Carnaval: Prefeitura de SP pagou cachês inflados a bandas gospel de igrejas aliadas a Nunes
Com público reduzido e acesso restrito, os eventos pagaram cachês superiores aos de artistas que se apresentaram em palcos abertos e lotados no mesmo período. O cantor de forró gospel Naldo José recebeu R$ 55 mil por show em 2023 – mais do que os pagamentos recebidos pelo veterano da MPB Tom Zé e a rapper Karol Conká na Virada Cultural do mesmo ano. Naldo José, que tem 12 mil ouvintes mensais no Spotify, também embolsou mais do que nomes consolidados do gospel, como Ton Carfi e Kemilly Santos, que têm quase 2 milhões de ouvintes mensais cada.
Ao todo, as contratações feitas pela Secretaria Municipal de Cultura para os eventos "Vem Louvar", "Carnaval da Paz", "Reviver" e "Nova Forma" custaram R$ 769 mil aos cofres públicos, em valores da época.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que a política de fomento à cultura na cidade é "pautada pela lei, pluralidade e transparência" e que "todas as contratações seguiram rigorosamente os critérios técnicos, legais e administrativos previstos na legislação".
Todas as instituições, artistas e empresas citadas foram procurados pela Agência Pública.
Por que isso importa?
As contratações de shows religiosos ligados a igrejas do reduto eleitoral de Nunes levantam suspeitas sobre uso da Prefeitura de São Paulo para fins políticos.
Contratações descumprem alerta da Secretaria de Cultura
A assessoria jurídica da Secretaria de Cultura, responsável por analisar a legalidade das contratações, chegou a dar o alerta em 2023 de que as contratações deveriam observar "o Estado laico brasileiro", ou seja, manter a neutralidade religiosa da administração pública. Também cita o artigo 19 da Constituição, que veda União, estados e municípios de "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles relações de dependência ou aliança, ressalvada a colaboração de interesse público".
Apesar da observação, a assessoria jurídica deu parecer favorável às contratações, ressaltando que não é seu papel verificar a veracidade de documentos e outros itens do contrato. Nos processos de 2024, o setor sequer emitiu parecer.
Além disso, o contrato com os artistas determina a obrigatoriedade dos créditos da prefeitura e da Secretaria de Cultura "em toda divulgação, escrita ou falada, realizada sobre o espetáculo programado, sob pena de cancelamento sumário do evento". Nenhum dos eventos teve a publicidade exigida, porém, não foram cancelados.
Pessoas que atuam na Secretaria de Cultura ouvidas pela Pública, na condição de anonimato, dizem ter estranhado o trâmite. Segundo elas, a prefeitura sempre exige o crédito nos materiais de divulgação, e o fato de não ter aparecido nestes eventos é incomum. Também alegam que a assessoria jurídica costuma ser mais exigente em outros processos, pedindo o cancelamento do evento quando encontra problemas, o que não ocorreu nestes casos.
Em resposta a este ponto, a prefeitura afirmou somente que "os contratos firmados orientam os contratados quanto às regras de divulgação institucional e à menção ao apoio público, quando aplicável."
De acordo com publicações no Diário Oficial e processos internos da prefeitura analisados pela Agência Pública, a Secretaria de Cultura justificou que os shows deveriam ser contratados porque seriam "alinhados às políticas culturais do município" e fomentariam a "demanda do gigantesco e importante perfil de consumo de cultura" da música gospel. A pasta também afirma que os eventos seriam abertos ao público, em via pública, "em regiões carentes de atividades culturais".
No entanto, os registros presentes nas redes sociais mostram que os shows foram feitos dentro ou em frente de paróquias ou instituições católicas, com público reduzido. Em pelo menos um dos casos, há indicações de que os participantes tiveram que pagar pelo ingresso.
Procurada, a administração afirmou que não há impedimento na legislação municipal para o apoio institucional a eventos de qualquer matriz religiosa quando atendidos os requisitos exigidos. "O eventual uso de espaços religiosos não descaracteriza uma atividade como cultural", diz.
