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Sumiço do Índio Boa Morte leva Itamaraty a fazer alerta - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Luiz Carlos Azenha 2026-02-14 751 words
Mercenários na Ucrânia

Sumiço do Índio Boa Morte leva Itamaraty a fazer alerta

Nunca tantos brasileiros "sumiram" na Ucrânia quanto agora

Itamaraty considera o brasileiro Wesley Adriano Silva, conhecido como Índio Boa Morte, desaparecido na Ucrânia, apesar de amigos e familiares confirmarem sua morte.

Wesley, que atuava como CEO do Grupo Ares, recrutava brasileiros para a Brigada Khartiia, braço da Guarda Nacional Ucraniana, e teria morrido por fogo de artilharia em Pokrovsk.

O Itamaraty emitiu alerta sobre riscos para brasileiros que atuam como mercenários na Ucrânia, incluindo a possibilidade de processos criminais no Brasil e a não obrigatoriedade de custear o retorno.

Mortes de mercenários brasileiros na Ucrânia aumentaram em 2025, com 23 mortos e 44 desaparecidos desde o início do conflito, segundo o Itamaraty.

Amigos e familiares confirmam que ele morreu, mas até agora o Itamaraty considera que o soldado brasileiro Wesley Adriano Silva, conhecido como Índio Boa Morte, está desaparecido na Ucrânia.

Wesley se apresentava como CEO do Grupo Ares, de inteligência e forças especiais, que organizava um batalhão de brasileiros da Brigada Khartiia, braço da Guarda Nacional Ucraniana.

Recentemente, o presidente da Ucrânia, Volodymir Zelenski, assinou um decreto autorizando homens ucranianos de mais de 60 anos a assinar um contrato com o Exército para lutar contra a Rússia.

É mais uma tentativa de enfrentar o principal problema das linhas de defesa da Ucrânia: a falta de braços.

A Ucrânia faz um esforço internacional para recrutar mercenários. São iniciativas que visam lucro. Um voluntário brasileiro pode receber o equivalente a R$ 25 mil mensais, mas só se aceitar um posto na frente de batalha.

O paraense Wesley serviu ao Exército brasileiro durante 5 anos. Em sua conta no Instagram, anunciou que em abril de 2025 estava rumo a um novo desafio, na Ucrânia.

Em sua última mensagem na conta, ele aparece numa trincheira em Pokrovsk, onde está concentrado um dos pontos da ofensiva de inverno da Rússia. A foto foi publicada com uma mensagem:

No mundo de hoje, você mata ou morre, ou você morre e mata.

No mundo de hoje, você mata ou morre, ou você morre e mata.

Fogo de artilharia

Segundo a família, Wesley teria sido morto por fogo de artilharia.

As mortes de mercenários brasileiros na Ucrânia dispararam em 2025. Foram 12 mortes confirmadas e 34 desaparecidos.

Desde o início do conflito, pela contagem do Itamaraty, são 23 brasileiros mortos e 44 desaparecidos na guerra.

Na semana que passou, o Itamaraty fez um alerta extraordinário aos mercenários, dizendo que o Estado brasileiro não tem a obrigação de custear a viagem de volta e que os soldados da fortuna podem ser processados ao retornar ao Brasil.

A Brigada Khartiia faz um esforço internacional de recrutamento através das redes sociais, especialmente na Colômbia.

Depois da morte de Wesley, o perfil do Grupo Ares anunciou que estava suspendendo o recrutamento.

Sem vínculo?

Na nota, informa que os sargentos Renascido, Bigode, Nikolai, C3 e Índio "não são responsáveis ou vinculados a qualquer processo de recrutamento, formal ou informal".

No perfil, no entanto, até sábado, 14, ainda estava disponível um botão para tratar de recrutamento.

O alerta consular do Itamaraty advertiu:

Os brasileiros alistados em forças estrangeiras poderão ainda estar sujeitos a persecução penal, não apenas em cortes internacionais, mas também no Brasil, com base no art. 7º do Código Penal, que prevê estarem sujeitos à lei brasileira os ilícitos cometidos por cidadão brasileiro – ainda que em território estrangeiro – que, por tratado ou convenção internacional, o Brasil se obrigou a prevenir ou impedir.

Os brasileiros alistados em forças estrangeiras poderão ainda estar sujeitos a persecução penal, não apenas em cortes internacionais, mas também no Brasil, com base no art. 7º do Código Penal, que prevê estarem sujeitos à lei brasileira os ilícitos cometidos por cidadão brasileiro – ainda que em território estrangeiro – que, por tratado ou convenção internacional, o Brasil se obrigou a prevenir ou impedir.

Além de ofertas em dinheiro fantasiosas, há o relato de que soldados da Ucrânia são mandados contra a vontade para o front.

No ano passado, o veterano Tailon Ruppenthal, de 41 anos, que serviu no Haiti, morreu na região de Kharkiv.

O catarinense era operador de drones e não foi para a Ucrânia com o objetivo de fazer combate pessoal.

Uma das prioridades da Rússia na guerra, no entanto, é caçar com seus próprios drones os operadores de drone que ficam na retaguarda das forças ucranianas.

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