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Aena vence leilão do aeroporto do Galeão com oferta de R$ 2,9 bilhões

www1.folha.uol.com.br By Thiago Bethônico 2026-03-30 1010 words
A espanhola Aena venceu o acirrado leilão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Com uma proposta de R$ 2,9 bilhões, o grupo superou as ofertas das outras duas concorrentes e vai ficar responsável pela administração e operação do terminal até 2039.

O certame foi realizado nesta segunda-feira (30) na sede da B3, em São Paulo, e marcado pela forte concorrência. O critério da disputa era o maior valor de outorga, com lance mínimo de R$ 932 milhões. Além da Aena, apresentaram proposta a suíça Zurich Airport e o consórcio formado pela Changi, de Singapura, e pela Vinci Compass —que têm participação na concessão atual.

No Brasil, a Aena é hoje a concessionária responsável por Congonhas, em São Paulo, e outros 16 terminais, como Campo Grande, Maceió e Aracaju. Com o novo ativo no portfólio, a espanhola se consolida como a maior operadora do país, tanto em número de aeroportos quanto em relevância.

Nas propostas enviadas por escrito, Zurich e Aena ofertaram o mesmo valor: R$ 1,5 bilhão (ágio de 60,8%). A RIOgaleão fez oferta inicial de R$ 934 milhões (ágio de 0,13%)

O leilão foi decidido na etapa viva-voz, quando as proponentes vão aumentando seus lances até que haja um vencedor. Após 13 rodadas, a Aena foi declarada a vencedora, com proposta final de R$ 2,9 bilhões (ágio de 210,88%)

As duas primeiras disputas no viva-voz ocorreram só entre Aena e RIOgaleão. A Zurich, que não havia feito nenhuma oferta, deu seu primeiro lance faltando 30 segundos para o fim da terceira rodada, em que a Aena seria declarada a vencedora.

Da quarta rodada em diante, a RIOgaleão não fez mais propostas. E o ativo foi disputado só entre a suíça e a espanhola.

O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho —que deixa o ministério nesta terça (31) para concorrer a deputado federal—, comemorou o ágio de 210% e disse que o novo contrato vai consolidar ainda mais a aviação internacional do Brasil.

"Isso fortalece a aviação brasileira, é um sinal muito positivo para o mercado internacional, que cada vez mais observa o Brasil como a grande janela de oportunidades para fazer investimentos."

Segundo ele, a Aena vai ser um grande agente comercial do Brasil, buscando novas companhias aéreas para operar no Galeão.

"Agora vamos ter um conjunto de investimentos que a Aena vai fazer nos próximos anos, melhorando ainda mais a infraestrutura, como está acontecendo no aeroporto de Congonhas," disse.

Santiago Yus, diretor presidente Aena Brasil, disse que a concessionária deve assumir o aeroporto nos próximos meses após um período de transição com o operador atual.

Questionado sobre o interesse que a empresa viu no ativo para oferecer um ágio tão alto, o executivo destacou que o Rio de Janeiro é a porta de entrada do Brasil.

"É um ativo que tem capacidade, que tem um grande potencial de desenvolvimento. Temos enxergado os números que o Rio de Janeiro como um todo, e especificamente o aeroporto do Galeão, vem entregando ano após ano."

Outro fator de atratividade, segundo ele, foi a sinergia da ponte-aérea, com a possibilidade de assumir um grande ativo em São Paulo e outro no Rio. "Não só sinergias do ponto de vista do tráfego, mas também para trazer melhores operações comerciais, melhor experiência para o passageiro e também do ponto de vista das despesas", disse.

Yus afirmou que a conexão de malhas dentro do portfólio da Aena permite trazer condições especiais para os clientes, mas não detalhou quais mudanças o passageiro pode sentir na prática.

Com Galeão e Congonhas, a Aena passa a operar o segundo e o terceiro aeroportos mais movimentados do Brasil.

"A Aena já administra 17 aeroportos no país, espalhados por 9 estados e 4 regiões, incluindo Congonhas, o segundo maior em volume de passageiros. Agora com o Galeão o potencial de exploração tanto de rotas regionais quanto internacionais são bastante significativas", diz Paulo Dantas, advogado especialista em infraestrutura e financiamento de projetos do escritório Castro Barros Advogados.

O novo contrato marcará a saída da Infraero do negócio, o que foi um dos pontos considerados mais atrativos para o mercado. Hoje, a estatal detém 49% da concessão do Galeão, enquanto os outros 51% estão com a Changi e a Vinci, que comprou parte da fatia da empresa asiática em agosto de 2025. Na nova concessão, 100% da operação ficará nas mãos do parceiro privado.

Outra mudança é em relação à outorga. Em vez de pagamentos fixos, o novo operador vai repassar à União 20% do faturamento anual da concessão até 2039. Também ficou dispensada a necessidade de construir uma terceira pista no aeroporto, como estava previsto no último contrato.

Principal concessão aeroportuária do atual mandato de Lula (PT), o leilão foi resultado de uma solução homologada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para reequilibrar economicamente a concessão, incorporar cláusulas mais recentes e viabilizar a retomada dos investimentos.

O Galeão era um dos maiores ativos na lista dos chamados "contratos estressados", nome dado às concessões que passaram a acumular problemas financeiros e pedidos de relicitação nos últimos anos.

Para evitar a devolução do ativo, a saída encontrada foi otimizar o contrato e fazer um leilão simplificado. Nesse modelo, o governo negocia as melhorias diretamente com os atuais operadores e leva o projeto a mercado para que outras empresas do setor possam manifestar interesse em assumir o contrato alterado.

Inicialmente concedido à iniciativa privada em 2013, o Galeão atravessou anos de esvaziamento, processo intensificado durante a pandemia.

Nos últimos anos, o aeroporto voltou a registrar alta de movimentação, impulsionado pelas restrições a voos no Santos Dumont, no centro da capital fluminense. Em 2025, o Galeão movimentou 17,5 milhões de passageiros, recorde da série histórica iniciada em 2000. O volume representou alta de 23,5% em relação a 2024, quando o terminal recebeu 14,2 milhões de viajantes.

No ano passado, o Galeão teve o terceiro maior fluxo do país, atrás apenas de Guarulhos, com 46,3 milhões de passageiros, e Congonhas, com 24 milhões. Ainda assim, o movimento segue distante da capacidade do terminal, estimada em 37 milhões de passageiros por ano.

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