Notas infladas
A Agência Pública também encontrou inconsistências nas notas fiscais apresentadas pelos artistas para justificar o valor dos cachês. Na maioria dos casos analisados, as notas foram emitidas com poucos minutos ou horas de diferença, e com valores próximos entre si. Também há notas enviadas por pequenas prefeituras e comunidades católicas, mas sem registros públicos de que as apresentações realmente aconteceram. Pelo menos duas notas foram emitidas pelo Instituto Mensagem de Paz, organização social que presta serviço para a prefeitura.
É por meio das notas fiscais que a prefeitura determina o valor que pagará pelos shows. A lei permite que a administração municipal contrate shows sem licitação porque apresentações de artistas não podem ser comparadas entre si em um processo competitivo, como acontece com a compra de produtos ou medicamentos, por exemplo, em que o órgão compra o mais barato. São considerados também aspectos imateriais, impossíveis de quantificar, como o prestígio junto ao público.
Mesmo sem licitação, o órgão público precisa ter alguns parâmetros de controle para que o cachê se mantenha próximo ao valor de mercado. Para isso, os empresários do artista enviam notas fiscais de outras apresentações recentes, e o valor final resulta de uma média aproximada dos valores dessas notas.
Os técnicos da prefeitura deveriam verificar se os shows citados nas notas aconteceram e se estão condizentes com a realidade, mas essa análise não foi mencionada nos documentos das contratações.
Nunes e as conexões com a Canção Nova
O encontro de Carnaval da comunidade Canção Nova de 2023, batizado de Vem Louvar, aconteceu na Paróquia Santa Cândida, no bairro Ipiranga, zona sul de São Paulo.
Ricardo Nunes tem uma história antiga com a Canção Nova. Ele já promoveu uma sessão solene na Câmara Municipal em 2018, quando ainda era vereador, para entregar o título de Cidadão Paulistano aos fundadores da comunidade católica. Recentemente, assinou um decreto mudando o nome de uma rua no bairro do Santana, zona norte, onde fica o centro de evangelização da Canção Nova, para Rua Canção Nova.
No dia 18 de fevereiro daquele ano, sábado de Carnaval, a festa contou com pregações durante o dia e, de noite, shows com os artistas Juninho Cassimiro e Jake Trevisan. Os shows foram descritos nos materiais de divulgação do evento como "uma novidade" na programação. Nenhum deles, porém, mencionou que foram pagos pela prefeitura.
Na plataforma de eventos Sympla, o Vem Louvar é anunciado como "um dia de muita oração e adoração, meditação da palavra de Deus, missa, shows e música". A entrada ocorria mediante a entrega de um quilo de alimento ou produto de limpeza.
A noite estava chuvosa, não muito convidativa para um show ao ar livre. Um vídeo da apresentação de Juninho Cassimiro mostra o espaço esvaziado e pessoas empunhando guarda-chuvas. Jake Trevisan entrou no palco logo depois. Cassimiro recebeu R$ 50 mil da Prefeitura de SP. Jake Trevisan recebeu R$ 244 mil por quatro apresentações em eventos gospel naquele Carnaval – R$ 61 mil por show.
Os empresários de Jake Trevisan enviaram duas notas emitidas no mesmo dia, 13 de fevereiro de 2023, com uma hora de diferença entre elas – às 12h23 e 13h33 – e com valores semelhantes, de R$ 73 mil e R$ 75 mil. Uma delas foi emitida pelo Instituto Mensagem de Paz, que tem contratos com a prefeitura, por um show que iria acontecer apenas dias depois, em 22 de fevereiro. A outra nota foi enviada pela Paróquia Nossa Senhora do Carmo de Croatá, cidade de 17 mil habitantes no Ceará. No entanto, não há registros de apresentação da cantora na cidade.
Em um post no Instagram, Trevisan diz que "foi desafiador encarar o Carnaval amamentando", dois meses depois do nascimento de sua filha, e cita, nos agradecimentos, apenas as paróquias paulistas, sem mencionar a do Ceará. A terceira nota é de um show que ela teria feito em Xambioá (Tocantins) em maio de 2022. No entanto, os únicos registros de suas redes sociais nesse período são de shows em São Paulo e Guarulhos.
