O sonho de Marina: alcançar em 2026 a menor taxa de desmatamento da história
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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, cotada para ser uma das candidatas ao Senado por São Paulo – o que deve levá-la a deixar o cargo até o fim de março –, afirmou nesta quinta-feira (12) que o governo está trabalhando com a expectativa de alcançar, neste ano, a menor taxa de desmatamento da série histórica, iniciada em 1988.
A estimativa – ou plano, ou quem sabe, até, sonho –, vem de dados bastante promissores referentes aos últimos seis meses. Entre 1º de agosto do ano passado e 31 de janeiro deste ano, os alertas feitos pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontaram para um desmatamento de 1.3324 km2 na Amazônia, uma queda de 35,4% em relação ao mesmo período entre 2024 e 2025 (2050 km2). É o menor valor da série histórica do Deter, iniciada em 2016.
"Temos uma expectativa, já acompanhado os últimos seis meses, de chegar a menor taxa de desmatamento da Amazônia da série histórica, se continuarmos com esses esforços. Os dados apontam na direção de uma queda de 35% para 2026. Claro que isso é para os primeiros seis meses, mas é uma forte tendência de queda", disse Marina, em entrevista coletiva no final da manhã desta quinta.
Quem mede o desmatamento oficial da Amazônia é outro sistema do Inpe, o Prodes. E o dado sempre considera a perda total de vegetação no intervalo de 12 meses, entre agosto de um ano e julho do ano seguinte.
Ambos os sistemas trabalham com imagens de satélite, mas o Deter, voltado para auxiliar na fiscalização e ajudar a impedir um desmatamento em curso, ocorre de modo mais ágil, praticamente em tempo real, o que o torna um pouco menos preciso. Ainda assim, é um indicador da tendência para onde vai a curva de desmatamento, se para cima ou para baixo. Desde 2017, o Deter apontou na mesma direção do Prodes em 6 de 9 ocasiões.
A menor taxa de desmatamento da Amazônia foi registrada em 2012, quando o Prodes registrou a perda de 4.571 km2. Nos anos seguintes ela oscilou um pouco para cima, voltando a subir para valer a partir do governo Bolsonaro, iniciado em 2019. A taxa chegou a ter uma queda no último ano do governo anterior e começou a ser reduzida de modo consistente a partir de 2023, chegando a 5.796 km2 em 2025 – a menor em 11 anos e a terceira menor da série histórica.
São passos importantes para cumprir a promessa feita pelo presidente Lula, quando assumiu o terceiro mandato, de zerar o desmatamento até 2030. E, para Marina, é questão de honra entregar os melhores resultados.
O marco de menor taxa ela não conseguiu alcançar em sua primeira passagem pela pasta, de 2003 a 2008, entre o primeiro e o segundo mandato de Lula. Mãe do mais bem sucedido programa de combate ao desmatamento do país, o PPCDAm, ela saiu do governo antes de ver o desmatamento chegar aos menores níveis.
Foi essa política, continuada depois da saída de Marina pelos ministros Carlos Minc e Izabella Teixeira, que resultou na redução de 83% do desmatamento em 2012, na comparação com o nível estratosférico registrado em 2004 (mais de 27 mil km2).
Já fazendo as contas, se a redução de 35% observada pelo Deter nos últimos seis meses se repetir pelos próximos, o Prodes, de fato, pode vir a ser o mais baixo do registro histórico. Um sucesso tremendo. Para empatar com 2012, a queda teria de ser pouco superior a 20%. Mas será que vai dar?
Se não, vejamos. No primeiro ano de Lula 3, o Prodes caiu quase 22%. No segundo ano, a redução foi de 28% e no terceiro, de mais 11%. Há uma lógica na queda do desmatamento semelhante a emagrecer. Quando há muito peso para perder, a dieta, no começo, vai que é uma beleza, mas aqueles quilinhos finais para atingir a meta costumam ser os mais difíceis, porque já há pouca gordura para queimar.
