Nove ministros do STF e 12 parentes próximos são sócios de ao menos 31 empresas
O total de empresas pode ser maior, já que sócios ocultos podem ser omitidos de registros públicos. É o caso da participação do ministro Dias Toffoli na empresa Maridt, uma das donas do resort Tayayá, que foi vendido a fundo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A Folha mapeou as empresas ativas em nome dos ministros e de filhos e cônjuges. A conta inclui ainda três empresas nas quais os nomes dos ministros não aparecem no quadro societário, mas em que há indícios de ligação com os magistrados.
Além desses registros, foram encontradas outras três empresas em nome de ex-cônjuges de ministros com separação recente.
A Lei Orgânica da Magistratura permite que juízes integrem o quadro societário de empresas e recebam dividendos, só proíbe que exerçam cargos de administração. Não há essa vedação legal no caso de filhos e cônjuges de ministros.
Em sessão no STF no último dia 5, Alexandre de Moraes defendeu que magistrados sejam sócios de companhias e chamou as críticas de "má-fé".
Toffoli ironizou: "Teria que doar sua herança a alguma entidade de caridade, se ele [juiz] tem um pai ou uma mãe que é acionista de uma empresa ou fazenda". "Vários magistrados são fazendeiros, são donos de empresas", completou.
A Folha contatou os ministros por meio da assessoria do STF, mas eles não responderam. A reportagem procurou filhos e esposas de ministros por email ou telefone, mas só dois comentaram, além de uma ex-cônjuge.
A participação de ministros em empresas privadas, embora permitida, pode ensejar questionamentos sobre suspeição ou conflitos de interesses dos magistrados. A ligação de Toffoli com o resort Tayayá e o Master, revelada pela Folha, foi decisiva para o afastamento do ministro da relatoria do caso.
O fato de ele ter recebido dinheiro de um fundo ligado a Vorcaro levou a PF (Polícia Federal) a apontar elementos de suspeição do ministro.
Toffoli não tem empresas com registros acessíveis publicamente, mas ele admitiu na quinta-feira (12) ser sócio da Maridt, holding que tinha participação no Tayayá.
A advogada Roberta Rangel, sua ex-esposa, tem duas sociedades: a Rangel Advocacia, aberta em 2005, antes da chegada do ministro ao tribunal, e o Ibed (Instituto Brasiliense de Estudos em Direito). Juntas, as empresas somam R$ 20.000 de capital social.
O ministro com o maior número de empresas é Gilmar Mendes. Ele é sócio de seis empresas, direta ou indiretamente.
Uma delas é a Roxel Participações, que tem capital social de R$ 9,8 milhões. A Roxel é sócia de três empresas que integram o grupo do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), além da empresa agropecuária GMF, com capital social de R$ 2,2 milhões, e da Mt Crops, de venda de insumos agrícolas, com capital social de R$ 500 mil.
Seus dois filhos, Laura e Francisco Schertel, também têm empresas. Francisco é sócio do IDP e da Schertel Ferreira Mendes Advogados. Laura tem uma sociedade individual de advocacia.
Além disso, Guiomar Lima, advogada e ex-esposa do ministro, é sócia do escritório Sergio Bermudes. À Folha ela disse que decidiu trabalhar no escritório após ter se aposentado com 32 anos de serviço público, quando trabalhou em vários tribunais superiores. Disse que seus três casos na corte vieram de outras instâncias.
"Nunca atuei no Supremo. Não porque eu tenha algum impedimento legal, mas por respeito à instituição", afirmou. Entretanto, ela não considera errado que parentes atuem no tribunal. "Essa regra é interna minha", justificou. Guiomar e Gilmar se separaram em dezembro.
Alexandre de Moraes não tem empresas em seu nome, mas sua esposa, Viviane Barci, é sócia de três companhias.
Aberto em 2004, o escritório Barci de Moraes tem capital social de R$ 500 mil e conta com dois filhos do casal como sócios.
Outra empresa de Viviane, o Barci e Barci Sociedade de Advogados, foi aberta no dia em que ela foi incluída nas sanções da Lei Magnitsky, 22 de setembro de 2025, e tem capital social de R$ 100 mil.
Viviane e os três filhos também são sócios do Lex - Instituto de Estudos Jurídicos, que promove cursos e tem capital social de R$ 5 milhões. Ao todo, as empresas somam capital social de R$ 5,6 milhões.
O ministro Cristiano Zanin e sua esposa são sócios de duas empresas: a Attma Participações, de gerenciamento de patrimônio, e o Instituto Lawfare, de cursos. Apesar de seguir com o registro ativo, o instituto está com o site e os perfis nas redes sociais desatualizados desde 2022. A Attma tem R$ 260 mil de capital social.
Valeska Zanin, advogada e esposa do ministro, é sócia de outras três empresas ativas, das quais duas são de incorporação imobiliária: Triza Participações e Mito Participações, que somam R$ 1,2 milhão de capital social.
Valeska também é sócia da Zanin Martins Advogados, aberta em 2022. De acordo com o site, o escritório se destaca na "defesa em crimes financeiros".