Apresentações repetem padrões suspeitos
No retiro da comunidade católica Shalom, da Igreja Shalom de Santo Amaro, na zona sul da cidade, a prefeitura pagou pelos shows de Naldo José e Jake Trevisan em 2023. O evento aconteceu na universidade Ítalo Brasileiro (uma faculdade católica que oferece curso de História ligada à produtora de extrema direita Brasil Paralelo), com entrada gratuita. Nos anúncios das redes sociais e da página da Shalom não há menção ao apoio da prefeitura.
A Shalom pertence à Diocese de Santo Amaro, que Nunes costuma frequentar. Igrejas que pertencem à diocese foram palco de seu primeiro compromisso da campanha eleitoral de 2024, em que foi elogiado pelo bispo, e também do último, na qual o padre pediu para que ele fosse abençoado e que os fiéis digitassem o número de seu partido na urna eletrônica. O prefeito também costuma comparecer a eventos da Shalom de Santo Amaro.
Naldo José foi contratado para três apresentações em 2023 por R$ 165 mil, ou R$ 55 mil por show. Duas notas fiscais apresentadas pela produção do artista foram tiradas no mesmo dia, 17 de março de 2022, com valores de R$ 55,1 mil e R$ 55,4 mil, de eventos que teriam acontecido em Barbalha (Ceará) e Mimoso do Sul (Espírito Santo) em março daquele ano. A terceira nota foi emitida no dia 18 de março pela manhã, referente a um evento em Recife (Pernambuco) no valor de R$ 55,7 mil. Não há registro dos shows citados nas páginas do artista e das comunidades religiosas que supostamente o contrataram.
A Diocese de Santo Amaro disse, em nota, que não adota posição político-partidária. "Eventualmente, pode ocorrer a presença de representantes do poder público ou candidatos de distintas orientações políticas em visitas ou eventos realizados em paróquias e demais ambientes eclesiásticos. Tal fato não deve ser interpretado como manifestação de apoio político, endosso ou vinculação institucional a qualquer candidatura, corrente partidária ou grupo político", diz.
"Qualquer ato ilícito eventualmente praticado, por quem quer que seja, deve ser apurado pelas autoridades legais competentes, cabendo ao responsável as sanções previstas na legislação vigente, nos termos da Lei. A Igreja defende a lisura dos processos e a integridade ética de todos os envolvidos", completa.
A banda Ministério Adoração e Vida, ligada à Canção Nova, foi contratada para duas apresentações no Nova Forma e Carnaval de Paz por R$ 120 mil. Uma das notas é do Instituto Mensagem de Paz, de 11 de janeiro, referente a um show em 6 de dezembro, em Coruripe (Alagoas) – apesar de o Instituto ser sediado em São Paulo. As outras duas notas foram emitidas no mesmo dia, 24 de janeiro de 2023, pelos municípios de Nova Cruz (Rio Grande do Norte) e Salgado (Sergipe). Neste caso, há registros de que as apresentações aconteceram.
O único material de divulgação localizado pela Pública que coloca a Prefeitura de São Paulo como parte da "realização", junto com a Diocese de Santo Amaro, é de um evento que aconteceu em 19 de fevereiro de 2023, na Paróquia São João Maria Vianney. O dia teve shows de Jake Trevisan, Naldo José e Adoração e Vida, além do padre João Batista – o mesmo que pediu votos para Nunes. O banner, porém, só foi encontrado no Instagram pessoal de um dos artistas, e não nos demais canais de comunicação oficiais do evento. Fotos no Facebook mostram que o evento foi dentro da paróquia, e não aparecem menções à prefeitura.
O retiro Nova Forma é ligado à Fraternidade São João Paulo II, apelidada de FSJPII. Ele acontece anualmente durante o Carnaval no Santuário Mãe dos Aflitos, também na Zona Sul. Em 2023, a prefeitura pagou pelo show da banda da própria Fraternidade por R$ 65 mil. Um vídeo divulgado pela instituição mostra que o espetáculo foi interno. Não é possível ver citações à administração municipal.