Com o desmatamento, é um pouco assim também. O criminoso está lá tranquilão, derrubando grandes porções de floresta de uma vez sem se preocupar, porque o governo está fazendo vistas grossas. Quando a fiscalização volta a atuar, esse tipo de desmatamento mais descarado, grande, cai mais rapidamente. Mas vão ficando uns menores, mais difíceis de monitorar.
O criminoso também fica mais inventivo, vai se valendo de outras alternativas. Aproveita que o clima está seco e conta com a destruição promovida pelo fogo, por exemplo. O combate vai ficando mais complexo. Então, para isso, o governo também precisa ser mais criativo, tanto em aumentar e aprimorar a fiscalização, quanto em formas de trazer alternativas para que não haja o desmatamento.
Parte dos esforços do PPCDAm, como detalhou o secretário André Lima, é trabalhar em alinhamento com o crédito rural, de modo a reduzir o acesso ao recurso para quem desmata. E criar gargalos para que os produtos do desmatamento não consigam ser comercializados.
É um processo de gato e rato que vai sendo aprimorado dos dois lados. Mas boas políticas públicas, consistentes e ágeis para reagir conforme o campo se assanha, podem reverter o jogo e dar bem certo. Há milhões de bons motivos, inclusive econômicos, para que a Amazônia não seja mais desmatada. Já passou da hora de isso ser alcançado.
Mas aí entram dois fatores importantes: o clima e as eleições.
Em novembro do ano passado, quando o governo anunciou os dados do Prodes e a queda de 11% entre agosto de 2024 e julho de 2025, na comparação com os 12 meses anteriores, foi feito o alerta de que cerca de 40% daquela perda tinha se dado por ação progressiva do fogo, e não pelo tradicional corte raso – que é quando a floresta é derrubada totalmente, aberta para que outro uso ocorra (eu explico essa história nesta coluna). O ano de 2024, todo mundo deve se lembrar, foi particularmente seco e com muitas queimadas.
As características diferentes do Prodes do ano passado foram atribuídas principalmente às mudanças climáticas, que estão deixando a floresta amazônica – tradicionalmente úmida – a uma maior suscetibilidade ao fogo. Um problemão em um planeta cada vez mais quente.
No ano passado, por uma combinação de clima mais ameno, com chuvas mais regulares, e a entrada em ação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, as queimadas reduziram bastante. Conforme anunciou André Lima, entre agosto do ano passado e janeiro deste ano, a degradação da floresta, jargão usado pelo estrago provocado principalmente por fogo, mas também pela retirada de madeira, caiu 82% na comparação com o período anterior.
Quando Marina afirma que "se continuarmos com esses esforços", a taxa de desmatamento será a mais baixa, certamente ela está considerando manter a política de controle do fogo. Mas e se vier uma nova seca neste ano? Ainda é cedo para dizer.
Agora em janeiro, o número de focos de incêndio no bioma Amazônia foi 68% acima do observado em janeiro de 2025 e também o maior desde 2016. Mas, de acordo com dois técnicos do Inpe com quem conversei, Gilvan Sampaio e Fabiano Morelli, ainda está dentro da média da série histórica para o mês, iniciada em 1998.
"Tivemos um maior número de focos em janeiro, mas isso não significa área queimada maior. Basicamente temos o uso de fogo controlado em área de pasto, mas não floresta incendiada", me explicou André Lima. Dados do Lasa/UFRJ indicam queda de 10% na área queimada na Amazônia em janeiro de 2026, na comparação com o ano passado.
Lima admitiu, porém, que o governo já está preocupado e se preparando para uma possível piora do quadro daqui alguns meses.
Ocorre que um novo El Niño, fenômeno de aquecimento do Pacífico que costuma trazer seca para a Amazônia, está previsto para começar no segundo semestre deste ano. Bem no período em que a região já entra naturalmente na sua estação seca. E isso pode acabar tornando a escassez mais intensa e extensa.
