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‘Irã está em posição dominante na guerra e vai vencer’, afirma historiador

operamundi.uol.com.br By Tatiana Carlotti 2026-03-24 592 words
'Irã está em posição dominante na guerra e vai vencer', afirma historiador

Alfred MacCoy explica ao Democracy Now por que Teerã está com 'chicote nas mãos' e como conflito expõe declínio da hegemonia norte-americana

O chicote está nas mãos do Irã e eles vão vencer, é o que afirma o historiador Alfred MacCoy, da Universidade de Wisconsin-Madison, em entrevista concedida ao Democracy Now, nesta segunda-feira (23/03). Ao avaliar os impactos globais da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, ele afirma que o país persa está em "posição dominante" e fazendo Washington "refém".

Segundo o historiador, se o Irã conseguir manter o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, ele "poderá manter Washington refém". MacCoy compara a guerra atual com a crise do Canal de Suez, em 1956, quando o Egito conseguiu reverter uma derrota militar ao bloquear uma rota marítima vital, precipitando o declínio do poder imperial britânico.

"Não há outro lugar no planeta tão absolutamente central e crítico para o funcionamento de toda a economia global", explicou o historiador, ao salientar além do petróleo e gás, cerca de metade dos ingredientes para fertilizante transitam pelo Estreito de Ormuz, agora fechado.

Isso ocorre, lembra o historiador, quando todo o hemisfério Norte está plantando suas culturas e precisando de fertilizantes, cujos preços quase dobraram nos Estados Unidos. "O governo Trump, em sua genialidade, encontrou exatamente o mês certo para atacar o Irã e efetivamente fechar o Estreito de Ormuz, desestabilizando a agricultura global. É inacreditável", ironizou.

Para MacCoy, assim como Egito em 1956, na crise contra os britânicos, "o Irã tem a mão do chicote" agora. "Eles estão no controle da situação, aparentemente impotentes, aparentemente vulneráveis aos nossos ataques na superfície, mas estrategicamente e geoestrategicamente, são eles que detêm as cartas vencedoras", afirmou.

Deficiências norte-americanas

Segundo o historiador a guerra vem demonstrando a fragilidade e o declínio do império estadunidenses. Ele mencionou a questão dos estoques limitados dos mísseis interceptadores. "Tínhamos algo como 4.000 mísseis interceptadores. O Irã tinha algo como 80.000 drones Shahed. É preciso um míssil interceptador para derrubar um drone. Então, se a guerra se arrastar, vamos esgotar nossas reservas", afirmou.

MacCoy também mencionou o impacto moral do conflito. "Nossa aura de poder foi diminuída. Evaporou. Mostramos nossos limites e que os Estados Unidos, a maior potência mundial, enfrentando um país enfraquecido e de porte médio como o Irã, não podem prevalecer", acrescentou.

Ele lembrou que o Irã estava aberto às negociações antes dos ataques mas, agora, os "Estados Unidos é que estão negociando, basicamente nos termos do Irã". Em sua avaliação, "isso é um sinal para o mundo de que a era da hegemonia dos EUA está se esvaindo".

Segundo MacCoy, o Irã está, neste momento, "em uma posição melhor". Prova disso é que embora a maioria das instalações acessíveis no país tenham sido atacadas, do lado sul do Golfo Pérsico, "há enormes usinas de dessalinização, usinas gigantes de gás natural liquefeito e campos de petróleo".

O historiador afirma que toda essa infraestrutura está "sem reforço e completamente exposta a ataques de drones de 20 mil dólares, que resultam em erupções de fogo e chamas e causam danos a longo prazo à infraestrutura". Enquanto os Estados Unidos esgotam suas ameaças, o Irã tem ameaças ilimitadas disponíveis.

"Em uma análise estratégica, o Irã está atualmente na posição dominante", acrescentou. Em sua avaliação, o que Teerã precisa fazer neste momento "é absorver a surra e esperar que desapareçamos". E "eles vão vencer", acrescentou o historiador, em entrevista ao Democracy Now.

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