Quem presidiu a Comissão da Mulher desde a sua criação - Nexo Jornal
Na avaliação de Hellen Frida, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), esse "jogo de composições" foi uma estratégia importante para garantir tanto o avanço de pautas como a manutenção de direitos já conquistados pelas mulheres.
"Tem uma diversidade de quem são essas mulheres sendo construída. Você vê que mesmo dentro do campo de direitos, [como] dentro do campo conservador, elas são diferentes", afirma Frida. Ela ainda ressalta que mesmo presidentas que eram desfavoráveis a pautas mais progressistas, foram fundamentais para "a gente não perder o que já tem de garantido, [como por exemplo] o aborto legal e seguro". Entre as representantes mais ao centro, a pesquisadora destaca as atuações de Elcione Barbalho (MDB-PA) e Gorete Pereira (MDB-CE).
Segundo a pesquisadora, as lideranças da comissão acabam representando as várias realidades de ser mulher que o Brasil abarca. "A gente só quer representar uma forma de ser mulher no mundo? Uma forma de [ser] mulher brasileira? Ou a gente quer retratar todas as mulheres possíveis?", indaga.
Dentre desse pensamento, Frida avalia que as recentes críticas feitas à atual presidente da comissão, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foram "injustas". "A luta dela [de Erika Hilton] é de inclusão da diversidade. Se você olhar para os projetos de lei dela, eles são extremamente inclusivos, que dialogam com as lutas da classe trabalhadora, com a luta das mulheres periféricas, das mulheres negras, das mulheres do campo, das mulheres urbanas, das mulheres em diversas situações de vulnerabilidade, que dialoga com os trabalhadores que estão em trabalhos invisíveis", reflete.
A deputada assumiu a presidência da Comissão na semana passada, posto que foi em 2015 da colega de partido e mulher indígena, Célia Xakriabá (PSOL-MG). Por ser uma mulher trans, Hilton tem enfrentado resistência de parlamentares na Casa, além de ser alvo constante de discurso de ódio de pessoas que questionam sua legitimidade como mulher para estar à frente da comissão. O apresentador do SBT Ratinho e a deputada estadual Fabiana Bolsonaro proferiram falas transfóbicas e estão sendo processados por ela.
Os ataques se intensificaram contra Erika Hilton por 2026 ser um ano eleitoral, na avaliação de Frida. "Essa é a estratégia, jogar para gente essa diferença, para que a gente se divida, não se articule. Para que não estejamos unidas no processo eleitoral", alerta. Ela ainda ressalta que a participação de Hilton em temas importantes como o fim da escala 6 por 1, atrai a violência de gênero voltada para mulheres que atuam na política e que essa deve ser uma tônica das eleições este ano.
"Esse ano vai ter [um] maior nível de violência política de gênero. E essa violência que acontece agora na ocupação da presidência da Câmara, da Comissão da Mulher, já é um retrato disso. Então, esse discurso que está voltado contra a Érika é o discurso que vai estar voltado contra todas nós", conclui.
Veja o perfil das deputadas federais que presidiram a Comissão da Mulher na Câmara Federal e em qual governo atuaram:
GOVERNO DILMA
Gorete Pereira (MDB – CE) – 2016
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher foi criada em março de 2016, ainda no governo de Dilma Rousseff. Antes mesmo de assumir a presidência do comitê, a deputada Gorete Pereira, na época filiada ao Partido Republicano, declarou ao portal UOL que sua posição em relação ao aborto era "contra de carteirinha". A afirmação vem da base cristã da deputada, que é fiel da Igreja Católica. Meses antes de assumir a comissão, a deputada também votou a favor da criminalização do aborto no Projeto de Lei (PL) 5069/2013, de autoria do ex-deputado e presidente da Câmara à época, Eduardo Cunha.
Quando esteve à frente da comissão, a congressista foi autora do PL 5475/2016, que obriga municípios com mais de 60 mil habitantes a criarem delegacias especializadas no atendimento às mulheres vítimas de violência. O projeto tramitou até 2019, mas foi arquivado no final de janeiro daquele ano pelo presidente Rodrigo Maia (PSD).
Como fisioterapeuta, Pereira priorizou a saúde pública da mulher. Ela se destacou na defesa da Lei dos 60 dias, que estipula prazo máximo para que os hospitais iniciem o tratamento de pacientes oncológicos, e do PL 273/2011, que trata da reconstrução mamária no SUS.
