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Energia solar dispara globalmente sob liderança da China

cartacapital.com.br By Deutsche Welle 2026-04-04 1118 words
Mundo

Energia solar dispara globalmente sob liderança da China

Impulsionado por preços baixos, ritmo de expansão supera qualquer outra fonte energética e excede expectativas. Crescimento ocorre também no Brasil e até nos EUA, apesar do favorecimento de Trump por fontes fósseis

A energia solar vem se expandindo mais rápido do que o esperado no início do século, num ritmo superior a qualquer outra fonte energética. A sua adoção é um elemento central dos planos de transição energética global, a fim de proteger o planeta das mudanças climáticas.

Antes, esta era considerada uma alternativa cara, usada somente em regiões remotas, viagens espaciais ou calculadoras de bolso. Mas hoje módulos solares fáceis de instalar e operar permitem gerar eletricidade barata ao redor do mundo.

A capacidade global de energia solar disparou na última década, passando de 228 gigawatts (GW) em 2015 para 2,9 mil GW em 2025 — o correspondente a 10% da matriz energética global, ultrapassando a energia nuclear (9%).

Se mantiver o ritmo atual, a capacidade global poderá atingir 9 mil GW até 2030, o suficiente para atender a mais de 20% da demanda energética global. Potências globais, entretanto, se mantêm dependentes dos combustíveis fósseis.

China lidera o caminho

A China tem, de longe, a maior capacidade solar do mundo. O país instalou 315 GW de novos painéis em 2025, de acordo com a autoridade energética chinesa, elevando a capacidade total para cerca de 1,3 mil GW.

A China produz a maioria dos paineis solares do mundo atualmente – foto: CN-STR/AFP

Mais de 80% de todos os painéis solares atualmente são produzidos na China. Dados da organização LowCarbonPower mostram que 11% da eletricidade do país agora vem da energia solar.

Ao longo da última década, a participação da energia a carvão – altamente poluente – caiu de 70% para 56%. Isso se deve, em grande parte, à forte expansão das energias renováveis no país, especialmente solar e eólica.

União Europeia amplia rede solar

A União Europeia (UE), com 406 GW de capacidade de geração, ocupa o segundo lugar mundial na expansão da energia solar.

No bloco, a energia solar cobre cerca de 13% da demanda elétrica, enquanto o carvão atende a 9% — uma queda significativa em relação a 2015, quando ainda gerava um quarto da eletricidade da UE.

Na liderança europeia estão Grécia, Chipre, Espanha e Hungria, cada uma gerando mais de 20% de sua eletricidade a partir da energia solar.

A Alemanha, com menos horas de sol, atinge 18%. Com 119 GW, o país é o líder europeu em capacidade solar instalada, seguida pela Espanha, com 56 GW.

EUA em terceiro lugar

Mesmo com as fontes renováveis dificultadas durante o governo de Donald Trump, os Estados Unidos ocupam o terceiro lugar mundial na expansão da energia solar.

Com 267 GW, os EUA conseguem suprir cerca de 8% de sua demanda elétrica total. Em 2015, esse valor era de 1%. Nos últimos dez anos, a participação do carvão caiu pela metade — de 34% em 2015 para 17% em 2025.

O presidente americano, entretanto, quer ressuscitar o carvão e proteger a indústria ligada aos combustiveis fósseis.

Além disso, os Estados Unidos são o maior produtor de petróleo e gás – em grande parte para exportação. Em 2023, estas duas fontes correspondiam, juntas, a quase três quartos da energia final consumida pelos americanos (excluindo o consumo do próprio setor energético e perdas de transformação), segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

Crescimento na Índia, no Paquistão e no Brasil

A Índia, em quarto lugar com 136 GW, agora gera cerca de 8% de sua eletricidade para uma população de 1,45 bilhão de pessoas. O Japão aparece em quinto, com capacidade solar de 103 GW, cobrindo 11% de sua demanda elétrica.

O Brasil também está ampliando sua capacidade solar e agora consegue gerar cerca de 10% de seu fornecimento nacional de eletricidade. O país soma 22 GW de potência solar fiscalizada (ou seja, efetivamente instalada e em operação comercial verificada pela Agência Nacional de Energia Elétrica). Junto com hidrelétrica, eólica e biomassa, 88% da energia do Brasil vêm de fontes renováveis.

Em 2015, Paquistão e África do Sul produziam cada um menos de 1% de sua eletricidade a partir de painéis fotovoltaicos. Dez anos depois, o índice subiu para 20% e 10%, respectivamente.

Preços vantajosos

Em apenas uma hora, a luz do sol que atinge a Terra fornece mais energia do que a humanidade precisaria durante um ano inteiro. Instalando painéis solares em menos de 1% da superfície do mundo, seria possível cobrir toda a demanda global de energia.

Outra vantagem é o progressivo barateamento. Módulos mais eficientes e a produção em massa reduziram os preços em cerca de 90%, o que significa que a energia solar é a forma mais barata de eletricidade em muitas partes do mundo.

Em regiões muito ensolaradas, grandes parques solares podem produzir eletricidade pelo equivalente a 5 centavos de real por quilowatt-hora.

A eletricidade de painéis solares instalados em telhados costuma ser significativamente mais barata do que a eletricidade da rede convencional e, em muitos países europeus, agora custa menos da metade do preço médio de eletricidade.

Mais proeminência a caminho?

Em 2024, usinas com capacidade de 632 GW foram adicionadas à rede elétrica global. Do total, 72% eram energia solar, seguida pela eólica com 18%, gás com 4%, carvão com 3%, hidrelétrica com 2% e nuclear com 1%.

Diversas previsões subestimaram o crescimento da indústria solar. Em sua análise global anual de energia de 2020, a Agência Internacional de Energia estimou que a expansão solar mundial atingiria cerca de 120 GW em 2024. Mas 597 GW foram instalados naquele ano.

Especialistas agora acreditam que a energia solar eventualmente se tornará a fonte de energia mais importante do mundo. No entanto, ainda não se sabe quão rápida poderá ser a mudança.

Pesquisadores da Universidade de Tecnologia Lappeenranta-Lahti, na Finlândia, calcularam como poderia ser um suprimento de energia global economicamente eficiente. Com base em seu modelo, 76% da energia mundial viriam da solar. A energia eólica representaria outros 20%, com o restante vindo de hidrelétrica, biomassa e energia geotérmica.

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