Herdeira quer reposicionar o cacau no Oeste baiano. E aumentar a produtividade
A produtora assumiu a gestão do Grupo Cantagalo em 2018, depois de ter passado por todas as frentes do negócio.
"Meu pai chegou a ter 24 fazendas, mas depois da vassoura-de-bruxa tivemos que reduzir. Hoje mantemos 14 propriedades, com 1.800 hectares de cacau, metade em cabruca e metade em sistemas agroflorestais com seringueiras", contou em entrevista à Bloomberg Línea.
Cláudia se refere ao empresário, ex-banqueiro e ex-ministro Ângelo Calmon de Sá, de uma das famílias com mais tradição nos negócios no Nordeste.
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Cinco dessas fazendas citadas são operadas em regime de parceria, em que a produtora oferece a terra e os parceiros arcam com metade das despesas, ficando também com metade da receita.
"Essa parceria eu já tenho há mais de seis anos. Quando o preço do cacau estava muito baixo e vínhamos de muitos anos no prejuízo. A forma que encontrei para não perder dinheiro foi estabelecer essas parcerias nas fazendas que estavam piores", explicou.
O porte das fazendas do grupo é considerado grande, já que a média plantada por produtor no Brasil fica em torno de cinco hectares. A estratégia do grupo é uma resposta ao impacto direto que o rendimento tem sobre a renda do produtor.
"Para quem tem alta produtividade, dá para ganhar muito dinheiro. Para quem tem média produtividade, o preço tá bom. Mas quem tem baixa produtividade… é preocupante ver cair [o preço]", disse.
O preço do cacau tem operado em uma crescente nos últimos anos, diante de problemas nas colheitas dos principais países produtores da amêndoa, que é liderada atualmente por Costa do Marfim e Gana.
Os futuros da commodity, que rondavam os US$ 2.300 por tonelada no fim de 2022, subiram para até US$ 12.600 em dezembro de 2024. Neste ano, a amêndoa tem passado por flutuações e perdeu força nos últimos meses, mas era cotado a US$ 7.527 em 1 de setembro, ainda bem acima do patamar anterior.
No acumulado do ano, porém, a amêndoa caiu cerca de 30% na ICE, bolsa de negociação de commodities em Nova York.
O fator dos preços é importante, dado que a venda do cacau tem como base as cotações negociadas na ICE.
Na fazenda Cantagalo, a produtividade média é de 45 arrobas por hectare, contra 18 arrobas da média regional. Apesar disso, Cláudia ainda considera insuficiente para enfrentar a volatilidade do mercado.
"Hoje eu estou em uma posição que não suporta volatilidade, porque ainda tenho produtividade baixa e trabalho em cabruca", disse.
O objetivo é chegar a 80 a 100 arrobas/ha no sistema cabruca, patamar que considera viável, embora inferior ao cultivo a pleno sol.
"Se eu chegar a esses patamares, suportaria a volatilidade do mercado. Mas para isso é preciso investir muito", disse. Ela estima custos atuais em cerca de R$ 50 mil por hectare.
A busca por eficiência se conecta com a visão de especialistas: a produtividade média no Brasil está em 350 kg/ha (ou perto de 23 arrobas), mas técnicos apontam que seria possível triplicar esse número com manejo adequado.
Outra aposta da produtora tem sido a mecanização, mesmo em terrenos de alto relevo.
Atualmente, a Cantagalo opera com quatro tratores pequenos, usados em roçagem, pulverização e adubação, além de uma máquina específica para a quebra do cacau.
"O desafio é que as máquinas precisam ser pequenas, mas fortes e eficientes. Mas temos evoluído bastante", afirmou.
Antes do cacau
Na década de 1960, Ângelo Calmon de Sá apostou na produção de seringueira, incentivada pelo governo estadual para reduzir a dependência de importações de borracha.
Anos mais tarde, adquiriu a fazenda Ondulada e deu início ao cultivo de cacau, que se expandiria para formar o Grupo Cantagalo.
A propriedade tornou-se referência em pesquisa de resistência à vassoura-de-bruxa, com mais de 800 variedades testadas. Entre elas está o clone PS 13:19, ainda utilizado por sua resiliência. Mesmo assim, cerca de 30% da produção atual ainda sofre impactos da praga.
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Sob a gestão de Cláudia, o grupo voltou a atenção à produtividade e à qualidade, com planos de dobrar o rendimento em três anos, mecanizar 40% das áreas e expandir para o oeste baiano com cacau a pleno sol irrigado. Hoje, 10% da produção já é voltada ao cacau fino, com rastreabilidade e destino no mercado Bean to Bar.
Nos anos de preços mais baixos, subprodutos como mel e polpa de cacau chegaram a representar 30% da receita do grupo. "Ainda falta aumentar a produção desses subprodutos para que a indústria se interesse e eles ganhem escala", disse.
