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'Tentativa de institucionalizar a transfobia', diz vereadora trans sobre veto em comissão da mulher

hojeemdia.com.br By Do HOJE EM DIA 2026-03-24 471 words
'Tentativa de institucionalizar a transfobia', diz vereadora trans sobre veto em comissão da mulher

Representante do Psol rebate proposta que restringe presidência do colegiado a parlamentar com sexo biológico feminino

Única vereadora trans da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Juhlia Santos (Psol) criticou o projeto de resolução que prevê apenas parlamentares cujo sexo biológico feminino conste no registro civil de nascimento à frente da Comissão das Mulheres. A proposta é de autoria de Flávia Borja (DC), da bancada cristã.

"Repudiamos com veemência o projeto de lei". Segundo ela, a proposta configura "tentativa explícita de institucionalizar a transfobia no Legislativo municipal", afirmou Juhlia Santos. Conforme a palarmentar, a comissão foi criada em 2019 para fortalecer políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero e promover a igualdade de direitos para todas as mulheres.

"Excluir mulheres trans desse espaço não apenas deturpa o propósito da comissão, como também afronta princípios constitucionais de igualdade e dignidade. A democracia não pode admitir retrocessos que tentem definir, por lei, quem tem direito de existir, participar e ocupar espaços de decisão. A luta por direitos das mulheres sempre foi uma luta por inclusão, justiça e dignidade e não será usada para promover exclusão", acrescenta a vereadora do Psol.

Efeito Erika Hilton

A mudança no regime interno surge dias após a eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, em um processo marcado por forte debate e repercussão nacional. Primeira mulher trans a assumir o comando do colegiado, Hilton foi eleita por margem apertada e passou a ser alvo de críticas e manifestações públicas contrárias, o que intensificou a discussão sobre critérios de representação em espaços institucionais voltados às políticas para mulheres.

Entenda

O ponto que mais chama atenção no projeto de resolução em debate na CMBH está na definição da presidência da comissão, com "obrigatória e exclusiva" presidência de uma parlamentar com sexo biológico feminino.

A proposta também permite a participação de vereadores homens na composição do colegiado, desde que respeitada a proporcionalidade partidária e garantido o funcionamento da comissão. Entre as atribuições previstas para o grupo estão a análise e fiscalização de políticas públicas voltadas à saúde da mulher, o combate à violência de gênero, a proteção da maternidade e ações direcionadas a mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Na justificativa, os autores afirmam que a mudança busca fortalecer a atuação institucional da Câmara na área e dar maior atenção a temas relacionados à maternidade e à saúde feminina. O texto também argumenta que algumas dessas políticas públicas estariam diretamente ligadas à "realidade biológica feminina", o que embasa o critério para a presidência da comissão.

A proposta está na fase de coleta de assinaturas. Além de Flávia Borja (DC), outros sete vereadores já deram o aval para o projeto.

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