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No Brasil, 4 em cada 10 municípios vivem de repasses externos, mostra levantamento

brasil247.com By Leonardo Lucena 2026-04-04 401 words
No Brasil, 4 em cada 10 municípios vivem de repasses externos, mostra levantamento

Ao menos 2.190 cidades dependem em 90% ou mais de verbas externas. Segundo a Fazenda, 80% dos municípios têm arrecadação própria abaixo de 20% da receita

247 - O Tesouro Nacional mapeou um quadro de dependência fiscal estrutural nos municípios brasileiros: quatro em cada dez prefeituras do país dependem de repasses de estados ou da União para cobrir 90% ou mais de suas despesas. Os dados, publicados neste sábado (4) pela Folha de S.Paulo, mostram que 2.190 cidades — cerca de 40% dos 5.569 municípios brasileiros — se enquadram nessa situação em 2024, segundo informações extraídas de uma plataforma do Ministério da Fazenda que reúne as Declarações de Contas Anuais (DCAs) encaminhadas pelas prefeituras.

O número vem caindo ao longo dos anos: em 2019, eram 2.950 municípios nessa condição de dependência extrema. Especialistas apontam que o aumento da arrecadação do ISS (Imposto sobre Serviços), o maior planejamento tributário e a fiscalização da dívida ativa foram os principais fatores que contribuíram para essa redução. Mas o problema segue grave: quando o critério se amplia para municípios onde a arrecadação própria representa 20% ou menos da receita bruta, o número salta para 4.156 cidades, ou 80% do total de municípios brasileiros.

A raiz do problema remonta à Constituição Federal de 1988, que elevou os municípios à condição de entes federativos e delegou aos estados a competência de legislar sobre a criação de novas cidades. Antes disso, fundar um município dependia de norma federal. A mudança abriu espaço para uma multiplicação de prefeituras: pelo menos 1.400 novas cidades surgiram desde então, muitas sem qualquer base econômica capaz de sustentar uma estrutura administrativa própria.

Carlos Figueiredo Mourão, mestre em
direito constitucional pela PUC-SP, classificou o fenômeno como resultado de motivações políticas e eleitorais desvinculadas de critérios técnicos. "Não deveria ser possível criar municípios que não possuam capacidade real de sustentar sua estrutura administrativa com base em arrecadação tributária própria", afirmou. Para o especialista, a criação de cidades foi "frequentemente motivada por interesses de natureza política ou eleitoral, sem critérios de viabilidade administrativa ou econômica".

Os dados do Tesouro Nacional estão disponíveis em plataforma pública do Ministério da Fazenda, mas o prazo para a entrega das declarações referentes ao exercício de 2025 ainda não se encerrou, o que significa que o retrato atual pode mudar à medida que mais municípios enviarem suas informações.

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