B
23/30
Good

'Mercado de previsão' permite apostas sobre quando EUA vão atacar Cuba

operamundi.uol.com.br By Duda Blumer 2026-02-14 1092 words
'Mercado de previsão' permite apostas de quando EUA vão atacar Cuba

Polymarket incentiva usuários a colocar dinheiro na possibi
lidade do governo Trump realizar ofensiva contra ilha socialista e demais eventos da geopolítica mundial

Ao escrever "Polymarket" na busca de navegadores da internet, o usuário se depara com o autointitulado "maior mercado de previsões do mundo". A plataforma, fundada nos Estados Unidos, permite apostas financeiras em uma vasta gama de futuros eventos, alguns deles sobre o destino de outros países, como a possível data em que o governo Trump realizará um ataque contra Cuba.

Com mais de um milhão de dólares (R$ 5,2 milhões) movimentados, o mercado
"Ataque dos EUA a Cuba até…" oferece duas opções ao usuário: que Washignton atacará a ilha socialista até 31 de março ou até 31 de dezembro, cada um com a sua própria probabilidade.

Segundo a plataforma, sem considerar projeções oficiais, há 5% de probabilidade que o ataque ocorra até a primeira data, e 25% até o final do ano. Essas chances são projetadas de acordo com o preço que os apostadores aplicam, ou seja, apenas um resultado da percepção colocada na aposta. Ou seja, na prática, mais usuários acreditam que o ataque pode ocorrer a longo prazo.

Decidida a aposta, o usuário precisa decidir qual cenário ele quer apostar. Se acredita que o governo Trump atacará Cuba até 31 de março deve pagar 5 centavos de USDC [moeda digital estável usada pela plataforma atrelada ao dólar, que equivale ao valor da moeda estadunidense (R$0,26)]. Se não acredita, 96 centavos de USDC (R$5,02). O mercado já recebeu um volume de US$307.610 (R$1,6 milhão) negociados.

Mas se o usuário acha que o ataque pode ocorrer até 31 de dezembro, aplica 25 centavos de USDC (R$1,31). Se acha que não vai ocorrer até a data, aplica 76 centavos de USDC (R$3,97). Este mercado reuniu US$195.967 (R$ 1,02) milhão negociados.

A possibilidade de aposta foi criada dia 4 de janeiro pela Polymarket, um dia após o ataque promovido pelos Estados Unidos contra a Venezuela, no qual o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram sequestrados. Levando em consideração a data da criação do mercado, havia a possibilidade para apostar que o ataque contra Cuba seria realizado até 31 de janeiro, que reuniu US$534.477 (2,78 milhões).

Contudo, como a ofensiva não foi realizada, a Polymar
ket constou o mercado como "resolvido". As pessoas que apostaram que o ataque ocorreria até o final do mês passado, perderam seu dinheiro aplicado, e as que apostaram que não ocorreria, ganharam 1 USDC (R$5,21) por cota comprada na possibilidade — como dita as regras da plataforma em todas as apostas.

A plataforma também permite a venda das cotas, por um valor abaixo do que foram compradas.

Contudo, há regras para o pagamento das apostas, considerando um ataque contra Cuba apenas se "um ataque aéreo, com drones ou mísseis, iniciado pelos EUA em solo cubano for anunciado ou relatado de forma confiável até a data listada, no horário do leste dos EUA".

Para não deixar o usuário apostar "às cegas", a Polymarket oferece um contexto do mercado, gerado po
r Inteligência Artificial (IA). "Não surgiram relatos confiáveis de ataques aéreos, com drones ou mísseis dos EUA contra Cuba na última semana. Persistem as tensões devido ao apoio cubano ao regime de Maduro na Venezuela e à crise migratória, com autoridades americanas como Rubio criticando as alianças de Havana, mas sem sinais de escalada militar. Declarações do Departamento de Estado enfatizaram a diplomacia e as sanções, não ações militares. A mídia estatal cubana minimizou as ameaças americanas em meio a apagões e protestos internos. As probabilidades de um "Sim" nesses mercados giram em torno de 1-2% em todas as datas, refletindo a contenção geopolítica e o foco na Ucrânia/Oriente Médio; qualquer retórica de Trump após a posse permanece verbal, não operacional", diz o resultado gerado após solicitação da reportagem de Opera Mundi.

Com uma
proposta de interação, a Polymarket permite comentários como o de um usuário que, há cerca de um mês comprou 550 cotas (R$ 2.756) que Cuba não será atacada pelos EUA até 31 de março: "Imagine acordar em Cuba e se deparar com essas probabilidades".

A plataforma também oferece uma atividade ao vivo das compras de cotas e um ranking com os maiores proprietários, o qual também permite conferir os seus perfis e históricos de aposta, como é o caso de outro usuário, que tem 8.998 cotas apostadas (R$ 3.274,77) que os EUA vão atacar Cuba até 31 de março.

Mas também há o caso de um proprietário de 62.946 cotas (R$ 245.740) que os EUA não vão atacar Cuba até 31 de dezembro.

Os perfis que apostaram na possibilidade dos EUA atacarem Cuba têm históricos de aposta em outros eventos geopolíticos como "Os EUA ou Israel atacarão o Irã até 28 de fevereiro de 2026?"; "Trump se encontrará com Lula da Silva em 2026?"; "Ataque dos EUA à Colômbia até 31 de março?"; "Será que Trump vai adquirir a Groenlândia antes de 2027?" e "O governo de Maduro sobreviverá a um confronto militar com os EUA?".

A Polymarket ensina o usuário a "comprar ações com a indicação "Sim" ou "Não", dependendo da sua previsão" em situações que a própria plataforma sugere. "Comprar ações é como apostar no resultado. As probabilidades mudam em tempo real conforme outros investidores apostam", explica seu tutorial.

Para fazer a aposta em si, é necessário depositar "fundos na sua conta com criptomoedas, cartão de crédito/débito ou transferência bancária". "E você estará pronto para apostar. Sem limites de apostas e sem taxas", explica a plataforma — que não ganha dinheiro com a perda da aposta do usuário, mas sim uma parte de cada transação, sendo ela "sim" ou "não".

Contudo, nem todo mundo pode apostar pela Polymarket. Na teoria, residentes dos Estados Unidos são impedidos por motivos regulatórios. Porém, é comum que usuários baseados no território norte-americano utilizem VPN's (conexões alternativas).

No chamado "mercado de previsão", a Polymarket, apesar de ser uma das mais conhecidas, não é a única plataforma que oferece tais possibilidades de aposta. A Kalshi, também lançada nos EUA, mas pela fundadora brasileira Luana Lopes Lara, também permite colocar dinheiro em eventos futuros da política, esporte, cultura, clima, tecnologia e geopolítica.

Em proposta similar a da Polymarket, a Kalshi permite que usuários apostem em quando o governo do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, vai cair: antes do dia 1 de março (10% de probabilidade calculada pela plataforma), abril (36%), maio (42%), junho (41%) ou setembro (55%). As pessoas que apostaram em antes de 1º de fevereiro já perderam.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic