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Caso Toffoli: jurista diz que relatório da PF deve ser respeitado

revistaoeste.com By Eugenio Goussinsky 2026-02-16 532 words
A nota do Supremo Tribunal Federal (STF) que retirou o ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, mantendo o apoio ao magistrado, foi criada em meio a um clima de críticas à Polícia Federal (PF). A entidade enviou ao presidente da Casa, Edson Fachin, um relatório com menções a Toffoli nas investigações, mas não sugeriu a suspeição do ministro.

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Toffoli admitiu, em seguida, que uma empresa com a participação dele, a Maridt, vendeu sua parte do resort Tayayá a um fundo ligado ao escândalo do Master. O gabinete do ministro negou, em nota divulgada na quinta-feira, 12, qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro, dono do banco. Também descartou qualquer irregularidade do ministro.

Independentemente do fato de o ministro Flávio Dino, amigo de Toffoli, ter definido ou não o relatório como "lixo jurídico", uma coisa é certa, na opinião do jurista Alexandre Rollo, mestre e doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e conselheiro estadual da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP): relatório da PF não pode ser desrespeitado.

"Mesmo sem ler o relatório em questão, eu digo que todo e qualquer relatório da PF deve ser respeitado", afirmou ele. Toda essa situação, que acabou levando a relatoria para o ministro André Mendonça, segundo o advogado, mistura questões políticas e jurídicas.

"Mistura, sim, porque essas situações envolvem altas autoridades da República, muito provavelmente até dos três Poderes. Vai aparecer muita coisa ainda, então acaba havendo uma mistura do jurídico com político", ressaltou o advogado.

"É jurídico porque pode haver crimes que estão sendo apurados nesse inquérito da Polícia Federal, que podem desembocar numa ação penal", disse Rollo. No entanto, segundo ele, as investigações também devem atingir a esfera política. "Tem político também porque há muita gente envolvida, ao que tudo indica. Estamos em investigações, há muitas pessoas envolvidas, possivelmente dos três Poderes."

STF e o alívio da pressão no caso Toffoli

Rollo considera que a decisão do STF de redigir a nota foi uma forma de a Corte se preservar, diante do aumento da pressão. Até mesmo ministros que não concordaram com a conduta de Toffoli – de ser o relator mesmo havendo a possibilidade de envolvimento em questões ligadas ao investigado – optaram pela nota, que elogiou o trabalho do ministro, para não expor a instituição.

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"Não acredito que tenha havido contradição [em tirar Toffoli da relatoria e elogiar sua conduta], porque, na verdade, o que eles fizeram foi uma defesa institucional", observou o jurista. "Como o STF estava sangrando, eles preferiram fazer essa defesa institucional, mudando o relator, mas deixando claro que, na opinião deles, o ministro Toffoli não teria feito nada de errado ou prejudicial, e que teria acatado todas as determinações ou os requerimentos, da PF e da Procuradoria-Geral da República."

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

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