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Trump diz que Guerra do Irã está perto do fim, mas não cita prazo

exame.com By Rafael Balago 2026-04-01 1008 words
Donald Trump, presidente dos EUA, durante discurso à nação em 1º de abril (Alex Brandon/AFP)

Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 1 de abril de 2026 às 22h23.

Última atualização em 1 de abril de 2026 às 22h54.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que os ataques americanos ao Irã estão perto de terminar, pois os a
mericanos estariam prestes a alcançar seus objetivos, mas não citou um prazo para o fim do conflito. Ele disse que haverá novos ataques nas próximas semanas, caso não haja acordo.

"Posso dizer esta noite que estamos no caminho para completar todos os objetivos militares da América rapidamente, muito rapidamente. Vamos atacá-los com dureza extrema. Nas próximas duas a três semanas, vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem", afirmou.

"Enquanto isso, as discussões continuam. Mudança de regime nunca foi nossa meta. Mas a mudança de regime ocorreu porque todos os seus líderes originais foram mortos. O novo grupo é menos radical e muito mais razoável", prosseguiu.

Trump voltou a ameaçar atacar as instalações de energia do Irã, caso o país não faça um acordo com os EUA. Em sua fala, o presidente buscou projetar uma imagem de vitória e celebrar conquistas militares dos americanos, embora o Irã continue com capacidade de fazer ataques.

"Nossos objetivos são muito simples e claros. Estamos sistematicamente desmantelando a capacidade do regime de ameaçar a América ou projetar poder fora de suas fronteiras", disse. "Estou satisfeito em dizer que estes objetivos estratégicos estão perto de serem completados", afirmou.

"Nossas forças entregaram vitórias esmagadoras. A Marinha do Irã se foi. Sua Força Aérea está em ruínas. Sua capacidade de lançar drones e mísseis está dramaticamente reduzida. Nunca na história das guerras um inimigo sofreu uma escala tão grande de danos em poucas semanas", afirmou.

O presidente americano também buscou minimizar os bloqueios no Estreito de Ormuz.

"Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito e não importarão no futuro. Não precisamos dele. E os países do mundo que recebem petróleo pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem. Devem conquistá-la e preservá-la. Podem fazer isso facilmente", disse.

Trump acusou o Irã de ser patrocinador do terrorismo e de ter ligação com os ataques a Israel em 7 de outubro, quando o Hamas, um grupo apoiado pelo Irã, invadiu o território israelense e matou mais de 1.000 pessoas.

Ele também acusou o ex-presidente Barack Obama de fazer um acordo com o Irã que colocou os EUA em risco. Trump também lembrou as ações que tomou contra o país, como a retirada dos americanos do acordo nuclear com o Irã, ter ordenado a morte do general Qasim Suleimani, em 2020, e os ataques contra instalações nucleares no país em 2025.

Mais cedo nesta quarta-feira, Trump disse que o Irã teria solicitado um cessar-fogo, mas que os Estados Unidos só o considerarão quando o Estreito de Ormuz estiver livre para navegação.

"Consideraremos isso quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desimpedido. Até lá, vamos destruir o Irã completamente, ou, como se diz, fazê-lo voltar à Idade da Pedra!!!", escreveu ele em sua plataforma, Truth Social, pela manhã.

No entanto, o Irã negou ter pedido uma pausa. "As declar
ações de Trump, que afirmou que o Irã pediu um cessar-fogo, são falsas e carecem de qualquer fundamento", disse o porta-voz da chancelaria do Irã, Ismael Baqai.

Antes do discurso de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra a infrae
strutura elétrica de seu país constituem "um crime de guerra". Ele publicou uma carta aberta dirigida aos americanos.

A Guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã já dura mais de um mês. Os ataques começaram na madrugada de 28 de fevereiro, um sábado
, com a expectativa de derrubar o regime dos aiatolás e acabar com a capacidade militar e nuclear do Irã.

Trump esperava um desfecho rápido, como ocorreu na Venezuela em janeiro, mas a história foi outra. Mesmo com a morte do líder supremo, Ali Khamenei, além de várias autoridades, o regime não caiu e continuou capaz de fazer ataques a vários países da região, como os Emirados Árabes Unidos e o Qatar.

Além disso, o Irã conseguiu bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção global de petróleo, o que levou o barril de petróleo a superar US$ 100. Antes, o preço estava no patamar de US$ 60.

Apesar do
discurso duro e dos ataques, Trump não conseguiu convencer o Irã a reabrir a passagem. O líder americano pediu ajuda aos aliados europeus da Otan, mas também ouviu um "não".

Para Trump, a guerra trouxe efeitos negativos na política interna. Pesquisa do Pew Research Center aponta que 61% dos americanos desaprovam a atuação do presidente na guerra, enquanto 37% aprovam, e 45% dizem que os militares americanos não estão indo bem no conflito.

Sua popularidade também caiu para 40% de aprovação, o menor nível desde o começo do mandato.

Outro efeito de peso contra Trump foi a alta dos combustíveis, que subiram nas bombas americanas e pressionam a inflação no país. O governo fez uma série de ações para baixar os preços, mas ainda não colheu resultados. Nesta semana, o preço médio no país superou US$ 4 por galão, o maior valor em quatro anos.

Ao mesmo tempo, Trump é questionado por gastar com uma guerra no exterior, após ter prometido priorizar investimentos no país.

Christopher Borick, diretor do Instituto de Opinião Pública do Muhlenberg College na Pensilvânia, diz que o conflito se
soma às preocupações já existentes sobre o custo de vida e imigração.

"O governo enfrenta dificuldades para apresentar um caso convincente e claro a favor das ações militares no Irã e os efeitos simultâneos no custo de vida nos Estados Unidos só agravaram a frágil posição dos republicanos entre os eleitores independentes", afirmou, à AFP.

Em novembro, os EUA terão eleições de meio de mandato, e os republicanos poderão perder o controle do Congresso, que possuem hoje, mas com margens estreitas.

Com AFP.

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