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A Veneza Brasileira que proibiu carros por lei: 75% dos moradores pedalam sobre passarelas suspensas

oantagonista.com.br By Vitor Bruno 2026-03-23 896 words
A Veneza Brasileira que proibiu carros por lei: 75% dos moradores pedalam sobre passarelas suspensas

Carros são proibidos por lei e 75% dos moradores usam bicicletas

Em Afuá, na foz do Rio Amazonas, o motor desliga no trapiche e só restam pedais. A Veneza Brasileira não tem asfalto: são passarelas suspensas sobre a várzea do Arquipélago do Marajó, onde 75% dos moradores se deslocam de bicicleta e carros são proibidos por lei desde 2002.

Por que nenhum carro entra nessa cidade sobre palafitas

Afuá foi construída em área de várzea permanentemente alagada na foz do Rio Amazonas, a cerca de 15 km ao sul da Linha do Equador. As passarelas de madeira, erguidas a 1,20 metro acima do nível dos rios, não suportam o peso de automóveis. Motocicletas chegaram a circular nos anos 1990, mas a deterioração das estruturas levou a prefeitura a banir qualquer veículo motorizado do perímetro urbano. A proibição foi reforçada pela Lei Municipal nº 495/2022, que estendeu a restrição também às passarelas da zona rural.

O resultado é uma experiência rara no planeta. Até os serviços públicos se adaptaram à lógica das duas rodas: a polícia patrulha de bicicleta e o socorro médico opera com a "bicilância", veículo a pedal equipado com maca e suporte para oxigênio. A National Geographic Brasil publicou reportagem destacando Afuá como referência de mobilidade sustentável para arquitetos e urbanistas do mundo inteiro.

Quem busca conhecer destinos únicos no Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 171 mil visualizações, onde Bruno mostra a incrível cultura das bicicletas em Afuá, no Pará:

O bicitáxi inventado por um pai que queria passear com os filhos

Em 1995, o morador Raimundo do Socorro Souza, conhecido como Sarito, queria levar a família inteira para um passeio, mas a garupa da bicicleta não cabia todos. A solução foi unir duas bicicletas com uma estrutura de metal, criando um quadriciclo movido a pedal. Nascia o bicitáxi, hoje patrimônio cultural de Afuá.

Os moradores chamam os bicitáxis de "carros". Metalúrgicos locais montam cada veículo sob encomenda, e os proprietários personalizam com grafites, nomes de super-heróis e luzes de LED alimentadas por bateria. Um bicitáxi equipado com som automotivo e iluminação pode custar até R$ 15 mil. A corrida sai entre R$ 5 e R$ 10, dependendo da distância. O invento gerou toda uma microeconomia de artesãos, mecânicos e operadores de transporte.

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O que fazer na cidade sem semáforos nem buzinas

Afuá se conhece no ritmo da pedalada e no tempo da maré. A cidade inteira é a atração, mas há programas além das passarelas. Estes são os destaques:

Passarelas do centro: o percurso a pé ou de bicicleta pelas ruas suspensas é a experiência principal. Casas coloridas sobre palafitas, feiras de peixe e açaí e a Praça Micaela Ferreira compõem o cenário.

Festival do Camarão (julho): chegou à 41ª edição em 2025, com quatro dias de shows, gastronomia e o desfile da Biciata, quando donos de bicitáxis ornamentam seus veículos com temas que vão de lendas amazônicas a referências pop.

Orla e Terminal Hidroviário: mirante natural para o encontro dos rios. No fim da tarde, a paisagem ganha tons de laranja sobre as águas.

Parque Estadual Charapucu: unidade de conservação com 651 km² de várzeas e igapós preservados, criada pelo Ideflor-Bio em 2010.

Passeios de barco pelos igarapés: roteiros fluviais levam a comunidades ribeirinhas, áreas de coleta de açaí e trechos de floresta de várzea.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição: construída em 1871, é o marco religioso mais antigo da cidade e ponto de partida do Círio de Afuá.

Quem deseja descobrir a "Veneza Marajoara", vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Celia Hinz – Sobre o mundo das viagens, que conta com mais de 89 mil visualizações, onde Celia Hinz explora as ruas suspensas e a vida sobre palafitas em Afuá, no Pará:

Quando visitar a Copenhagen da Amazônia

Afuá tem clima equatorial quente e úmido, com duas estações bem marcadas: o inverno amazônico (chuvoso) e o verão (mais seco). As marés influenciam o cotidiano e o acesso à cidade. Veja como cada período se comporta:

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme a maré.

Como chegar à cidade onde o asfalto não existe

Afuá é uma ilha sem acesso terrestre. A rota mais comum parte de Macapá em lanchas rápidas, com travessia de aproximadamente 2h30 dependendo da maré. De Belém, a distância é de cerca de 300 km, com opção de barco (2 a 3 dias) ou táxi aéreo em aviões de pequeno porte. A cidade tem um pequeno aeroporto cuja pista, fora dos horários de pouso, vira área de caminhada e corrida para os moradores.

Pegue o barco e deixe o motor para trás

Afuá não é um destino convencional. É uma cidade inteira construída sobre a água, onde o trânsito se resolve com pedais, o açaí chega quente à mesa e as crianças aprendem a pedalar antes de completar cinco anos. O silêncio que sobra quando não há motores é preenchido pelo som dos remos, das correntes de bicicleta e dos pássaros da várzea.

Você precisa descer do barco em Afuá e sentir o que acontece quando uma cidade inteira decide que o motor não faz falta.

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