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Os dados são do Painel TIC – Integridade da Informação, pesquisa inédita no país lançada na sexta-feira (10) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI). O levantamento contou com a colaboração da Lupa.
O estudo, realizado entre agosto e setembro de 2026 com 5.250 usuários a partir de 16 anos, investigou como os brasileiros consomem e verificam informações na internet, como usam as plataformas e ainda quais são as habilidades digitais para identificar conteúdos falsos ou enganosos, especialmente diante do aumento do uso de inteligência artificial (IA).
Alguns achados chamam a atenção. Um deles é que a percepção de contato com conteúdos manipulados é alta — 41% relataram contato diário com deepfakes (vídeos, áudios ou imagens realistas criados com IA). Foi identificada também uma desconfiança generalizada em relação às fontes: 48% dos usuários afirmaram desconfiar sempre ou na maioria das vezes de informações de veículos de notícias tradicionais.
Embora admitam algum tipo de desconfiança, nem todos conseguem, de fato, distinguir informações verdadeiras de falsas. E isso está diretamente ligada à desigualdade social, de acesso à internet e de escolaridade. O estudo destaca ainda que cerca de um terço das pessoas entende que "não vale a pena", "não faz diferença para a vida" ou "não tem interesse" em pesquisar se as informações recebidas são verdadeiras ou falsas.
Para a coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Renata Vicentini Mielli, o resultado da pesquisa, especialmente em um ano eleitoral e num contexto em que conteúdos são produzidos por IA generativa, traz um alerta às instituições e aos próprios meios de comunicação.
"Os números preocupantes evidenciam a mudança relacionada à forma como as pessoas interagem com conteúdos da internet. Muitas vezes uma informação compartilhada num grupo de trabalho ou da família tem mais valor do que uma notícia publicada por um veículo de imprensa sério".Renata Vicentini Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil
"Os números preocupantes evidenciam a mudança relacionada à forma como as pessoas interagem com conteúdos da internet. Muitas vezes uma informação compartilhada num grupo de trabalho ou da família tem mais valor do que uma notícia publicada por um veículo de imprensa sério".
Os principais achados
O levantamento foi dividido em quatros módulos — 1. Acesso à Informação, 2. Percepções e Confiança; 3. Práticas de Verificação; e 4. Habilidades Digitais — para que fosse possível uma análise mais abrangente sobre o ecossistema informacional brasileiro. Em cada um, os pesquisadores focaram em uma dimensão específica da relação do usuário com a informação.
A Lupa colaborou diretamente no quarto módulo, sobre as Habilidades Digitais e de Discernimento de Informações. A agência contribuiu para o desenvolvimento de um exercício de classificação de conteúdos. Veja quais são os principais achados de cada módulo:
1. Acesso à Informação
As plataformas digitais são o principal meio de acesso à informação. Cerca de 60% dos usuários acessam informações diariamente por aplicativos de mensagem, como WhatsApp. Na sequência se informam nos chamados feeds de vídeos curtos (53%), como TikTok e Instagram, sites de vídeos (50%), como YouTube, e outras redes sociais (46%).
Ao menos 13% dos usuários acessam informações diariamente exclusivamente por redes sociais ou aplicativos de mensagem. Se considerar apenas as classes D e E, percentual sobe para 18%, ou seja, quanto menor a renda, maior o percentual de pessoas que se informam apenas pelas redes sociais. Entre jovens de 16 a 24 anos, o percentual é de 17%.
O uso de IA generativa já é uma realidade, com o ChatGPT sendo utilizado por 47% dos internautas.
2. Percepções, Confiança e Deepfakes
Existe um alto nível de desconfiança: 48% dos usuários afirmam desconfiar sempre ou na maioria das vezes de informações de veículos de imprensa tradicionais.
Já a percepção de contato com conteúdos manipulados e deepfakes é alta e percebida por 41% relatando contato diário com deepfakes.
3. Práticas de Verificação
Há um grande "desengajamento informacional": 34% dos entrevistados concordam que não vale a pena pesquisar a veracidade das informações recebidas e 30% não têm sequer interesse em confirmar. Além disso, 26% acham que a preocupação com fakes é exagerada.
Muitos usuários já sabem que podem gerenciar o que é mostrado a eles nas redes: 76% já bloquearam ou silenciaram perfis e 69% indicaram não ter interesse em conteúdos recebidos.
4. Habilidades e Exercício de Classificação
A maioria dos usuários demonstra dificuldade em compreender o funcionamento algorítmico das plataformas. Por exemplo, 56% acreditam erroneamente que o que faz um conteúdo circular mais é o fato de ser "interessante", em vez de "confiável".
Em um teste prático de identificar informações falsas e verdadeiras, criado com a colaboração da Lupa, apenas 17% atingiram a faixa de melhor desempenho (6 a 8 pontos).
Usuários de 60 anos ou mais (25%), das classes A e B (25%), com ensino superior (22%) e aqueles com perfil informacional mais engajado (33%) se saíram melhor.
