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Kast retira apoio do Chile à candidatura de Bachelet à ONU

operamundi.uol.com.br By Victor Farinelli 2026-03-24 568 words
Kast retira apoio do Chile à candidatura de Bachelet à ONU

Ex-presidente chilena afirmou que sua postulação a secretária-geral 'segue intacta', sustentada por Brasil e México

O governo do Chile, anunciou nesta terça-feira (24/03) que retirou oficialmente o apoio do país à candidatura da ex-presidente Michelle Bachelet (dois mandatos: 2006-2010 e 2014-2018) ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A postulação da líder chilena foi anunciada oficialmente em fevereiro deste ano como uma indicação conjunta entre Chile, Brasil e México. O anúncio, naquele então, foi feito pelo agora ex-presidente progressista Gabriel Boric, que concluiu seu mandato no mês seguinte e o entregou para o ultraconservador José Antonio Kast.

"Chegamos à conclusão de que o contexto desta eleição, a
dispersão das candidaturas de países latino-americanos e as divergências com alguns dos atores relevantes que definem este processo tornam esta candidatura (de Bachelet) e seu eventual sucesso inviáveis", declarou o Ministério das Relações Exteriores do Chile, em um comunicado à imprensa.

A nota acrescenta que "caso ela decida prosseguir com sua candidatura, o Chile não apoiará nenhum outro candidato", e alega que essa postura significa um sinal de "respeito pessoal e institucional" à ex-mandatária.

Diante das críticas sobre ser essa uma decisão com viés político e ideológico, devido ao fato de Bachelet ser militante socialista, a porta-voz do governo chileno, Mara Sedini, argumentou que "foi uma decisão diplomática, dada a situação com múltiplos candidatos e a falta de condições para se chegar a um acordo. A melhor posição para o Chile e para a candidata era retirar o apoio".

A decisão causou polêmica no Chile. O diplomata chileno Heraldo Muñoz, que foi chanceler durante o governo de Bachelet e representante do país na ONU entre 2003 e 2010, classificou a postura como "uma vergonha".

"Nos círculos internacionais, ninguém entenderá os argumentos baseados em política interna", alegou o ex-ministro de Relações Exteriores, em entrevista à Rádio Cooperativa.

Candidatura 'intacta'

Em resposta à decisão do governo chileno, o gabinete da ex-presidente Michelle Bachelet publicou um comunicado dizendo que "sua candidatura segue intacta"

"O compromisso com a cooperação internacional, a promoção da paz e dos direitos humanos tem sido uma marca registrada que deu prestígio e reconhecimento ao nosso país no cenário global, e esse compromisso deriva de uma convicção inabalável no que diz respeito ao bem-estar global e à dignidade de todas as pessoas, princípios que norteiam meu trabalho para além de qualquer circunstância política", afirmou a ex-mandatária chilena.

Bachelet também recordou que a continuidade da sua candidatura conta com o respaldo dos governos do Brasil e do México.

"Continuarei trabalhando com Brasil e México, em uma candidatura que faz parte de uma visão compartilhada sobre a necessidade de fortalecer o sistema internacional e de contribuir, a partir da América Latina, para uma ONU à altura dos desafios do nosso tempo", concluiu.

Dados sobre a disputa na ONU

Atualmente, há cinco candidaturas na disputa pela Secretaria-Geral da ONU: além de Bachelet, também concorrem o argentino Rafael Grossi, indicado pela Argentina; a também argentina Virginia Gama, indicada pelas Maldivas; a costarriquenha Rebeca Grynspan, indicada pela Costa Rica; e o senegalês, Macky Sall, indicado pelo Burundi.

Entre os candidatos, Bachelet é a que tem maior experiência dentro da ONU, pois já ocupou os cargos de Alta Comissária para os Direitos Humanos e de diretora-geral da agência ONU Mulheres – sendo a primeira em exercer esse posto.

Com informações de Rádio Cooperativa.

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