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“Ainda prefiro o convencimento político” diz Edinho Silva

correiodopovo.com.br By Correio do Povo; Flavia Bemfica 2026-03-28 938 words
Às vésperas de o impasse vivido pelo PT no RS em relação às eleições para o governo do Estado ter um desfecho, o Correio do Povo ouviu o presidente nacional do partido, Edinho Silva, sobre a possibilidade de intervenção no diretório gaúcho e as chances de o presidente Lula intervir diretamente no processo.

O PT vive hoje uma crise no Estado.

- Diretório do PT gaúcho pode sofrer intervenção inédita do comando nacional

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- Próximos dias definem destino de Edegar Pretto e do PT gaúcho

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- Comando do PT gaúcho reafirma pré-candidatura de Edegar Pretto

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O comando do PT em Brasília, contudo, negocia também desde o ano passado uma aliança com o PDT, que entende como prioritária para a derrota do campo da direita, e avalia que ela se sobrepõe às decisões regionais. Os trabalhistas não participaram da formação da aliança hoje encabeçada pelo PT gaúcho. Mas reivindicam que os petistas abram mão da pré-candidatura ao Piratini e que a coalizão em torno de Pretto se transfira automaticamente para Juliana, com a manutenção dos nomes ao Senado. O PDT estabeleceu inclusive um prazo para que o diretório gaúcho atenda a exigência: 30 de março.

Após meses de tratativas, nem o comando nacional do PT e nem o diretório estadual dão mostras de ceder. Na semana que passou, em uma reunião em Brasília entre Edinho, Pretto, o presidente do PT do RS, Valdeci Oliveira, e o secretário-geral do PT nacional, o também gaúcho Henrique Fontana, os dois lados mantiveram suas posições. No dia seguinte, a executiva da sigla no RS se reuniu e emitiu nota pública reafirmando a pré-candidatura de Pretto. Ele segue com as agendas de pré-campanha pelo Estado.

Uma intervenção aberta no diretório gaúcho, que seria inédita, é considerada nos bastidores, no RS e em Brasília, como uma ação difícil. Em função do potencial para jogar por terra o discurso democrático que marca a história do PT, e fornecer um 'prato cheio' a adversários no Estado e fora dele.

A alternativa da intervenção branca, com Pretto sendo obrigado a anunciar uma desistência 'espontânea', estava no radar de parte dos petistas que lançam o chamado fogo amigo sobre o companheiro. Mas, após a sucessão de movimentos das últimas semanas, com o diretório gaúcho cerrando fileiras pela manutenção do seu nome na disputa, ela também passou a ser encarada como um problema, porque, a esta altura, a desistência espontânea não convenceria a mais ninguém.

Como, depois de tantos embates, e de deixarem claro que não têm afinidade atualmente no RS, petistas e pedetistas gaúchos podem integrar a mesma chapa em nome de um acordo nacional, é um ponto que segue em aberto.

O Correio do Povo encaminhou seis questões a Edinho Silva, por intermédio da assessoria de imprensa do dirigente, via whatswapp. As respostas também foram pelo aplicativo. De acordo com a assessoria, em função da agenda lotada de compromissos e da sucessão de reuniões que fazem parte da articulação política em todo o país neste período, o dirigente conseguiu responder a três das perguntas neste momento. Confira.

Correio do Povo: O PT nacional pode fazer uma intervenção no diretório do RS para que o partido abra mão da candidatura própria e apoie a pré-candidatura de Juliana Brizola, do PDT? Em caso afirmativo, como seria feito isto?

Edinho Silva: Eu ainda prefiro o convencimento político.
O PT do Rio Grande do Sul tem tradição de projeto coletivo, ainda acredito que a campanha, que a tática eleitoral do presidente Lula irá prevalecer. Não dá para errarmos nessa dimensão, a história irá cobrar. E o preço pode ser politicamente caríssimo.

CP: Existe a possibilidade de o presidente Lula solicitar diretamente a Edegar Pretto que retire a pré-candidatura?

ES: O presidente Lula tem muito carinho e reconhecimento pelo Edegar. Neste momento, o que se espera é que ele utilize a sua liderança para unificar o campo democrático brasileiro no Rio Grande. Temos que derrotar o fascismo materializado no projeto da família Bolsonaro, não há nada mais importante que isso. Sem o PDT não há como falar de unidade do campo democrático no Brasil. Isso é tão nítido como o sol que brilha, não consigo entender onde está a dificuldade de compreender politicamente 'o que está em jogo'.

CP: O senhor se reunirá com o presidente Lula neste final de semana para tratar da situação no RS? Em caso afirmativo, quando ocorrerá a reunião?

ES: Eu tenho dialogado constantemente com o presidente Lula sobre os estados. O Rio Grande do Sul é prioridade pela sua importância para o Brasil. Temos uma avaliação política de que não há como derrotar o fascismo no Brasil sem a construção de um campo democrático forte, nesse sentido, a tática para essa vitória é a reeleição do presidente Lula. Não podemos ter essa leitura e decidir em contradição a isso. Não faz sentido. Construir uma aliança nacional com o PDT passa por dar consequência a essa leitura política, fazer avançar uma aliança democrática para a derrota das forças fascistas. Não há nada mais importante que a vitória do presidente Lula, ela tem significado para o futuro do Brasil, para a mudança da correlação de forças da América Latina, e sinaliza para o mundo que é possível fortalecer a democracia. Significa um Brasil de legado para as futuras gerações. Tudo isso passa por 2026. As escolhas do PT do Rio Grande do Sul não podem ser maiores que os desafios que a história nos impõe.

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