Gorete Pereira reassumiu o posto de deputada nas eleições de 2022, mas, desta vez, pelo MDB. Na última terça-feira, 17 de março, ela foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga desvios de aposentadorias e pensões do INSS. Desde então, é mantida em regime semiaberto, com o uso de tornozeleira eletrônica.
GOVERNO TEMER
Shéridan Ramos (PSDB – RR) – 2017
O bastão da comissão foi passado para a deputada Shéridan Estérfany Oliveira Ramos em 2017, quando a Câmara dos Deputados era majoritariamente composta por homens, sendo apenas 54 mulheres entre os 513 deputados. A parlamentar foi articuladora da proposta de reforma política, que visava à redução do número de partidos nas eleições seguintes e de suas coligações.
À frente da comissão, sua atuação foi modesta, tendo como um de seus principais projetos a tipificação do crime de stalking, como forma de defender mulheres vítimas de perseguição nos meios virtuais, além de defender o aumento da representatividade feminina no Parlamento.
Filiada ao PSDB, sua gestão foi marcada por posicionamentos conservadores sobre temas como o aborto. Ao portal Uol, ela disse ser "a favor da vida" e criticou mulheres que optam pelo aborto ao afirmar que "hoje temos inúmeras formas de se precaver".
As críticas de Ramos se estenderam ao movimento feminista. Ela chegou a declarar que "algumas bandeiras feministas confundem e confrontam essa questão de maneira equivocada". Durante uma votação, quando Ramos estava prestes a anunciar seu voto, alguém gritou do fundo do plenário Ulysses Guimarães: "gostosa". O episódio foi classificado por ela como "indecoroso e desrespeitoso", que solicitou a abertura de investigação ao presidente da Casa, mas o autor do comentário não foi identificado.
Ana Perugini (PT – SP) – 2018
A comissão, que antes foi marcada por presidentas conservadoras, recebeu a deputada Ana Perugini, com trajetória enraizada no movimento popular e na defesa dos direitos humanos. Advogada de formação, com base política consolidada em Hortolândia (SP), construiu sua carreira a partir de pautas sociais e da articulação com setores mais vulneráveis da sociedade. Na Câmara dos Deputados, sua atuação era pautada na agenda feminina, na defesa dos direitos das mulheres e também na humanização de políticas públicas.
Antes de assumir a comissão, Perugini se manifestou contrária às restrições ao direito ao aborto legal, o que a diferenciava de suas antecessoras na presidência da comissão. Sua gestão se destacou por articular gênero, trabalho e desigualdade social, conferindo à comissão um papel mais ativo no enfrentamento de disputas políticas no Congresso.
Durante o seu mandato, o Congresso Nacional aprovou, em abril, a lei 13.642/18, conhecida como Lei Lola Aronovich, blogueira feminista que inspirou o texto da legislação que busca combater a misoginia na internet.
Na gestão de Perugini também foram aprovados pela comissão os projetos de lei 1145/11, que estendia a licença-maternidade a mulheres que trabalham em plataformas fixas e 8430/17, da deputada Gorete Pereira (PR-CE), que prevê isonomia no valor das premiações pagas a homens e mulheres em competições organizadas com recursos públicos. E ainda o substitutivo ao PLC 367/17, do Senado, que visa impedir a candidatura dos condenados por crime sexual contra criança e adolescente ou por violência contra a mulher a cargos eletivos: presidente, governador, prefeito e vices; senador; deputado federal, estadual ou distrital; e vereadores.
GOVERNO BOLSONARO
Luisa Canziani (PSD-PR) – 2019 e 2020
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Relies heavily on a single named expert source (Hellen Frida) for analysis, supplemented with biographical and legislative data on the commission presidents.
Specific Findings from the Article (3)
"Na avaliação de Hellen Frida, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea)"
Primary named expert source with organizational affiliation provided.
Named source""Tem uma diversidade de quem são essas mulheres sendo construída. "
Direct quote from the named expert source, Hellen Frida.
Expert source"declarou ao portal UOL que sua posição em relação ao aborto era "contra de carteirinha"."
Cites another media outlet (UOL) for a past statement by a subject.
Tertiary sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
The article explicitly acknowledges and profiles presidents from across the political spectrum (conservative, centrist, progressive) and presents their differing stances.
Specific Findings from the Article (3)
"seja sob governos de esquerda, centro ou direita."
Explicitly frames the commission's work across different political contexts.
