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Quem lucra com a guerra do Irã: o incrível salto de US$ 70 bilhões de três empresas chinesas

veja.abril.com.br By Ernesto Neves 2026-03-23 679 words
Quem lucra com a guerra do Irã: o incrível salto de US$ 70 bilhões de três empresas chinesas

Por trás do choque geopolítico, mudanças em energia, defesa e tecnologia explicam a valorização acelerada dessas companhias

A guerra envolvendo Irã, após ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel no fim de
fevereiro, desencadeou uma reprecificação global dos ativos de energia e abriu espaço para uma mudança estrutural nas apostas dos investidores.

Em poucas semanas, três gigantes chinesas de baterias e tecnologia energética — CATL, BYD e Sungrow — adicionaram mais de US$ 70 bilhões em valor de mercado, superando o desempenho de petroleiras tradicionais.

O movimento sinaliza o que analistas já classificam como uma inflexão no paradigma energético global.

Mesmo com a alta expressiva do petróleo, impulsionada pelo conflito, ações de empresas ligadas à transição energética avançaram mais do que as de gigantes como ExxonMobil, Chevron e BP.

Desde o início da guerra, os papéis da CATL subiram cerca de 19%, enquanto BYD e Sungrow acumulam ganhos superiores a 20%.

No mesmo período, o petróleo disparou cerca de 47%, elevando receitas das petroleiras, mas sem produzir valorização equivalente em bolsa.

A leitura predominante no mercado é que o choque geopolítico reforça uma tendência já em curso: a busca por segurança energética por meio da eletrificação e da redução da dependência de combustíveis fósseis.

A China, maior importadora de petróleo do mundo, deve acelerar sua estratégia de "eletrificar tudo", ampliando investimentos em veículos elétricos, armazenamento de energia e redes inteligentes.

O mesmo vale para economias altamente dependentes de importações energéticas, como Japão, Coreia do Sul e Taiwan.

O avanço das baterias é peça central nesse processo. À medida que fontes renováveis como solar e eólica ganham participação, cresce a necessidade de sistemas de armazenamento para compensar a intermitência da geração.

Além disso, a explosão da demanda por data centers, impulsionada pela inteligência artificial, aumenta a pressão sobre redes elétricas, favorecendo tecnologias de armazenamento em larga escala.

Projeções de mercado indicam que o setor de baterias estacionárias na China pode saltar de US$ 48 bilhões em 2025 para cerca de US$ 199 bilhões até 2032.

Trata-se de um dos segmentos mais dinâmicos da transição energética, com impacto direto sobre cadeias globais de minerais críticos, como lítio e níquel, e sobre a geopolítica industrial.

Especialistas também apontam que o conflito expôs vulnerabilidades estruturais do sistema energético global.

Ataques recentes a infraestruturas de gás natural liquefeito no Golfo reforçam o risco associado à dependência de combustíveis fósseis transportados por rotas sensíveis.

Países emergentes e economias asiáticas, altamente dependentes dessas importações, tendem a sofrer choques inflacionários e pressões externas em momentos de crise.

Nos últimos dias, a guerra entrou em uma fase de maior tensão, com relatos de novos bombardeios e ameaças de interrupção no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo global.

O risco de bloqueio, ainda que parcial, elevou a volatilidade nos mercados e reacendeu temores de um choque energético semelhante ao observado em crises anteriores no Oriente Médio.

Os reflexos já são visíveis. Além da disparada do petróleo, houve valorização de ativos considerados seguros, como o ouro, e aumento nos custos de transporte marítimo e seguros.

Ao mesmo tempo, empresas ligadas à transição energética passaram a ser vistas como hedge estrutural contra instabilidades geopolíticas.

A percepção de risco associada ao petróleo e ao gás reforça a tese de que a transição energética deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a ocupar o centro da estratégia econômica e de segurança nacional de diversos países.

Nesse contexto, o avanço das empresas chinesas indica não apenas uma mudança de mercado, mas também uma reconfiguração do poder industrial global.

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