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Os bancos de fomento e a nova arquitetura econômica global

nexojornal.com.br By Renê Garcia Júnior 2026-03-22 548 words
A economia mundial passa por uma reorganização estrutural que redefine fluxos produtivos, redes de inovação e estratégias nacionais de desenvolvimento. A competição geopolítica, o avanço tecnológico, a urgência climática e a revalorização das políticas industriais recolocaram os bancos de fomento no centro do debate econômico. Como observou o economista Dani Rodrik, não há desenvolvimento sem instituições capazes de aprender, experimentar e coordenar.

Economias avançadas voltaram a utilizar instrumentos de fomento para fortalecer capacidades produtivas, acelerar a transição energética e reorganizar cadeias estratégicas. A coordenação financeira tornou-se decisiva para reduzir riscos, atrair capital privado e sustentar ciclos tecnológicos que dificilmente emergiriam apenas da dinâmica espontânea dos mercados.

A história econômica mostra que períodos de transformação exigem instituições públicas capazes de agir com estratégia e pragmatismo

A história econômica mostra que períodos de transformação exigem instituições públicas capazes de agir com estratégia e pragmatismo

O Brasil insere-se nesse rearranjo com desafios e oportunidades próprias. Somos uma potência agroalimentar em um mundo que exigirá mais produção, eficiência e sustentabilidade. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), até 2050 será necessário que a produção de alimentos cresça em 50%. Ao mesmo tempo, nenhum setor escapará da transição global de energia e carbono. A matriz energética brasileira é uma vantagem competitiva, mas sua modernização — do hidrogênio verde à bioeconomia, da mobilidade elétrica à indústria de equipamentos renováveis — exige coordenação público-privada, horizonte de longo prazo e engenharia financeira. Eis o espaço natural dos bancos de fomento.

É fundamental reconhecer que o Estado não substitui — nem deve substituir — a dinâmica do setor privado. Mercados funcionam porque dispersam conhecimento e estimulam inovação. O papel das instituições públicas de crédito não é centralizar decisões, mas criar condições para que empresas e produtores assumam riscos informados. O desenvolvimento sustentável nasce desse equilíbrio: o Estado reduz incertezas sistêmicas e orienta prioridades; a iniciativa privada transforma direções estratégicas em produtividade, inovação e emprego.

Bancos como o BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) operam sob lógica distinta das instituições comerciais: atuam onde a percepção de risco é elevada, com o objetivo de suavizar o custo do crédito e viabilizar investimentos com bons fundamentos econômicos. Apoiam arranjos produtivos locais, amortecem desigualdades regionais e financiam projetos de maturação longa, como infraestrutura, inovação e cadeias agroindustriais de maior valor agregado. Na área de atuação do banco, isso se traduz no apoio ao agro moderno, à difusão tecnológica e ao fortalecimento de ecossistemas regionais de inovação. A combinação entre crédito acessível, assistência técnica e articulação institucional transforma potencial em produtividade.

A história econômica mostra que períodos de transformação exigem instituições públicas capazes de agir com estratégia e pragmatismo. O historiador econômico Alexander Gerschenkron já lembrava que o atraso relativo pode se tornar vantagem se houver mecanismos de financiamento que catalisem saltos tecnológicos. Hoje, esse argumento ganha nova força. Não basta crescer; é preciso transformar a estrutura produtiva para competir em um mundo que reconfigura cadeias industriais, valoriza rastreabilidade, integra sustentabilidade e incorpora a economia do conhecimento como elemento central da competitividade.

Prestes a completar 65 anos de atuação, o BRDE tem buscado responder a esse novo contexto, ampliando o apoio à inovação, à infraestrutura resiliente e à agropecuária sustentável, além de fortalecer parcerias que ampliam a capacidade de investimento da região.

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