B
22/30
Good

Novo relator do caso Master, Mendonça lançou livro em homenagem a Toffoli, de quem foi assessor

otempo.com.br By Renato Alves 2026-02-13 704 words
BRASÍLIA – O ministro André Mendonça já lançou um livro com Alexandre de Moraes em homenagem à marca de 10 anos de Dias Toffoli como magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF).

Intitulada "Democracia e Sistema de Justiça", a obra foi publicada em outubro de 2019, quando Mendonça era advogado-geral da União. Na última quinta-feira (12/2), ele substituiu Toffoli na relatoria do caso do Banco Master na Corte.

Leia mais: André Mendonça é escolhido novo relator do caso Master, após Toffoli abrir mão

O livro foi lançado em evento realizado no Salão Branco do STF. A obra possui 44 artigos que abordam temas como colaboração premiada, combate à corrupção, desinformação, inteligência artificial e redes sociais.

Todos os assuntos são tratados sob a ótica das principais decisões de Toffoli, que na época era presidente do Supremo. Ele chegou à Corte em 2009, por indicação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Já Mendonça foi indicado ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) em julho de 2021, para ocupar a vaga deixada por Marco Aurélio Mello, sendo empossado em 16 de dezembro.

Na época, Bolsonaro disse querer um nome "terrivelmente evangélico" no STF. A partir de então, o termo passou a ser usado com muita frequência pelo chefe do Executivo para fazer menção ao nome de Mendonça.

Mendonça cursou teologia em uma faculdade privada de Londrina (PR) para se credenciar como pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil. Atuou como pastor na igreja presbiteriana Esperança, em Brasília.

Em março de 2025 se tornou pastor colaborador na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, que tem o reverendo Arival Dias Casimiro como pastor titular e também o pastor colaborador Hernandes Dias Lopes.

Mendonça não fez campanha pública por Bolsonaro em 2018. Em uma rede social, mostrava entusiasmo com a eleição de Marina Silva, então candidata a presidente pela Rede Sustentabilidade.

Assessor de Toffoli em governo de Lula

Mendonça foi advogado da Petrobrás Distribuidora entre 1997 e 2000. Ingressou, via concurso, na Advocacia-Geral da União (AGU) em 2000. Em 2002, quando Lula foi eleito presidente, escreveu um artigo para o jornal "Folha de Londrina" em que enalteceu o resultado do pleito. Na época, era procurador da União na cidade.

Em 2007, ele assumiu o cargo de primeiro diretor do Departamento de Combate à Corrupção e Defesa do Patrimônio Público da AGU, nomeado por Toffoli, advogado-geral no governo Lula. Toffoli foi advogado do PT.

Como coordenador do Grupo Permanente de Atuação Pró-Ativa da AGU, em 2010, ajudou a recuperar parte dos R$ 169 milhões, os quais seriam usados na construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

Os recursos públicos foram desviados dos cofres públicos. Entre os condenados estavam o juiz Nicolau dos Santos Neto e o ex-senador Luiz Estevão.

Depois, Mendonça foi assessor especial do então ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, de 2016 a 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB).

Já com Bolsonaro presidente, Mendonça exerceu os cargos de advogado-geral da União (de 2019 a 2020 e em 2021) e de ministro da Justiça e Segurança Pública (de 2020 a 2021). Ele substituiu Sergio Moro.

Mendonça está à frente de fundação

Mendonça fundou o Instituto Iter, em novembro de 2023, quando já era ministro do STF. Como revelou o "Estadão", a instituição arrecadou ao menos R$ 4,8 milhões, a maioria proveniente de contratos assinados com instituições públicas entre maio de 2024 e outubro de 2025.

As atividades do Iter, criado como uma empresa de sociedade limitada (Ltda.), só começaram no início de 2024. No mesmo ano, o Iter virou uma S.A. (sociedade anônima de capital fechado).

Peças publicitárias do Iter usam imagens do ministro, que diz que o instituto, além de cursos, se oferece para sediar conversas com autoridades, como um lugar neutro, longe das "influências" em Brasília.

O ministro alega que sua atuação no instituto é "exclusivamente educacional" e está autorizada pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

Toffoli recorreu à mesma norma para defender sua participação em sociedade na empresa que era dona do Resort Tayayá, no interior do Paraná, que fez negócio com uma empresa ligada ao Master.

A revelação do negócio pela imprensa, que em primeiro momento foi negada por Toffoli, levou a uma crise que culminou na sua saída da relatoria.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic