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Assassinato de Camilo Torres completa 60 anos com incerteza sobre destino de restos mortais - Brasil de Fato

brasildefato.com.br By Leonardo Fernandes 2026-02-15 364 words
Há exatos 60 anos, em um 15 de fevereiro de 1966, uma das maiores referências da luta armada latino-americana era morto em um confronto contra soldados do governo colombiano: Camilo Torres. Neste dia, o sociólogo e padre guerrilheiro entrou para as estatísticas e se somou aos milhares de desaparecidos, resultado de décadas de violência.

Camilo Torres Restrepo nasceu em uma família rica de Bogotá no ano de 1929 e ainda jovem ingressou ao seminário para estudar teologia, consagrando-se sacerdote mais tarde. Estudou na Bélgica, onde se formou em sociologia.

De volta a Colômbia, o começo da década de 1960, ajudou a fundar a Faculdade de Sociologia da Universidade Nacional. Sua atuação buscava unir a religião com o esforço para melhorar a vida dos mais pobres. Ele defendia que o carinho pelo próximo deveria ser um "amor eficaz", focado em resultados práticos para mudar a sociedade.

O religioso organizou a Frente Unida para buscar transformações sociais sem o uso de armas. Devido ao seu posicionamento político, passou a ter embates com a Igreja Católica, que chegou a ordenar que ele parasse com os discursos públicos.

Camilo pensava que "a revolução não somente está permitida, como deveria ser obrigatória para os cristãos". Convencido de que as vias legais estavam bloqueadas, ingressou no Exército de Libertação Nacional (ELN) em 1965.

Sua experiência como combatente foi breve e seu assassinato ocorreria um ano após se alistar às fileiras da guerrilha.

Restos mortais

Todo o esforço dos sucessivos governos da Colômbia para ocultar o paradeiro de seu corpo não impediu que Camilo Torres se tornasse um ícone da resistência latino-americana e um mártir do povo colombiano.

A busca pelos restos mortais do sacerdote guerrilheiro foi iniciada oficialmente em 2019, pela Unidade de Busca de Pessoas Dadas por Desaparecidas (UBPD). Em janeiro deste ano, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, confirmou a descoberta e início do processo de confirmação da identidade de ossadas que podem ser de Torres.

À época, Petro disse que o corpo será "respeitado e depositado com honras como fundador da Faculdade de Sociologia da Universidade Nacional e como fundador da Teologia da Libertação no mundo. Sacerdote e revolucionário", escreveu o presidente colombiano em uma rede social.

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