A Dengo, por exemplo, comercializa o mel de cacau a R$ 29,90 a garrafa de 300 ml.
Um longo caminho
Para Pedro Ronca, diretor da Cocoa Action, "é necessário produzir mais com menos", disse durante a abertura da Expo Cacau em Ilhéus (BA).
Para ele, o caminho para aumentar a produtividade passa por assistência técnica, criação de linhas de crédito e adoção de tecnologias já disponíveis.
"O produtor não controla o preço, mas controla a produtividade e o custo de produção. Quem faz isso bem ganha dinheiro com preço baixo; e muito dinheiro com preço alto", afirmou.
O Brasil, que já esteve entre os líderes mundiais na produção de cacau, hoje ocupa a sexta posição. Enquanto a Bahia tenta recuperar a produtividade das terras, outros Estados, como o Pará e o Espírito Santo, também têm aumentado a produção.
A produção das amêndoas, entregue às moageiras, gira em torno de 190 mil a 200 mil toneladas anuais, mas não cobre a demanda da indústria instalada, que tem capacidade para processar 275 mil toneladas. Para ser autossuficiente, o país teria que atingir ao menos 300 mil toneladas.
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Article features one primary named source (Cláudia Calmon de Sá) with direct quotes and one named expert (Pedro Ronca). Lacks multiple primary sources but includes specific data.
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""Meu pai chegou a ter 24 fazendas, mas depois da vassoura-de-bruxa tivemos que reduzir. Hoje mantemos 14 propriedades,"
Direct quote from primary subject Cláudia Calmon de Sá.
Primary source"Para Pedro Ronca, diretor da Cocoa Action, "é necessário produzir mais com menos""
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Named source"A busca por eficiência se conecta com a visão de especialistas: a produtividade média no Brasil está em 350 kg/ha"
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"Para quem tem alta produtividade, dá para ganhar muito dinheiro. Para quem tem média produtividade, o preço tá bom. Mas quem tem baixa produtividade… é preocupante"
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Balance indicator"Sob a gestão de Cláudia, o grupo voltou a atenção à produtividade e à qualidade, com planos de dobrar o rendimento"
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"impacta o setor desde a chegada da vassoura-de-bruxa, no fim da década de 1980"
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Background"Os futuros da commodity, que rondavam os US$ 2.300 por tonelada no fim de 2022, subiram para até US$ 12.600 em dezembro de 2024."
Provides specific price data over time.
Statistic"Na fazenda Cantagalo, a produtividade média é de 45 arrobas por hectare, contra 18 arrobas da média regional."
Compares specific farm data to regional average.
Context indicatorLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Language is factual, descriptive, and avoids sensationalist or politically loaded terms throughout.
Specific Findings from the Article (2)
"a médica veterinária Cláudia Calmon de Sá decidiu investir em tecnologia e boas práticas de manejo"
Neutral, factual description of action.
Neutral language"O preço do cacau tem operado em uma crescente nos últimos anos, diante de problemas nas colheitas"
Neutral explanation of market trend.
Neutral languageTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Clear author attribution, date, and specific quote attribution. Lacks explicit methodology disclosure.
Specific Findings from the Article (1)
"contou em entrevista à Bloomberg Línea."
Source of interview is disclosed.
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
Article presents a logically consistent narrative linking challenges, strategies, and goals without contradictions.
Core Claims & Their Sources
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"Cláudia Calmon de Sá is using technology and management practices to address low cocoa productivity in Bahia."
Source: Direct statements from Cláudia Calmon de Sá and descriptions of her actions. Primary
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"Increasing productivity is crucial for Brazilian cocoa farmers to withstand market volatility."
Source: Statement from Pedro Ronca of Cocoa Action and data on price fluctuations. Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (5)
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P1
"Cocoa futures rose from ~$2,300/ton in late 2022 to $12,600 in Dec 2024."
Factual -
P2
"Brazil is the 6th largest cocoa producer globally."
Factual -
P3
"Cantagalo farm productivity is 45 arrobas/ha vs. regional average of 18 arrobas/ha."
Factual -
P4
"Low productivity causes vulnerability to price volatility"
Causal -
P5
"Adoption of technology/management causes increased productivity"
Causal
Claim Relationships Graph
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=== Propositions === P1 [factual]: Cocoa futures rose from ~$2,300/ton in late 2022 to $12,600 in Dec 2024. P2 [factual]: Brazil is the 6th largest cocoa producer globally. P3 [factual]: Cantagalo farm productivity is 45 arrobas/ha vs. regional average of 18 arrobas/ha. P4 [causal]: Low productivity causes vulnerability to price volatility P5 [causal]: Adoption of technology/management causes increased productivity === Causal Graph === low productivity -> vulnerability to price volatility adoption of technologymanagement -> increased productivity
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.