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Morar no futuro: o que torna eixo da Orla-Paralela o mais inteligente de Salvador? | A TARDE

atarde.com.br By A TARDE; Yuri Abreu 2026-03-25 1082 words
SALVADOR 4.7.7 ANOS

Morar no futuro: o que torna eixo da Orla-Paralela o mais inteligente de Salvador?

Portal A TARDE revela como incentivos fiscais e tecnologia estão criando novo padrão de moradia

Prestes a celebrar seus 477 anos de fundação, Salvador não pode mais apenas ser resumida como o berço da cultura brasileira. Em 2026, a capital baiana consolidou-se como um dos principais expoentes de inovação urbana no país.

Ocupando o posto de cidade mais inteligente do Nordeste, segundo a prefeitura, a capital tem transformado sua paisagem, especialmente no vetor de crescimento que engloba a Avenida Paralela e a Orla (Jaguaribe, Piatã e Patamares), através de construções que unem o conceito de smart city à sustentabilidade.

Se na reportagem anterior vimos que o futuro de Salvador está sendo escrito nos laboratórios de robótica e nas aulas de Inteligência Artificial, hoje a série especial "Salvador 4.7.7 — A Capital do Futuro" volta o olhar para onde esse conhecimento ganha formas concretas: o novo horizonte urbano que cresce entre a Avenida Paralela e a Orla.

Essa metamorfose da capital baiana não acontece por acaso. Ela é impulsionada por um tripé estratégico que une incentivos fiscais inteligentes da Prefeitura, o compromisso de incorporadoras com certificações internacionais de sustentabilidade e uma requalificação urbanística que, finalmente, reconecta o cidadão com os espaços à beira-mar.

O motor público

O protagonismo de Salvador no cenário de cidades inteligentes começa na gestão pública. Por meio das Secretarias Municipal de Fazenda (Sefaz) e de Desenvolvimento Urbano (Sedur), a administração criou mecanismos que transformaram a sustentabilidade em um ativo financeiro para o cidadão e para as empresas.

IPTU Amarelo: a força que vem do sol

Criado em 2018 para incentivar a energia solar fotovoltaica, o IPTU Amarelo oferece descontos progressivos de até 10% no imposto. Atualmente, 210 imóveis já usufruem do benefício, dividido nas categorias Ouro (10%), Prata (7%) e Bronze (5%). Para aderir, o proprietário deve protocolar o pedido na Secretaria Municipal de Sustentabilidade e Resiliência (Secis), comprovando a produção de energia em relação ao consumo.

IPTU Verde: edificações de alta performance

Já o IPTU Verde foca na estrutura sustentável da edificação como um todo. O programa registrou um crescimento expressivo: em 2026, 6.543 imóveis foram beneficiados, um salto de 18,64% em relação ao ano anterior.

"São iniciativas que conduzem o mercado para ações antes não adotadas, como sistemas de reuso de água, telhados verdes, áreas permeáveis e certificações de eficiência energética", Cláudio Cunha, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA).

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Segundo a Sedur, todo esse movimento é amparado pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e pela Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (LOUOS), garantindo que o crescimento da Paralela e da Orla siga parâmetros urbanísticos resilientes.

Sustentabilidade como eixo de negócio

O mercado imobiliário soteropolitano absorveu a demanda por eficiência. Para as grandes incorporadoras, o conceito de smart city vai além da tecnologia; trata-se de reduzir o impacto ambiental e o custo operacional para o morador.

Eficiência e escala

Uma dessas empresas é a MRV&CO. Ela tem apostado na região de Piatã com empreendimentos como o Morada de Piatã (já concluído) e o Portal de Piatã (previsão de entrega para 2027). Victor Von Flach Lima, gestor de pré-lançamentos da MRV Bahia, explica que a sustentabilidade é tratada como um eixo estruturante:

Diferenciais: uso de dispositivos economizadores, iluminação LED, medição individualizada de água e sistemas de retenção de águas pluviais.

Visão: a empresa busca metas globais de ESG, incluindo selos de ouro no GHG Protocol e reuso de água em canteiros de obras.

Benefícios: "Para os moradores, significa redução de custos e mais conforto térmico. Para a cidade, menor pressão sobre os recursos naturais", afirma Victor.

Na orla de Jaguaribe, o Beach Class Jaguaribe, entregue em outubro de 2025, possui a certificação internacional EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies) e o IPTU Verde Categoria Ouro.

"O certificado EDGE exige no mínimo 20% de economia em energia, água e impacto de materiais em relação a uma construção convencional. Isso torna o empreendimento mais competitivo e valorizado", explica Luciana Nobre, coordenadora de produto da Moura Dubeux.

Orla requalificada: o novo urbanismo de Salvador

A expansão imobiliária não acontece no vácuo. Ela é fruto de uma profunda requalificação da orla, entre a Boca do Rio e Piatã, que transformou a região em um polo de convivência.

De acordo com a Ademi-BA, cerca de 24% das vendas de lançamentos em 2024 ocorreram nos bairros de Jaguaribe e Piatã. Esse fenômeno é explicado pela melhoria da mobilidade (metrô e futuro VLT na Paralela) e pela valorização da infraestrutura de serviços.

Reconexão com a população

Outro atrativo nos espaços à beira-mar da Orla está na requalificação entregue recentemente pela Prefeitura de Salvador e que mudou o cenário local, antes considerado esquecido.

Eduardo Sampaio, diretor da Orla Brasil, empresa que administra os quiosques da região, vê essa mudança como um movimento estratégico. A gestão dos espaços públicos agora foca na experiência do usuário e na sustentabilidade operacional dos quiosques:

Gestão de Resíduos: Incentivo à economia circular e operações sustentáveis à beira-mar.

Ordenação: Padronização e segurança que atraem tanto moradores quanto turistas.

Perspectiva: "Vemos este trecho com um potencial imenso para se consolidar como uma das áreas mais dinâmicas e desejadas de Salvador nos próximos anos", projeta Eduardo.

Cidade pronta para o amanhã

Ao integrar incentivos fiscais, tecnologia construtiva e espaços públicos de qualidade, Salvador redefine o que significa ser uma "cidade inteligente". A Orla e a Avenida Paralela deixaram de ser apenas vetores de expansão para se tornarem vitrines de um urbanismo consciente, onde o respeito ao meio ambiente se traduz em economia no bolso do cidadão e valorização do patrimônio da cidade.

No entanto, pouco adianta erguer edifícios modernos e revitalizar a orla se o cidadão ainda perde horas no trânsito para chegar até esses espaços. Para que esse novo cenário urbano se concretize, é essencial que a cidade conte com uma rede de transporte tão eficiente e inteligente quanto suas próprias construções.

Nesta quinta-feira, 26, a série de reportagens aprofunda o debate sobre a Revolução do Trilho e do Asfalto. A proposta é mostrar como a integração entre VLT, BRT e metrô busca enfrentar o antigo gargalo da mobilidade em Salvador, encurtando distâncias e aproximando o futuro da população: do Subúrbio à Orla.

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