Pessoas "muito confiantes" em sua própria capacidade de identificar fakes não tiveram desempenho superior à média no teste prático.
A capacidade dos brasileiros de identificar fakes
Os resultados do Painel TIC – Integridade da Informação 2025 mostram que a capacidade dos internautas brasileiros em identificar o que é falso ou verdadeiro é bastante desigual e fortemente influenciada por fatores socioeconômicos, geracionais e de conectividade.
Com a colaboração da Lupa, a pesquisa aplicou um teste prático de classificação de 24 enunciados (reais e falsos, produzidos por humanos e por IA). Somente 17% dos usuários atingiram a faixa de melhor desempenho (entre 6 e 8 pontos). Já os títulos criados por IA foram mais facilmente identificados (70% de acertos) do que os produzidos por humanos (60% de acertos).
Os pesquisadores chamaram a atenção para o fato de não haver uma correlação direta entre a confiança do usuário e sua capacidade real de identificar fakes. Por exemplo: aqueles que se declararam "muito confiantes" na própria capacidade tiveram um desempenho inferior ao daqueles que se dizem apenas "um pouco confiantes".
Por fim, o estudo destacou que a desigualdade socioeconômica impacta na capacidade de internautas identificarem desinformação. Pessoas com ensino superior (22%) e pertencentes às classes A e B apresentaram melhores resultados em comparação aos usuários com menor escolaridade e das classes D e E. Quem tem o privilégio de uma conexão à internet de qualidade se saiu melhor em relação às pessoas com conexões limitadas.
"A pesquisa está baseada no consenso internacional de que o jornalismo é fundamental. A gente aposta na relevância do jornalismo profissional para ter um ambiente mais plural de informação."Fabio Senne, coordenador de pesquisas do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação – Cetic.br
"A pesquisa está baseada no consenso internacional de que o jornalismo é fundamental. A gente aposta na relevância do jornalismo profissional para ter um ambiente mais plural de informação."
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Editado por Luciana Corrêa e Evelin Mendes
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▸ Source Quality 4/5
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
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Good named source density with research data and expert quotes, but limited primary sources.
Findings 3
"Renata Vicentini Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil"
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Named expert source with credentials.
Named source"Os dados são do Painel TIC – Integridade da Informação, pesquisa inédita no país lançada na sexta-feira (10) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI)."
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"Embora admitam algum tipo de desconfiança, nem todos conseguem, de fato, distinguir informações verdadeiras de falsas."
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Balance indicator"Pessoas "muito confiantes" em sua própria capacidade de identificar fakes não tiveram desempenho superior à média no teste prático."
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Findings 3
"41% relataram contato diário com deepfakes"
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Statistic"48% dos usuários afirmaram desconfiar sempre ou na maioria das vezes de informações de veículos de notícias tradicionais"
Detailed research finding with percentage.
Statistic"O estudo, realizado entre agosto e setembro de 2026 com 5.250 usuários a partir de 16 anos"
Provides methodological background.
Background▸ Language Neutrality 5/5
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Findings 3
"As redes sociais são o principal meio de acesso à informação no Brasil."
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Findings 2
"O estudo, realizado entre agosto e setembro de 2026 com 5.250 usuários a partir de 16 anos"
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Methodology""Os números preocupantes evidenciam a mudança relacionada à forma como as pessoas interagem com conteúdos da internet. Muitas vezes uma inform"
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No logical issues detected; article presents research findings consistently.
Core Claims
"Brazilians have difficulty identifying fake news despite being suspicious of information sources."
Painel TIC – Integridade da Informação research study Named secondary
"Social media is the main source of information for Brazilians, with 60% accessing information daily through messaging apps."
Painel TIC – Integridade da Informação research data Named secondary
"There is no direct correlation between user confidence and actual ability to identify fake news."
Research findings from the study Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (6)
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P1
"41% of users report daily contact with deepfakes"
Factual -
P2
"48% of users distrust traditional news media always or most of the time"
Factual -
P3
"Only 17% of users achieved the best performance range in the fake news identification test"
Factual -
P4
"34% of respondents agree it's not worth researching the veracity of received information"
Factual -
P5
"Socioeconomic inequality impacts the causes ability to identify misinformation"
Causal -
P6
"Digital access and education level causes influence fake news identification skills"
Causal
Claim Relationships Graph
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=== Propositions === P1 [factual]: 41% of users report daily contact with deepfakes P2 [factual]: 48% of users distrust traditional news media always or most of the time P3 [factual]: Only 17% of users achieved the best performance range in the fake news identification test P4 [factual]: 34% of respondents agree it's not worth researching the veracity of received information P5 [causal]: Socioeconomic inequality impacts the causes ability to identify misinformation P6 [causal]: Digital access and education level causes influence fake news identification skills === Causal Graph === socioeconomic inequality impacts the -> ability to identify misinformation digital access and education level -> influence fake news identification skills
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.
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