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Italianos rejeitam reforma judicial de Meloni com participação histórica em referendo

operamundi.uol.com.br By Janaína César 2026-03-23 581 words
Italianos rejeitam reforma judicial de Meloni com participação histórica em referendo

Com quase 55% dos votos, mudança da magistratura apoiada pelo governo Meloni foi rechaçada; 'seguiremos', afirmou premiê após derrota

Com a votação encerrada, o referendo constitucional sobre a reforma da Justiça italiana representa uma derrota expressiva para o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni desde que chegou ao Palazzo Chigi. Isso por que, com quase 55% dos votos, a escolha pelo "não" venceu.

O núcleo do referendo era a reforma constitucional aprovada no final de 2025, que previa três pilares: a separação de carreiras entre juízes e promotores, com percursos distintos e sem possibilidade de transição entre as funções; a criação de dois Conselhos Superiores da Magistratura separados; e a instituição de uma Alta Corte Disciplinar autônoma para os magistrados.

Com a derrota confirmada, já que o "sim" obteve 45,37%, Meloni publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que o governo "segue em frente" com "responsabilidade, determinação e respeito pelo povo italiano e pela Itália".

A premiê não disfarçou a decepção com o resultado e disse que o governo continuará pela sua estrada, sem qualquer citação a uma possível renúncia.

Gli italiani hanno deciso. E noi rispettiamo questa decisione.Andremo avanti, come abbiamo sempre fatto, con responsabilità, determinazione e rispetto verso il popolo italiano e verso l'Italia. pic.twitter.com/KCBf19hO8d— Giorgia Meloni (@GiorgiaMeloni) March 23, 2026

Gli italiani hanno deciso. E noi rispettiamo questa decisione.

— Giorgia Meloni (@GiorgiaMeloni) March 23, 2026

Já o vice-premiê Antonio Tajani declarou que o governo "se curva à vontade do povo". O ministro da Justiça, Carlo Nordio, afirmou não atribuir ao resultado um significado político, agradeceu ao eleitorado que apoiou a reforma e disse que a alta participação confirma "a solidez da democracia italiana".

"Bella Ciao" ecoa nos tribunais

Se a tarde em Roma foi de pronunciamentos contidos, em Nápoles a celebração foi visceral. Na sala da Associação Nacional de Magistrados, dentro do Tribunal da cidade, cerca de 50 juízes e promotores, os mesmos que a reforma pretendia separar definitivamente, comemoraram juntos a vitória do "não" entoando "Bella Ciao", a histórica canção da resistência partisã italiana.

O gesto foi carregado de simbolismo: ao escolher o hino antifascista por excelência, os magistrados deixavam claro como interpretaram a tentativa do governo de modificar a Constituição, como um ataque a um texto que é, em sua essência, uma declaração antifascista.

O clima festivo também tomou Milão. Fabio Roia, presidente do Tribunal da cidade, presente com dezenas de magistrados no momento da apuração, não escondeu a emoção: "é um momento muito comovente, porque venceu a Constituição, venceram as pessoas que foram votar. A participação é um grande sinal de força democrática".

Roia acrescentou que o resultado é, em parte, "uma vitória da magistratura, que não merecia da parte da política os contínuos ataques e as contínuas delegitimações".

O recado político

Um dos dados mais significativos do voto diz respeito às novas gerações: mais de 60% dos eleitores com menos de 35 anos votaram pelo "não". A participação neste referendo foi de 58,9%.

O presidente do M5S, Giuseppe Conte, leu o resultado como um "aviso de despejo ao governo" e anunciou a abertura de "uma nova primavera política". Por sua vez, o líder da Italia Viva, Matteo Renzi, não poupou críticas, recordando que ele próprio renunciou após perder um referendo constitucional em 2016 e questionando se Meloni faria o mesmo gesto.

A líder do PD, Elly Schlein, exultou pela vitória e provocou o governo: "vencemos. O país pede uma alternativa à centro-direita".

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