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Imóveis de altíssimo padrão em SP resistem a juros altos e mantêm mercado aquecido, diz CEO da LIV

revistaoeste.com By Yasmin Alencar 2026-03-23 583 words
Mesmo diante de taxas de juros elevadas no Brasil, o segmento de imóveis de altíssimo padrão em São Paulo mostra estabilidade e resistência.

Segundo João Pedro Camargo, CEO da LIV, esse mercado permanece aquecido, sem oscilações significativas nas vendas nos últimos dois anos, apesar do cenário macroeconômico desafiador.

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Camargo explicou, em entrevista ao portal Poder360, que a atuação nesse nicho é restrita a poucas empresas, com uma fatia pequena em número de unidades, cerca de 3%, mas que movimenta quase um terço dos valores de lançamentos imobiliários, atingindo cerca de R$ 28 bilhões. "Se você considerar o alto e o altíssimo padrão em número de unidades, a gente fala algo em torno de 3%. Parece pouco, mas em termos de volume de dinheiro, estamos falando de quase ⅓ do total de lançamentos", afirmou.

Perfil dos compradores e dinâmica de pagamento

O público desse setor é composto por famílias tradicionais paulistanas e executivos de grandes empresas e do mercado financeiro. Segundo Camargo, boa parte desses consumidores usa pouco crédito, com apenas uma fração financiando o pagamento das chaves, aproximadamente 40% do valor do imóvel, enquanto a maioria antecipa pagamentos antes dessa etapa.

O executivo destaca que a resiliência do segmento se deve ao perfil dos compradores, que buscam atualização residencial e valorizam localização privilegiada, projetos arquitetônicos exclusivos e padrão elevado de execução. "É o cliente que está buscando migrar da habitação atual para uma mais atualizada", enfatizou Camargo. "São famílias tradicionais de São Paulo, executivos de grandes empresas e do mercado financeiro".

Sobre a diferença entre alto e altíssimo padrão, ele esclarece que imóveis de alto padrão têm valores a partir de R$ 2,5 milhões, enquanto os de altíssimo padrão ultrapassam R$ 10 milhões. Em 2025, o total de lançamentos imobiliários em São Paulo ficou pouco abaixo de R$ 90 bilhões, com o setor de luxo respondendo por uma parcela significativa desse montante.

Financiamento e vulnerabilidade do segmento

Camargo avalia que o financiamento é pouco utilizado entre os compradores de alto luxo, o que os torna menos vulneráveis às variações do crédito e das taxas de juros. "O cliente de alto padrão depende menos do financiamento imobiliário, ele tem uma decisão mais objetiva".

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, cidades como Florianópolis também atraem investimentos em imóveis de luxo, com parte dos consumidores vindo do agronegócio do Centro-Oeste. Ainda assim, São Paulo permanece como o principal mercado do país, impulsionado pelo maior PIB nacional.

Desafios e tendências do mercado

No momento, fatores de risco como a insegurança jurídica impactam o setor. "Em São Paulo, paralisaram todas as aprovações de projetos. Tem mais de 4 mil esperando alvará por um desentendimento sobre o plano diretor".

Depois da pandemia, o mercado de luxo percebeu uma valorização crescente por espaços de lazer, bem-estar e áreas comuns mais amplas, o que impulsionou o desenvolvimento de áreas de spa, piscinas e academias em novos empreendimentos. Camargo aponta que o desejo por qualidade de vida aumentou e se tornou fator importante na decisão de compra.

Custos e legislação trabalhista

Em relação ao custo da mão de obra, mudanças como o fim da escala 6×1 podem elevar os custos das obras entre 5% e 8%, já que mão de obra representa até 40% do valor total. Camargo observa que, no segmento de altíssimo padrão, é possível repassar parte desse acréscimo ao preço final, mas ressalta que setores de padrão mais baixo podem ter mais dificuldades com esse cenário.

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