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Consultor do governo de MG interrompe rampa de acessibilidade e ainda agride cadeirante - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Julinho Bittencourt 2026-02-15 871 words
Brasil

Consultor do governo de MG interrompe rampa de acessibilidade e ainda agride cadeirante

Crime de discriminação e agressão verbal foi denunciado pela esposa da vítima, chef de um restaurante tradicional de Belo Horizonte

Chef de restaurante em BH denuncia consultor do governo de MG por interromper acesso à rampa e ofender seu marido cadeirante em 12/02.

Após discussão inicial, o agressor invadiu o restaurante da vítima e proferiu novas ofensas capacitistas contra o cadeirante.

A UFMG e a OAB/MG se manifestaram sobre o caso, com a universidade prometendo apuração interna e a OAB oferecendo apoio à vítima.

A chef Juliana Duarte, proprietária do restaurante Cozinha Santo Antônio, em Belo Horizonte, seu marido Pedro, que é cadeirante, e a cuidadora Raquel foram vítimas na última quarta-feira (12), de ofensas, no mínimo, estarrecedoras.

Segundo a chef, um homem, que ela afirma ser professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fez ataques extremamente grosseiros ao seu marido e, sobretudo, ao fato dele ser cadeirante.

"Desculpem, mas preciso interromper a alegria do car
naval para dividir com vocês uma história absurda que aconteceu comigo e com o meu amado Pedro", começa ela. "Na noite de quinta-feira, 12/02 eu e a Raquel, cuidadora do meu marido, mulher, negra, estávamos indo com o Pedro para o restaurante, e como é comum por aqui, tinha um carro parado na faixa de pedestres impedindo o acesso à rampa de cadeirantes. Fui até o bar em frente e identifiquei o proprietário do carro. Pedi que ele retirasse o carro para eu passar com meu marido cadeirante. No caminho eu perguntei: – você não tem vergonha?", descreve ela

O que ocorreu daí em diante é inacreditável: "Ele me respondeu: – Não. Sou escroto, mas vou tirar o carro mesmo assim. Retirou o veículo e ao sair do carro veio em nossa direção e disse: – Tchau cadeirante! Espero que você ande muito por aí", respondeu o sujeito.

Voltou para ofender ainda mais

O episódio teria terminado por aí, mas, segundo Juliana, teve desdobramentos que só pioraram a situação. "As pessoas no bar e nós não acreditamos no que escutamos, mas não falamos nada, nada, apenas seguimos o nosso caminho", prosseguiu ela. "Não satisfeito, às 22:26 este professor da Faculdade de Engenharia da UFMG, cheio de títulos, consultor de projetos internacionais no mundo, consultor do Governo de Minas, Membro do Instituto de Geociências da Austrália, prestador de serviço para todas as mineradoras que atuam em Minas, consultor do Governo de Minas invadiu meu restaurante para me ofender e ofender ao meu marido", conta.

"Entrou altivo e com um sorriso no rosto, achei que iria pedir desculpa, mas ele se aproximou bem perto de mim e disse: – E aí ele voltou a andar? Virou as costas e foi embora. Eu e as meninas que trabalham comigo fomos atrás dele xingando, pena que eu só tinha uma empada na mão, foi o que eu consegui jogar na nuca dele", revela.

Boletim de Ocorrência

A seguir, ela diz ainda ter ido à delegacia na sexta-feira (13), e feito o Boletim de Ocorrência, com as respectivas imagens e testemunhas. "Estou em contato com a nossa querida e respeitada Universidade Federal de Minas Gerais. Se alguém tiver outras ideias para me ajudar, me falem", solicita ainda.

"Essa situação não diz respeito apenas a mim e ao Pedro. Milhões de deficientes físicos passam por isso todos os dias. Isso sem entrar no mérito do cadeirante estar acompanhado de duas mulheres. Será que se fosse um fortão esse sei lá o que teria a mesma coragem???? Não podemos deixar essa história passar! Me ajudem a divulgar!!!", encerra.

Segundo informações, o agressor não é réu primário e possui um c
urrículo extenso, com títulos internacionais e consultorias para o governo e mineradoras.

Nota no Instagram

Na manhã deste sábado (14), ela resolveu divulgar o corrido na conta do Instagram de seu restaurante. A postagem já conta com mais 60 mil curtidas e mais de 8 mil comentários indignados.

Veja abaixo:

Nota da UFMG

Após a postagem e a denúncia na delegacia, a UFMG se manifestou em nota protocolar, afirmando que "a denúncia seguirá a tramitação administrativa na instituição, com rigor na apuração dos fatos, observância dos ritos processuais e adoção de todas as providências cabíveis, na forma da lei.

A nota diz ainda que "a UFMG reitera seu compromisso institucional com a construção de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa, na qual não há espaço para práticas discriminatórias ou violadoras de direitos".

Veja abaixo:

Nota da OAB

Já a Comissão Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/MG manifestou "seu apoio a Pedro e à sua família diante do episódio capacitista que vivenciaram ao reivindicarem algo básico: o direito de ir e vir com dignidade".

"Nos solidarizamos com Pedro e sua família, reafirmamos nosso compromisso com a defesa intransigente dos direitos das pessoas com deficiência e colocamo-nos à disposição para as providências cabíveis. O mínimo precisa ser respeitado. Sempre", diz ainda a nota.

Veja abaixo:

A identidade do suspeito de agressão não foi divulgada até o momento, portanto, não há como pegar o seu lado da história. O espaço segue aberto.

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