhar a uma perspectiva de extrema direita" passarão, através de políticas integradas, por "uma padronização de treinamentos de suas forças de segurança", militares e policiais.
Isso significa, "introjetar ou, a partir de treinamento, estabelecer um canal de transmissão da ideologia de extrema direita e da perspectiva norte-americana de segurança", submetendo "todo o continente ao imperativo da segurança estadunidense".
Ele também destacou que, até agora, "ninguém sabe quais informações serão compartilhadas, o que em termos de controle da sociedade civil, é preocupante", apontou. Ao mesmo tempo, paira a dúvida do que poderá ser definido como crime organizado, "movimentos sociais serão considerados crime organizado?"
O mesmo em relação ao apoio logístico norte-americano, do qual não há menções específicas. "Transferência de armas? Armamento letal?", questionou Moll.
Conter imigrantes e a China
Os três analistas mencionaram a contenção da imigração dos latino-americanos para os Estados Unidos. Levantamento da CNN, em dezembro de 2025, contabiliza, desde o início do governo Trump, a deportação de 200 mil pessoas nascidas na América Latina.
Moll advertiu que a repressão à imigração não documentada é colocado na retórica de Trump e nos documentos oficiais, no mesmo patamar do combate ao narcotráfico e ao crime organizado, o que reforça o discurso de Trump de que "os imigrantes são responsáveis pela epidemia de drogas nos Estados Unidos".
Agora, ressalta Moll, "essa concepção se alastrará pelos países do continente, equalizando a imigração no mesmo patamar do tráfico de drogas. É um absurdo, mas essa ideia será exportada", afirma o pesquisador, ao citar o exemplo do muro anunciado pelo presidente chileno na fronteira do país com o Peru.
Outro objetivo é contenção da influência chinesa na região. A professora da Unifesp lembra que, embora "não esteja explícito, pelo menos neste acordo, o que está presente na estratégia da Segurança Nacional norte-americana é a contenção da presença chinesa, inclusive com uma articulação com a própria opinião pública desses países".
Um exemplo é a veiculação recente de um boato de que a China teria base militar em território brasileiro. Como explica Pedroso, nas últimas décadas, o país asiático teve uma forte proeminência na América do Sul em termos econômicos e, também, em termos de cooperação internacional.
Riscos na fronteira
Pedroso também ressalta as ausências significativas na lista do Brasil, Colômbia e México, que possuem forte relação no combate ao narcotráfico e "representam, de alguma forma, algum tipo de resistência a essa hegemonia, ainda que desarticulada diante da fragmentação regional".
"As lideranças [desses países], muitas vezes, conseguem produzir muito mais pronunciamentos e retóricas do que ações efetivas para eliminar ou tentar minimizar o peso dos Estados Unidos nas nossas dinâmicas regionais e políticas internas", afirma a pesquisadora.
Em contrapartida, muitos dos países que aderiram ao Escudo fazem fronteira com o Brasil. "O próprio Paraguai assinou esse acordo permitindo a presença de instalação de bases militares no seu território; o Equador, embora não faça fronteira, também tem passado por uma um processo de muita violência", ressaltou.
Ela chamou a atenção, por exemplo, para o perfil semelhante dos presidentes do Equador, Daniel Noboa e de El Salvador, Nabil Bukele: "ambos são jovens lideranças que começaram a militância política com viés teoricamente moderado, mas encamparam a extrema direita com uma política de combate à criminalidade bastante questionável, sobretudo pela própria ligação dessas lideranças com o crime organizado".
Fragmentação e redução da autonomia
Bojikian, por sua vez, avalia que os países fora da coalizão terão de lidar com os efeitos dessa estrutura, mesmo sem participar dela. "Infelizmente não se trata simplesmente de decidir fazer parte ou não desse tipo de iniciativa ou de outras específicas, mas de compreender que as mudanças estão em curso e, neste contexto, preservar autonomia, capacidade de articulação regional e margem de manobra".
Um dos impactos diretos desse processo é a redefinição da agenda regional de segurança. "Ao militarizar o combate ao crime e à migração, o Escudo tende a estabelecer um novo padrão de atuação", englobando também os países que não participam do Escudo. Esses países, explica Bojikian, passam a operar "em ambiente onde essa lógica ganha apelo, o que pode gerar pressões internas por mudanças de política e efeitos indiretos, como tensões em áreas de fronteira".
Ela também destacou a possibilidade de uma fragmentação regional. "Historicamente essa coordenação sempre foi um grande desafio, mas a ameaça clara de divisão como a que emerge com esse tipo de iniciativa do Escudo tenta consolidar a tática "do dividir para reinar".
No caso brasileiro, ressalta Bojikian, a ameaça também se configura em uma redução do espaço "para iniciativas autônomas". Em um sistema internacional de coalizões seletivas e diante da redefinição arbitrária das prioridades regionais pelos Estados Unidos, "não se alinhar deixa de ser apenas uma opção legítima e passa a ser uma declaração de inimizades políticas, de competições econômicas e de segurança".
Por outro lado, "alinhar-se implica aceitar uma agenda que certamente comprometerá outras dimensões da política externa brasileira, especialmente a relação econômica com a China".
Ameaças à paz regional
Em paralelo, os Estados Unidos estão construindo acordos bilaterais de segurança com esses países. No Paraguai, por exemplo, as forças de segurança estadunidenses poderão atuar livremente. "Se algum militar cometer um crime no país, ele será punido nos Estados Unidos", relata o professor Roberto Moll.
