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Carnaval BH: Bloco Tico Tico anima bairro Novo Aarão Reis

otempo.com.br By Igor Veiga 2026-02-15 509 words
A rotina comum de uma tarde de domingo no bairro Novo Aarão Reis, na região Norte de Belo Horizonte, foi atropelada por centenas de foliões fantasiados, de meia-rastão, chapéu e glitter. Trata-se do desfile do tradicional bloco Tico Tico Serra Copo, cujo lema é ocupar os espaços periféricos e militar pela causa ambiental, o bairro é cortado pelo Ribeirão do Onça que, apesar de poluído, abriga a maior cachoeira localizada em uma capital brasileira (cerca de 35 m).

Enquanto os foliões desciam animados rumo ao espaço mais próximo da bateria, moradores observavam, curiosos, das calçadas e janelas. "Não sabíamos que ia ter bloco aqui e, de repente, todo esse movimento. É bom, sim. Eles movimentam o bairro. Sendo na paz, é bom", comentou Adriano Oliveira, de 40 anos, que aproveitou a circulação de foliões para abrir uma cerveja na calçada, ao lado da família.

Para ele, a única pena foi não ter podido se preparar para o cortejo no próprio bairro, enxergando ali uma oportunidade de vender bebidas. "Era uma chance para os moradores colocarem barraca, vender comida, essas coisas…", completou.

Esse é o mesmo sentimento do jardineiro José Ricardo, de 61 anos. Ele abriu o portão de casa e passou a oferecer água aos foliões que chegavam direto de outro bloco. Não cobrava nada, mas pensou que poderia ter transformado o movimento em renda, vendendo bebidas ali mesmo, em casa. "Não sabia disso, não. Ninguém me falou!", disse.

"Moro aqui. Se soubesse, estava ganhando dinheiro. Podiam ter colocado uma placa no bairro, a prefeitura poderia ter divulgado melhor", continuou, momentos antes de entregar mais um copo d'água a um carnavalesco.

Os cochichos de "não sabia" entre moradores contrastavam com alguns "está no Instagram", ditos pelos mais jovens das famílias. Uma moradora, que preferiu não se identificar, passou a cobrar R$ 5 pelo uso do banheiro de casa. "Já está dando fila. Vai render um dinheiro", comentou a vizinha.

Para os foliões, a troca foi vista como uma retomada das origens da ocupação do Carnaval de rua em BH e uma alternativa aos grandes desfiles da região Central. "Essa é uma consequência de um Carnaval que já reúne mais de 6 milhões de pessoas. Naturalmente, precisa descentralizar. O nosso Carnaval quer atingir não só quem já tem acesso à festa, mas também quem está afastado do Centro. A folia acessível é para todo mundo", afirmou o empresário Arthur Daniel Fiorini, de 38 anos.

Fã do Carnaval de rua, Arthur vê o encontro com os moradores do Novo Aarão Reis como uma via de mão dupla. "Se é uma festa acessível e respeitosa, vira oportunidade para eles participarem conosco ou fazerem renda. Por outro lado, não vamos prejudicar a comunidade. Não vamos fazer xixi na rua nem causar confusão", disse.

O Tico Tico carrega a tradição de ocupar espaços públicos e promover transformação social por meio da arte, tendo participado do movimento de retomada do Carnaval de rua na capital há cerca de 16 anos. Neste domingo (15/2), o bloco percorre o Novo Aarão Reis até a chegada à cachoeira.

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