Tribunais gastaram R$ 10,7 bilhões em salários acima do teto em 2025
Um estudo realizado pela Transparência Brasil e República.org aponta que tribunais estaduais e do Distrito Federal pagaram ao menos R$ 10,7 bilhões acima do teto constitucional de R$ 46,3 mil a magistrados em 2025. O estudo revela que, na prática, o limite legal virou exceção, com a maioria dos juízes e desembargadores recebendo valores significativamente superiores ao permitido.
Entre cerca de 15 mil magistrados com dados completos apurados com base em documentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 98% receberam acima do teto no ano passado, enquanto apenas 1,7% mantiveram rendimentos dentro do limite constitucional (veja estudo na íntegra). Mais da metade acumulou ganhos extras superiores a R$ 500 mil, e 3.819 deles — o equivalente a um em cada quatro — ultrapassaram R$ 1 milhão em valores fora do teto.
"Os dados mostram que o teto constitucional, hoje, não funciona na prática. Quando quase todos os magistrados recebem acima do limite e uma parcela relevante ultrapassa R$ 1 milhão por ano em valores extrateto, estamos diante de uma distorção estrutural que precisa ser enfrentada", afirma Isadora Modesto, diretora-executiva da República.org.
O estudo, divulgado nesta terça-feira (24), adotou uma "metodologia conservadora" e não incluiu benefícios como férias e 13º salário no cálculo dos valores acima do teto, o que indica que o montante real pode ser ainda maior. Mesmo com descontos aplicados nos contracheques para limitar os rendimentos, os pagamentos extras continuaram expressivos em todos os 27 tribunais analisados.
O destaque negativo ficou com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que concentrou o maior volume de pagamentos acima do teto e também o maior número de magistrados com ganhos superiores a R$ 1 milhão. No total, 3.039 dos 3.452 membros da corte paulista ultrapassaram essa marca – média de R$ 140,1 mil ao mês.
No total, o TJSP gastou R$ 3,9 bilhões em pagamentos extrateto, seguido por Minas Gerais (R$ 1,2 bilhão), Paraná (R$ 839,8 milhões em 11 meses) e Rio Grande do Sul (R$ 591,9 milhões).
O montante apurado, no entanto, é subnotificado por falta de dados completos do Paraná, Roraima e Amazonas. "Conforme exposto na metodologia, os três órgãos foram excluídos de todas as análises seguintes,em razão de seus dados não serem comparáveis com os dos demais tribunais", pontuou o estudo.
VEJA TAMBÉM:
A diretora-executiva da Transparência Brasil, Juliana Sakai, afirmou que, sem a retomada da autoridade do teto constitucional, esse limite será "meramente decorativo".
"A retomada da autoridade do teto constitucional só ocorrerá com a aprovação de uma legislação que defina de forma clara, específica e restritiva quais benefícios podem ser considerados indenizatórios. Sem isso, o teto continuará sendo meramente decorativo", disse.
O crescimento desses pagamentos também chama atenção, já que o volume mais que dobrou em relação a 2023, quando havia sido registrado R$ 4,5 bilhões em valores acima do teto. Os supersalários foram impulsionados principalmente por pagamentos retroativos, que somaram R$ 4 bilhões, e por benefícios ligados ao acúmulo de funções, que alcançaram R$ 2,6 bilhões
Diante desse cenário, as organizações defendem a manutenção de decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que podem limitar os chamados "penduricalhos" salariais. O tema está em julgamento com relatorias dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que emitiram liminares suspendendo pagamentos sem base legal e impondo revisão nacional dessas verbas.
As medidas de Dino determinaram a suspensão de auxílios e gratificações acima do teto e deram prazo para que todos os Poderes revisem pagamentos considerados irregulares, enquanto Mendes condicionou qualquer benefício extra à existência de lei nacional aprovada pelo Congresso.
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Specific Findings from the Article (4)
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Secondary source"documentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)"
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"Os dados mostram que o teto constitucional, hoje, não funciona na prática."
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"O estudo, divulgado nesta terça-feira (24), adotou uma "metodologia conservadora""
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Core Claims & Their Sources
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"Tribunais estaduais e do Distrito Federal pagaram R$ 10,7 bilhões acima do teto constitucional a magistrados em 2025."
Source: Study by Transparência Brasil and República.org based on CNJ documents Named secondary
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"98% dos magistrados receberam acima do teto, com mais da metade acumulando ganhos extras superiores a R$ 500 mil."
Source: Study by Transparência Brasil and República.org Named secondary
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"O teto constitucional não funciona na prática e precisa ser enfrentado."
Source: Statement by Isadora Modesto of República.org Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (6)
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P1
"Tribunais pagaram R$ 10,7 bilhões acima do teto em 2025."
Factual -
P2
"98% dos magistrados receberam acima do teto."
Factual -
P3
"TJSP gastou R$ 3,9 bilhões em pagamentos extrateto."
Factual -
P4
"Volume mais que dobrou em relação a 2023 (R$ 4,5 bilhões)."
Factual -
P5
"Pagamentos retroativos (R$ 4 bilhões) e benefícios por causes acúmulo de funções (R$ 2,6 bilhões) impulsionaram supersalários."
Causal -
P6
"Sem legislação clara sobre benefícios indenizatórios, causes o teto continuará sendo meramente decorativo."
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Tribunais pagaram R$ 10,7 bilhões acima do teto em 2025. P2 [factual]: 98% dos magistrados receberam acima do teto. P3 [factual]: TJSP gastou R$ 3,9 bilhões em pagamentos extrateto. P4 [factual]: Volume mais que dobrou em relação a 2023 (R$ 4,5 bilhões). P5 [causal]: Pagamentos retroativos (R$ 4 bilhões) e benefícios por causes acúmulo de funções (R$ 2,6 bilhões) impulsionaram supersalários. P6 [causal]: Sem legislação clara sobre benefícios indenizatórios, causes o teto continuará sendo meramente decorativo. === Causal Graph === pagamentos retroativos r 4 bilhões e benefícios por -> acúmulo de funções r 26 bilhões impulsionaram supersalários sem legislação clara sobre benefícios indenizatórios -> o teto continuará sendo meramente decorativo
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.