Kassio Nunes Marques é sócio de duas empresas, a Nunes & Marques Administradora de Imóveis e a Educacional e Capacitação Ltda. As duas são administradas por familiares do ministro e somam capital social de R$ 130 mil.
O filho do ministro, Kevin de Carvalho, tem um escritório de advocacia que leva seu nome, aberto em 2024; e é sócio do IPGT (Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária). As empresas somam R$ 150 mil de capital social. Em nota, a assessoria de Kevin afirmou que "não há nenhuma relação [das empresas] com o ministro".
O ministro André Mendonça e sua esposa são sócios da Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança Global. A companhia foi aberta em maio de 2022, depois de Mendonça ter assumido a cadeira no STF.
Janey Mendonça, esposa do magistrado, já foi sócia do Instituto Iter, que tem participação na Editora Iter. Apesar de o nome dela não constar entre os sócios acessíveis publicamente, o instituto segue comercializando cursos do ministro. O jornal O Estado de S. Paulo noticiou em 2025 que o instituto faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano.
O ministro Flávio Dino é sócio do Idej (Instituto de Estudos Jurídicos), que foi aberto no Maranhão em 2003, com capital social de R$ 10 mil.
Já os ministros Luiz Fux e o presidente do tribunal, Edson Fachin, não têm empresas em seus nomes, mas seus parentes são sócios ou proprietários de companhias.
Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, tem dois registros para o mesmo escritório, o Fux Advogados, que soma R$ 82 mil de capital social. A assessoria do advogado afirmou que ele é o único membro da família que atua no escritório.
Já Melina Fachin, filha do presidente da corte, Edson Fachin, é advogada e tem duas sociedades de empresas. Trata-se da Mahalta Participações, de gestão de imóveis, que tem R$ 720 mil de capital social; e o escritório Fachin Advogados Associados, que foi fundado pelo ministro. Apesar de estar com registro ativo, o site do escritório informa que os sócios "decidiram seguir caminhos próprios".
A outra filha do presidente do tribunal, a médica Camila Fachin, tem duas empresas ligadas à saúde no estado do Paraná: a Anfabi Servicos Medicos e a Empresa Paranaense de Locação de Equipamentos Médicos Para Cirurgia Fetal. As duas somam capital social de R$ 11 mil.
Empresas de ministros do STF e seus parentes
ALEXANDRE DE MORAES
Empresas de parentes
Barci de Moraes Sociedade De Advogados - Esposa e dois filhos
Lex - Instituto de Estudos Jurídicos Ltda - Esposa e três filhos
Barci e Barci Sociedade de Advogados - Esposa e filha
ANDRÉ MENDONÇA
Empresas ligadas ao ministro
Integre Cursos e Pesquisa Em Estado De Direito E Governança Global Ltda - Sócio
Empresas de parentes
Instituto Iter - Esposa foi sócia, e segue vendendo cursos do ministro
Editora Iter - Instituto Iter é sócio
CRISTIANO ZANIN
Empresas ligadas ao ministro
Attma Participacoes Ltda - Sócio
Instituto Lawfare - Sócio
Empresas de parentes
Triza Participacoes Ltda - Esposa
Zanin Martins Advogados - Esposa
Mito Participacoes Ltda - Esposa
DIAS TOFFOLI
Empresas ligadas ao ministro
Maridt Participações S.A - Sócio oculto
EDSON FACHIN
Empresas de parentes
Anfabi Servicos Medicos Ltda - Filha
Empresa Paranaense de Locação de Equipamentos Médicos Para Cirurgia Fetal Ltda - Filha
Mahalta Participacoes Ltda - Filha
Fachin Advogados Associados - Filha
FLÁVIO DINO
Empresas ligadas ao ministro
IDEJ (Instituto de Estudos Jurídicos) - Dinamo Educacional - Sócio
GILMAR MENDES
Empresas ligadas ao ministro
Roxel Participacoes Ltda - Sócio
M&F Armazens Ltda (Mt Crops) - Roxel é sócia
Gmf Agropecuária - Roxel é sócia
Instituto Brasileiro De Ensino, Desenvolvimento E Pesquisa Idp - Ltda - Roxel é sócia
Loja Idp Ltda - IDP é sócio
Idp Cursos E Projetos Ltda - Roxel é sócia
Empresas de parentes
Schertel Ferreira Mendes Advogados - Filho
Laura Schertel Mendes - Sociedade Individual De Advocacia - Filha
LUIZ FUX
Empresas de parentes
Fux Advogados - Filho
Rodrigo Fux Advogados Associados - Filho
NUNES MARQUES
Empresas ligadas ao ministro
Ifs Patrimonial Ltda (Nunes & Marques Administradora De Imóveis) - Sócio
Educacional e Capacitação Ltda - Sócio
Empresas de parentes
Kevin De Carvalho Marques Sociedade Individual De Advocacia - Filho
Iptg - Instituto De Pesquisa E Gestao Tributaria Ltda - Filho
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Good mix of primary documents, named sources, and expert commentary, though some key figures declined to comment.
