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Irã derruba duas aeronaves militares dos EUA; dois tripulantes foram resgatados e outro segue desaparecido

oglobo.globo.com 2026-04-03 1294 words
Irã derruba duas aeronaves militares dos EUA; dois tripulantes foram resgatados e outro segue desaparecido

Forças americanas seguem mobilizadas em operação de resgate para evitar que Exército iraniano localize o piloto perdido

RESUMO

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GERADO EM: 03/04/2026 - 10:08

Irã alega ejeção de piloto americano em meio a conflitos crescentes

A TV estatal iraniana afirmou que um piloto americano teria se ejetado no sudoeste do Irã, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, agora na quinta semana. A notícia, não confirmada pelos EUA, ocorre em um cenário de intensificação dos ataques iranianos e bombardeios americanos e israelenses. A tensão afeta a economia global, com o preço do petróleo em alta e riscos diplomáticos no Estreito de Ormuz.

O Irã derrubou duas aeronaves militares americanas em diferentes ocasiões nesta sexta-feira, revelaram militares americanos ao jornal Washington Post. O caça F-15E Strike Eagle da Força Aérea dos Estados Unidos foi atingido sobre o território iraniano, confirmaram autoridades americanas e meios de comunicação estatais iranianos, segundo o New York Times. Dos dois tripulantes da aeronave, um foi resgatado com vida em território iraniano e recebe atendimento médico, enquanto o outro permanece desaparecido. Forças americanas continuam mobilizadas em operação de busca e resgate, enquanto militares iranianos realizam ações para localizar o outro tripulante. O piloto de outra aeronave, o A-10, conseguiu levar o avião danificado até o espaço aéreo do Kuwait antes de ejetar e, posteriormente, também foi resgatado, acrescentaram as fontes ao WP, falando sob condição de anonimato.

A derrubada marca o primeiro caso conhecido de uma aeronave de combate americana abatida em território hostil desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Dias antes, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o país havia alcançado tal controle do espaço aéreo iraniano que bombardeiros B-52 passaram a sobrevoar diretamente o território do Irã pela primeira vez desde o início da guerra. A derrubada do F-15E, porém, evidencia que, mesmo enfraquecido, o aparato militar iraniano ainda é capaz de reagir.

Pilotos americanos são treinados para esse tipo de situação em protocolos conhecidos como SERE — sigla em inglês para sobrevivência, evasão, resistência e fuga — que orientam como agir após a queda em território hostil. Após a ejeção, a instrução é buscar abrigo, evitar contato com forças inimigas e usar rádios para transmitir a localização às equipes de resgate.

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O F-15E é um dos principais caças de ataque da Força Aérea americana, usado em missões de bombardeio e apoio aéreo. O modelo costuma ser operado por dois militares: um piloto e um oficial de sistemas de armas.

Segundo fontes americanas, os EUA mantêm forças-tarefa na região, inclusive no Iraque e na Síria, preparadas para operações de resgate. Ainda assim, a missão é considerada de alto risco, já que envolve atuação em território hostil, com ameaça de sistemas antiaéreos, mudanças climáticas e a ausência de tropas americanas em solo iraniano.

Veículos ligados à Guarda Revolucionária afirmaram que helicópteros americanos envolvidos nas operações de busca e resgate chegaram a ser alvo de disparos e tiveram de recuar. A informação foi posteriormente confirmada por autoridades militares dos EUA. As fontes disseram que militares americanos foram feridos a bordo, mas ambas as aeronaves retornaram em segurança à sua base.

Em meio às operações, a imprensa estatal iraniana afirmou que um segundo avião militar americano teria sido atingido na região. Segundo a emissora IRIB, uma aeronave de ataque A-10 foi atingida por sistemas de defesa aérea e caiu no Golfo Pérsico, próximo ao Estreito de Ormuz.

As Forças Armadas dos EUA, no entanto, confirmaram apenas que um A-10 Warthog caiu na região e que o piloto foi resgatado com segurança, sem detalhar as circunstâncias do incidente. Não está claro se o caso tem relação com a operação de busca pelo F-15E.

Um canal local da televisão estatal do Irã afirmou que um piloto de caça americano teria se ejetado sobre o sudoeste do país. A possível região da queda, na província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, é predominantemente rural e montanhosa.

A emissora também exibiu imagens do que afirmou serem destroços da aeronave abatida, transportados na carroceria de uma caminhonete, mas não apresentou detalhes que permitissem verificação independente.

Durante a transmissão, o apresentador leu um anúncio incentivando a população a capturar eventuais pilotos inimigos e prometendo recompensa. De acordo com a BBC, autoridades ofereceram 10 bilhões de tomans (cerca de R$ 340 mil) para quem capturar com vida um tripulante americano abatido. Em outra mensagem exibida na tela, o público era instado a reagir com violência caso identificasse aeronaves.

Segundo a agência Associated Press (AP), essa é a primeira vez desde o início da guerra que autoridades iranianas recorrem à televisão para incentivar diretamente a população a localizar um piloto inimigo.

O episódio também provocou reações políticas em Teerã. Durante as buscas americanas, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, ironizou o governo dos EUA nas redes sociais.

"Essa guerra brilhante, sem estratégia, que eles começaram, agora foi rebaixada de 'mudança de regime' para 'alguém pode encontrar nossos pilotos?'", escreveu no X. "Uau, que progresso incrível."

Forças iranianas iniciam busca por piloto

O Exército iraniano lançou uma operação de busca pelo piloto do caça americano atingido por um sistema de defesa aérea, comunicou na sexta-feira a agência de notícias iraniana Fars.

"As forças militares lançaram uma operação de busca para encontrar o piloto do caça americano que foi atingido hoje mais cedo", informou a agência.

Procurado pela AFP, o comando militar dos EUA para o Oriente Médio (Centcom) não comentou imediatamente o suposto incidente.

O presidente americano, Donald Trump, foi informado sobre a derrubada do caça, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Em suas primeiras declarações após o incidente, evitou comentar à NBC News a operação de busca e resgate do tripulante desaparecido e disse que o episódio não deve afetar as negociações por um cessar-fogo com o Irã.

Mais cedo, o presidente havia celebrado ataques americanos a alvos iranianos e afirmado que "há muito mais por vir", prometendo intensificar os bombardeios nas próximas semanas.

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A ação se insere em um contexto de escalada da guerra no Oriente Médio, que se aproxima do fim de sua quinta semana. O Irã tem ampliado ataques na região, atingindo infraestruturas estratégicas, como uma refinaria no Kuwait e uma usina de dessalinização, enquanto enfrenta bombardeios de forças americanas e israelenses.

Risco econômico global

De acordo com informações da AP, o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural do mundo, tem provocado instabilidade nos mercados. O preço do barril do petróleo Brent subiu mais de 50% desde o início do conflito, elevando o risco de aumento no custo de produtos básicos.

No campo diplomático, surgem sinais de tentativa de negociação. O ex-ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, publicou proposta defendendo limites ao programa nuclear iraniano em troca do fim das sanções e da reabertura do estreito. A iniciativa reúne elementos de planos apresentados por Washington e Teerã, mas ainda não há indicativos de avanço nas negociações.

Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU deve discutir medidas para garantir a segurança da navegação na região. Propostas mais duras, que autorizariam o uso da força, enfrentam resistência de potências com poder de veto.

O conflito já deixou milhares de mortos e deslocados em diferentes países do Oriente Médio, com impactos humanitários e econômicos crescentes. A alegação sobre o piloto americano, ainda sem confirmação independente, ocorre em meio a um cenário de tensão elevada e guerra de narrativas entre as partes.

(Com New York Times)

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