Balance indicator"mesmo presidentas que eram desfavoráveis a pautas mais progressistas, foram fundamentais"
Acknowledges value in presidents with opposing views.
Balance indicator"sua posição em relação ao aborto era "contra de carteirinha"."
Presents a conservative perspective on abortion.
Balance indicatorContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides comprehensive historical context, timelines, specific legislative details, and expert analysis on the commission's evolution.
Specific Findings from the Article (3)
"Desde que foi instituída em 2016, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara Federal"
Provides foundational historical context for the subject.
Background"Nestes 11 anos, foram dez presidentas"
Provides key numerical data about the commission's leadership.
Statistic"O projeto tramitou até 2019, mas foi arquivado no final de janeiro daquele ano pelo presidente Rodrigo Maia (PSD)."
Provides detailed legislative history and outcome for a specific bill.
Context indicatorLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Language is largely factual and descriptive, with one or two instances of potentially loaded terms in quoted criticism.
Specific Findings from the Article (3)
"Abaixo a Agência Pública apresenta um perfil dessas parlamentares."
Neutral, factual reporting language.
Neutral language"Advogada de formação, com base política consolidada em Hortolândia (SP)"
Neutral, descriptive biographical language.
Neutral language"alvo constante de discurso de ódio"
Emotionally charged term ('hate speech') used in reporting.
SensationalistTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Full author attribution, clear date, all quotes are properly attributed to their sources, and the article's methodology (profiling) is clear.
Specific Findings from the Article (1)
"Segundo a pesquisadora, as lideranças da comissão acabam representando"
Quote is clearly attributed to its source ('a pesquisadora' referring to Hellen Frida).
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
The article presents a logically consistent narrative tracing the commission's history, profiling its leaders, and integrating expert analysis without contradictions.
Core Claims & Their Sources
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"The Commission for the Defense of Women's Rights has served as a space to both block projects that would remove rights and advance important proposals under governments of various political orientations."
Source: Presented as the article's opening thesis, supported by subsequent historical profiles and expert analysis from Hellen Frida. Named secondary
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"The diversity of presidents from different political parties has been an important strategy for advancing agendas and maintaining rights."
Source: Attributed to expert analysis from Hellen Frida of Cfemea. Named secondary
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"Recent criticism of the current president, Erika Hilton, has been unjust, and attacks have intensified due to the electoral year."
Source: Attributed to expert analysis from Hellen Frida of Cfemea. Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (10)
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P1
"The commission was instituted in 2016."
Factual -
P2
"There have been ten presidents over 11 years."
Factual -
P3
"Parties MDB, PSDB, PT, and PSOL have had two representatives each as president."
Factual -
P4
"Gorete Pereira (MDB-CE) was president in 2016."
Factual -
P5
"Shéridan Ramos (PSDB-RR) was president in 2017."
Factual -
P6
"Ana Perugini (PT-SP) was president in 2018."
Factual -
P7
"Luisa Canziani (PSD-PR) was president in 2019 and 2020."
Factual -
P8
"The 'game of compositions' (diverse leadership) causes strategy to guarantee advancement of agendas and maintenance of rights."
Causal -
P9
"Erika Hilton's participation in important themes like ending the '6 por 1' scale causes attracts gender-based violence."
Causal -
P10
"2026 being an electoral year causes intensified attacks against Erika Hilton (to cause division)."
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: The commission was instituted in 2016. P2 [factual]: There have been ten presidents over 11 years. P3 [factual]: Parties MDB, PSDB, PT, and PSOL have had two representatives each as president. P4 [factual]: Gorete Pereira (MDB-CE) was president in 2016. P5 [factual]: Shéridan Ramos (PSDB-RR) was president in 2017. P6 [factual]: Ana Perugini (PT-SP) was president in 2018. P7 [factual]: Luisa Canziani (PSD-PR) was president in 2019 and 2020. P8 [causal]: The 'game of compositions' (diverse leadership) causes strategy to guarantee advancement of agendas and maintenance of rights. P9 [causal]: Erika Hilton's participation in important themes like ending the '6 por 1' scale causes attracts gender-based violence. P10 [causal]: 2026 being an electoral year causes intensified attacks against Erika Hilton (to cause division). === Causal Graph === the game of compositions diverse leadership -> strategy to guarantee advancement of agendas and maintenance of rights erika hiltons participation in important themes like ending the 6 por 1 scale -> attracts genderbased violence 2026 being an electoral year -> intensified attacks against erika hilton to cause division
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.