Há indícios de que os participantes tiveram que pagar para entrar no evento. Em comentários de postagens da época, usuários diziam que estavam "guardando dinheiro". No entanto, não há mais registros públicos de quanto teria sido cobrado. Na edição de 2026 do Nova Forma, ingressos estão sendo vendidos por R$ 90, um dia, ou R$ 150, pelos quatro dias.
As três notas enviadas pela FSJPII para justificar o contrato foram emitidas no mesmo dia, 14 de fevereiro de 2023, com poucos minutos entre elas – 12h08, 12h12, 12h15. Uma foi emitida pela Associação Fraternidade São João Paulo II. As outras são da GBA, produtora de Jake Trevisan, e da Areela, empresa que agencia Naldo José. Os valores têm pouca variação entre eles: R$ 65.050, R$ 65.150 e R$ 65.200, respectivamente.
Diante disso, a assessoria jurídica da Secretaria de Cultura pediu esclarecimentos sobre as notas terem sido emitidas no mesmo dia. O responsável pela empresa Summer Beats, que agencia a banda, respondeu que "as notas foram referentes a eventos realizados no ano de 2022, com assinaturas do contrato e posterior emissão das notas em 2023." A justificativa foi aceita, sem outros questionamentos.
O fundador da FSJPII, padre Ailton Fernandes, pertence à diocese de Santo Amaro. Ele e Ricardo Nunes já fizeram uma live juntos durante a pandemia, em 2020. No vídeo, Fernandes diz que conhece o atual prefeito de "longa data", há pelo menos oito anos, e Nunes diz que tem "um carinho enorme" pelo pároco.
No ano seguinte, a duas contratações feitas pela Secretaria Municipal de Cultura em eventos do Carnaval foram para o retiro Nova Forma, em 13 de fevereiro de 2024. A banda Adoração e Vida recebeu R$ 70 mil e o cantor Naldo José, R$ 50 mil.
Nestes casos, uma área técnica da Secretaria de Cultura chegou a pedir o adiamento do evento para ter mais tempo para análise (os documentos chegaram na mesma semana em que ele aconteceria), mas o pedido foi negado porque acarretaria "prejuízos" e os shows foram realizados mesmo assim. A contratação de Naldo foi confirmada sem sequer o recebimento de notas fiscais naquele ano. Na divulgação, tampouco há menções à prefeitura.
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Strong use of primary documents and anonymous sources, but lacks named primary sources like officials on record.
Specific Findings from the Article (4)
"De acordo com publicações no Diário Oficial e processos internos da prefeitura analisados pela Agência Pública"
Direct analysis of official government documents.
Primary source"Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que a política de fomento à cultura na cidade é "pautada pela lei, pluralidade e transparência""
Official statement from the city government.
Primary source"Pessoas que atuam na Secretaria de Cultura ouvidas pela Pública, na condição de anonimato, dizem ter estranhado o trâmite."
Anonymous sources from within the government.
Anonymous source"A Diocese de Santo Amaro disse, em nota, que não adota posição político-partidária."
Official statement from a religious institution.
Primary sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Clearly presents the allegations and includes responses from the accused parties, though the framing is critical.
Specific Findings from the Article (3)
"Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que a política de fomento à cultura na cidade é "pautada pela lei, pluralidade e transparência""
Includes the government's defense.
Balance indicator"A Diocese de Santo Amaro disse, em nota, que não adota posição político-partidária."
Includes the church's defense.
Balance indicator"No entanto, os registros presentes nas redes sociais mostram que os shows foram feitos dentro ou em frente de paróquias"
Presents counter-evidence to government claims.
Balance indicatorContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides extensive background, financial data, legal context, and historical connections.
Specific Findings from the Article (4)
"custaram R$ 769 mil aos cofres públicos"
Provides total cost figure.