A tensão entre Equador e Colômbia já é parte desse processo, avalia. Nesta semana, o presidente Gustavo Petro acusou as forças equatorianas de bombardearem a fronteira entre os dois países. Uma "região que o Equador tem interesse, mas bombardeou alegando combater o tráfico de drogas. Agora, em nome disso, com carta branca dos Estados Unidos, eles vão avançar em regiões de interesse nas fronteiras?", questionou o professor.
Na avaliação da professora Carolina Pedroso, "a presença dos militares nesses países certamente aumenta a possibilidade de conflitos e tensões, ameaçando uma construção de mais de 200 anos de paz no Atlântico Sul, em particular, na América do Sul".
Ela citou os riscos da iniciativa às democracias latino-americanas, inclusive, ameaças de ingerência direta sobre processos eleitorais que vão acontecer neste ano na Colômbia e no Brasil. A iniciativa "acende ainda mais alertas para os governos que vão postular a continuidade dos seus projetos, seja Iván Cepeda ou o presidente Lula", avalia Pedroso.
Segundo ela, "cada vez mais, os Estados Unidos vão estar dispostos a usar todo o seu arsenal bélico, de soft power, de aliança com elites locais, para produzir mudanças políticas que lhes favoreçam". Uma prova disso, lembrou, foram as eleições fraudadas em Honduras que levaram ao poder, Nasry Asfura, um aliado de Trump.
"Muitas vezes na América Central e no Caribe as coisas são muito mais exacerbadas e muito mais descaradas em termos da presença imperialista dos Estados Unidos; na América do Sul, a gente está caminhando para algo semelhante", avalia.
Eleições 2026
Ao refletir sobre uma possível interferência do Escudo no contexto eleitoral brasileiro, o historiador Roberto Moll, avalia que a coalização já teve impacto, conforme obriga o governo Lula a enfrentar uma agenda de segurança que não estava no horizonte.
"Vamos imaginar que os Estados Unidos definem o PCC e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas que impactam todo o continente americano. Neste contexto, eles bombardeiam o país. De repente, foi posto no horizonte a possibilidade de intervenção capitaneada pelos Estados Unidos, com 12 países da América Latina contra o Brasil", analisa.
Moll não acredita que isso ocorra tão facilmente, "a questão é que essa ameaça está colocada". No século 19, resgatou o historiador, os países latino-americanos passaram por uma série de conflitos, mas esse horizonte bélico despareceu no século 20. "Isso volta no horizonte das Forças Armadas e entra no horizonte do governo brasileiro. Não à toa, eles começaram a falar sobre a necessidade de segurança", destacou.
"Essa é uma agenda que não existia na América Latina", reiterou o pesquisador, ao lembrar que, sobretudo na América do Sul, as fronteiras "estão extremamente estabilizadas e existem relações pacíficas entre os países".
No entanto, às vésperas da eleição, "o governo brasileiro precisará se preocupar com uma agenda de segurança internacional que não tinha a menor prioridade nos debates políticos". Uma agenda, avalia o historiador, favorável ao candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro.
"Ele baterá na tecla de que o governo do PT é aliado ao PCC e uma ameaça ao continente", avalia Moll, salientando que essas questões serão postas e discutidas, podendo servir "como convencimento político" no jogo eleitoral.
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Core Claims & Their Sources
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"The 'Escudo das Américas' military coalition threatens peace and regional autonomy in South America."
Source: Collective analysis from three named academic experts (Roberto Moll, Carolina Pedroso, Neusa Bojikian). Named secondary
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"The coalition is an exercise of U.S. power that combines coercion and political alignment, not cooperation among equals."
Source: Analysis from expert Neusa Bojikian. Named secondary
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"Increased U.S. military presence will not improve crime/drug trafficking indices and raises conflict risks."
Source: Analysis from expert Carolina Pedroso. Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (6)
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P1
"President Donald Trump announced the 'Escudo das Américas' coalition on March 7."
Factual -
P2
"The coalition includes countries like Argentina, Bolivia, Costa Rica, etc."
Factual -
P3
"A CNN survey counted 200,000 deportations of Latin American-born people since the start of the Trump administration."
Factual -
P4
"U.S. military presence causes does not improve crime/drug trafficking indices"
Causal -
P5
"Coalition's militarized approach causes will establish a new regional security pattern affecting non-participants"
Causal -
P6
"Exporting Trump's immigration rhetoric causes will equate immigration with drug trafficking in participant countries"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: President Donald Trump announced the 'Escudo das Américas' coalition on March 7. P2 [factual]: The coalition includes countries like Argentina, Bolivia, Costa Rica, etc. P3 [factual]: A CNN survey counted 200,000 deportations of Latin American-born people since the start of the Trump administration. P4 [causal]: U.S. military presence causes does not improve crime/drug trafficking indices P5 [causal]: Coalition's militarized approach causes will establish a new regional security pattern affecting non-participants P6 [causal]: Exporting Trump's immigration rhetoric causes will equate immigration with drug trafficking in participant countries === Causal Graph === us military presence -> does not improve crimedrug trafficking indices coalitions militarized approach -> will establish a new regional security pattern affecting nonparticipants exporting trumps immigration rhetoric -> will equate immigration with drug trafficking in participant countries
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.