Specific Findings from the Article (4)
"A Folha mapeou as empresas ativas em nome dos ministros e de filhos e cônjuges."
Original investigative work by the newspaper.
Primary source"Guiomar Lima, advogada e ex-esposa do ministro, é sócia do escritório Sergio Bermudes."
Named source providing direct testimony.
Named source"Em nota, a assessoria de Kevin afirmou que "não há nenhuma relação [das empresas] com o ministro"."
Named source providing official statement.
Named source"A Folha contatou os ministros por meio da assessoria do STF, mas eles não responderam."
Key sources declined to comment.
Anonymous sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Article presents both the legal permissibility and ethical concerns, with quotes from justices defending the practice and acknowledgment of criticism.
Specific Findings from the Article (3)
"Alexandre de Moraes defendeu que magistrados sejam sócios de companhias e chamou as críticas de "má-fé"."
Presents defense of the practice.
Balance indicator"A participação de ministros em empresas privadas, embora permitida, pode ensejar questionamentos sobre suspeição ou conflitos de interesses dos magistrados."
Acknowledges both legality and ethical concerns.
Balance indicator"Entretanto, ela não considera errado que parentes atuem no tribunal. "Essa regra é interna minha", justificou."
Presents personal perspective from a source.
Balance indicatorContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Comprehensive data on 31+ companies, capital social figures, historical context, legal framework, and specific case examples.
Specific Findings from the Article (4)
"Nove ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e 12 parentes diretos são sócios de pelo menos 31 empresas."
Provides core quantitative finding.
Statistic"A Lei Orgânica da Magistratura permite que juízes integrem o quadro societário de empresas e recebam dividendos, só proíbe que exerçam cargos de administração."
Provides legal context.
Background"A Roxel é sócia de três empresas que integram o grupo do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), além da empresa agropecuária GMF, com capital social de R$ 2,2 milhões"
Provides detailed financial data.
Statistic"O jornal O Estado de S. Paulo noticiou em 2025 que o instituto faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano."
Provides additional investigative context.
Context indicatorLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Language is factual and neutral throughout, reporting findings without sensationalism or loaded terms.
Specific Findings from the Article (3)
"Nove ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e 12 parentes diretos são sócios de pelo menos 31 empresas."
Factual, neutral opening statement.
Neutral language"A Folha mapeou as empresas ativas em nome dos ministros e de filhos e cônjuges."
Neutral description of methodology.
Neutral language"A participação de ministros em empresas privadas, embora permitida, pode ensejar questionamentos sobre suspeição ou conflitos de interesses dos magistrados."
Balanced, neutral framing of implications.
Neutral languageTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Clear author attribution, date, methodology description, and specific quote attribution throughout.
Specific Findings from the Article (2)
"A Folha mapeou as empresas ativas em nome dos ministros e de filhos e cônjuges."
Describes research methodology.
Methodology"Toffoli ironizou: "Teria que doar sua herança a alguma entidade de caridade, se"
Clear attribution of direct quote.
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; article presents findings systematically with clear connections between evidence and implications.
Core Claims & Their Sources
-
"Nine Brazilian Supreme Court justices and 12 close relatives are shareholders in at least 31 companies."
Source: Folha's own investigation mapping corporate records Primary
-
"This practice, while legally permitted for justices, raises questions about conflicts of interest."
Source: Journalistic analysis citing legal framework and ethical considerations Named secondary
-
"Justice Dias Toffoli's hidden ownership in a resort company was decisive in his removal from a case."
Source: Folha's previous reporting and current investigation Primary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (7)
-
P1
"13 of the companies are law firms or legal institutes"
Factual -
P2
"6 companies deal with management, purchase, sale and rental of own properties"
Factual -
P3
"Gilmar Mendes has the most companies with six direct or indirect holdings"
Factual -
P4
"Alexandre de Moraes has no companies in his name but his wife has three"
Factual -
P5
"The total capital social of Alexandre de Moraes' family companies is R$5.6 million"
Factual -
P6
"Toffoli receiving money from a fund linked to Vorcaro causes PF pointed to elements of suspicion"
Causal -
P7
"Toffoli's connection to Tayayá resort causes decisive for his removal from case relatorship"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: 13 of the companies are law firms or legal institutes P2 [factual]: 6 companies deal with management, purchase, sale and rental of own properties P3 [factual]: Gilmar Mendes has the most companies with six direct or indirect holdings P4 [factual]: Alexandre de Moraes has no companies in his name but his wife has three P5 [factual]: The total capital social of Alexandre de Moraes' family companies is R$5.6 million P6 [causal]: Toffoli receiving money from a fund linked to Vorcaro causes PF pointed to elements of suspicion P7 [causal]: Toffoli's connection to Tayayá resort causes decisive for his removal from case relatorship === Causal Graph === toffoli receiving money from a fund linked to vorcaro -> pf pointed to elements of suspicion toffolis connection to tayayá resort -> decisive for his removal from case relatorship
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.