Statistic"Naldo José recebeu R$ 55 mil por show em 2023 – mais do que os pagamentos recebidos pelo veterano da MPB Tom Zé"
Provides comparative financial data.
Statistic"cita o artigo 19 da Constituição, que veda União, estados e municípios de "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los,"
Provides legal and constitutional context.
Background"Ricardo Nunes tem uma história antiga com a Canção Nova. Ele já promoveu uma sessão solene na Câmara Municipal em 2018"
Provides historical/political background on connections.
BackgroundLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Mostly factual and neutral, with a few instances of potentially loaded language describing the allegations.
Specific Findings from the Article (4)
"A Prefeitura de São Paulo pagou por shows gospel em paróquias e comunidades católicas no Carnaval"
Neutral, factual statement.
Neutral language"levantam suspeitas sobre uso da Prefeitura de São Paulo para fins políticos."
Uses the potentially loaded term "suspeitas" (suspicions) to frame the core allegation.
Sensationalist"Notas infladas"
Subheading uses the term "infladas" (inflated), which implies wrongdoing.
Sensationalist"Apresentações repetem padrões suspeitos"
Subheading uses "suspeitos" (suspicious), but is describing an investigative finding.
Neutral languageTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Excellent transparency with clear author, date, methodology, and source attribution.
Specific Findings from the Article (3)
"analisados pela Agência Pública"
Discloses the investigating organization and its analysis.
Methodology"Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse"
Clearly attributes statements to sources.
Quote attribution"Todas as instituições, artistas e empresas citadas foram procurados pela Agência Pública."
Discloses standard journalistic practice of seeking comment.
MethodologyLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; the argument is built systematically with evidence.
Core Claims & Their Sources
-
"The São Paulo city government overpaid for gospel shows in Catholic churches linked to political allies of Mayor Ricardo Nunes, potentially using public funds for political purposes."
Source: Analysis of official documents (Diário Oficial, internal processes), financial records, and social media evidence by Agência Pública. Primary
-
"The contracts violated internal legal advice about maintaining state religious neutrality."
Source: Reference to internal legal assessments from the Secretaria de Cultura's advisory body. Primary
-
"There were inconsistencies in the invoices submitted to justify the performance fees."
Source: Analysis of invoice dates, values, and lack of public records for claimed performances. Primary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (8)
-
P1
"The city paid R$769,000 for gospel shows in 2023/2024 Carnaval."
Factual -
P2
"Singer Naldo José received R$55,000 per show, more than Tom Zé and Karol Conká received."
Factual -
P3
"The legal advisory of the Secretaria de Cultura issued an alert about respecting state secularism."
Factual -
P4
"Contracts required prefecture credits in all publicity, but this did not appear."
Factual -
P5
"Invoices for artists were issued minutes/hours apart with similar values."
Factual -
P6
"Mayor Nunes has a long history with the Canção Nova community."
Factual -
P7
"Because the shows were in churches in the mayor's electoral stronghold causes and lacked required publicity, it suggests political use of public fu..."
Causal -
P8
"Because invoices were inconsistent and not causes properly verified, it allowed for inflated payments."
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: The city paid R$769,000 for gospel shows in 2023/2024 Carnaval. P2 [factual]: Singer Naldo José received R$55,000 per show, more than Tom Zé and Karol Conká received. P3 [factual]: The legal advisory of the Secretaria de Cultura issued an alert about respecting state secularism. P4 [factual]: Contracts required prefecture credits in all publicity, but this did not appear. P5 [factual]: Invoices for artists were issued minutes/hours apart with similar values. P6 [factual]: Mayor Nunes has a long history with the Canção Nova community. P7 [causal]: Because the shows were in churches in the mayor's electoral stronghold causes and lacked required publicity, it suggests political use of public funds. P8 [causal]: Because invoices were inconsistent and not causes properly verified, it allowed for inflated payments. === Causal Graph === because the shows were in churches in the mayors electoral stronghold -> and lacked required publicity it suggests political use of public funds because invoices were inconsistent and not -> properly verified it allowed for inflated payments
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.