Para complicar, o segundo semestre coincide com o período eleitoral. No último ciclo de eleições gerais, em 2022, houve uma explosão de alertas de desmatamento do Deter a partir de agosto. A delinquência correu solta diante da expectativa de que um governo menos permissivo aos desmandos na Amazônia poderia vencer. As queimadas entre agosto e dezembro também foram bem mais intensas do que nos mesmos meses de 2021, mesmo sem nenhum motivo climático que favorecesse isso.
Bem verdade que para fins do Prodes 2026, nada disso vai influenciar, uma vez que a taxa fecha em julho. Capaz que, se tudo seguir conforme os planos, a taxa realmente venha menor. Mas para terminar o mandato com chave de ouro nos indicadores ambientais, todo cuidado será pouco para segurar bolsonaristas amazônidas querendo ver o circo pegar fogo durante as eleições.
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""Temos uma expectativa, já acompanhado os últimos seis meses, de chegar a menor taxa de desmatamento da Amazônia da série histórica,"
Direct quote from Minister Marina Silva in a press conference.
Primary source"Conforme anunciou André Lima"
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Named source"de acordo com dois técnicos do Inpe com quem conversei, Gilvan Sampaio e Fabiano Morelli"
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Expert source"Dados do Lasa/UFRJ indicam queda de 10% na área queimada"
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"A menor taxa de desmatamento da Amazônia foi registrada em 2012, quando o Prodes registrou a perda de 4.571 km2."
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Background"uma queda de 35,4% em relação ao mesmo período entre 2024 e 2025 (2050 km2)"
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Statistic"Desde 2017, o Deter apontou na mesma direção do Prodes em 6 de 9 ocasiões."
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BackgroundLanguage Neutrality
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"A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, cotada para ser uma das candidatas ao Senado"
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"disse Marina, em entrevista coletiva no final da manhã desta quinta."
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MethodologyLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; claims are well-supported and temporally consistent.
Logic Issues Detected
-
Contradiction (high)
Conflicting values for 'deter': 1 vs 6
"Heuristic: Values conflict between P1 and P4"
Core Claims & Their Sources
-
"The government expects to achieve the lowest deforestation rate in historical series in 2026."
Source: Direct quote from Minister Marina Silva in press conference Primary
-
"Deter system alerts show 35.4% deforestation reduction in last 6 months compared to same period previous year."
Source: Data from Inpe's Deter system cited by article Named secondary
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"Climate factors and elections could challenge continued deforestation reduction."
Source: Analysis based on expert comments and historical patterns Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (7)
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P1
"Deter system deforestation alerts showed 1,332 km² in Amazon from August 2025 to January 2026"
Factual In contradiction -
P2
"Lowest historical deforestation rate was 4,571 km² in 2012"
Factual -
P3
"2025 deforestation rate was 5,796 km², lowest in 11 years"
Factual -
P4
"Deter and Prodes systems agreed on direction 6 out of 9 times since 2017"
Factual In contradiction -
P5
"Increased enforcement causes reduction in large-scale deforestation"
Causal -
P6
"Climate change causes increased forest susceptibility to fire"
Causal -
P7
"Election periods causes potential increase in deforestation due to expectation of policy changes"
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (1)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Deter system deforestation alerts showed 1,332 km² in Amazon from August 2025 to January 2026 P2 [factual]: Lowest historical deforestation rate was 4,571 km² in 2012 P3 [factual]: 2025 deforestation rate was 5,796 km², lowest in 11 years P4 [factual]: Deter and Prodes systems agreed on direction 6 out of 9 times since 2017 P5 [causal]: Increased enforcement causes reduction in large-scale deforestation P6 [causal]: Climate change causes increased forest susceptibility to fire P7 [causal]: Election periods causes potential increase in deforestation due to expectation of policy changes === Constraints === P1 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'deter': 1 vs 6 === Causal Graph === increased enforcement -> reduction in largescale deforestation climate change -> increased forest susceptibility to fire election periods -> potential increase in deforestation due to expectation of policy changes === Detected Contradictions === UNSAT: P1 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P4