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EUA: Republicanos e democratas divergem sobre política externa de Trump

operamundi.uol.com.br By Raissa Neves 2026-02-16 635 words
EUA: Republicanos e democratas divergem sobre política externa de Trump

Segundo governador da Califórnia, Gavin Newsom, 'nunca n
a história dos EUA houve um presidente mais destrutivo' do que o atual ocupante da Casa Branca

Na 61ª Conferência de Segurança de Munique (MSC), as críticas mais contundentes ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, partiram não de líderes europeus, mas de integrantes da própria delegação norte-americana.

O evento, que ocorre entre os dias 14 a 16 de fevereiro, marcou a insatisfação de republicanos que demonstraram desconforto com os rumos da política externa e comercial do governo, sinalizando brechas internas no partido do atual mandatário dos Estados Unidos.

Por sua vez, os democratas aproveitaram a conferência que é conhecida por ser o maior encontro do mundo sobre desafios de política externa e de segurança para se distanciar de Trump e reforçar a necessidade de uma resposta coordenada da Europa às decisões de Washington.

A ex-secretária de Estado do governo Trump, Hillary Clinton, defendeu que a Europa pode neutralizar a chamada "imprevisibilidade estratégica" por meio de resistência e coordenação consistente entre aliados.

Ainda segundo ela, no caso da Groenlândia, a resistência "funcionou porque uma massa crítica de nossos aliados disse 'não', e não 'vamos negociar'". Clinton alertou que não devemos duvidar dos planos de Trump, e sim descobrir como impedi-lo de agir.

Vale ressaltar que o mandatário norte-americano vem ameaçando anexar a Groenlândia, um território autônomo rico em minérios pertencente à Dinamarca, alegando que controlar a ilha é crucial para a segurança nacional dos Estados Unidos.

'Mais destrutivo'

Segundo o jornal britânico The Guardian, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, acusou Trump de "intensificar suas estupidezes", colocando em evidência que "nunca na história dos Estados Unidos houve um presidente mais destrutivo do que o atual ocupante da Casa Branca, em Washington".

"Ele está tentando recriar o Século 19. Ele atua como uma subsidiária integral das grandes empresas de petróleo, gás e carvão", afirmou.

Na sequência, Elissa Slotkin, senadora democrata por Michigan, afirmou que os Estados Unidos estão "passando por um momento difícil. Alguém não está percebendo isso?". Ela ressaltou que os Estados Unidos devem proteger a segurança da Europa, punir a Rússia economicamente e impedir que Putin aumente sua influência global.

"A questão fundamental [para a agenda em Munique] é se vamos exercer mais pressão sobre Vladimir Putin – e como estamos numa situação caótica internamente, não sabemos a resposta para essa pergunta… e se continuarmos nesse ciclo vicioso, só prolongaremos a dor e o sofrimento na Ucrânia", disse Elissa.

Groenlândia

O membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Alexandria Ocasio-Cortez, apresentou pela primeira vez sua visão de política externa, afirmando que os americanos estão chocados com a destruição promovida por Trump nas relações com os aliados europeus, disse ela.

"Suas ameaças sobre a Groenlândia não são uma piada. Não têm graça; ameaçam a própria confiança e as relações que permitem a persistência da paz. Posso afirmar categoricamente que a grande maioria do povo americano não quer ver essas relações deterioradas e está comprometida com nossas parcerias e aliados".

No entanto, a oradora determinou não retornar ao passado: "não sei se estamos em uma ordem pós-regras. É possível que estivéssemos em uma ordem pré-regras e agora temos a oportunidade de explorar como seria o mundo se defendêssemos os direitos humanos, a democracia e um comércio que realmente priorize a classe trabalhadora, em vez de beneficiar esmagadoramente os mais ricos".

O republicano Thom Tillis alertou que as tarifas baseadas na lei econômica causariam danos. "Surpreendentemente, ele também desafiou Lindsey Graham, um dos aliados republicanos mais próximos de Trump, que recentemente disse: 'quem se importa com quem é o dono da Groenlândia?'".

Tillis afirmou que "os 85 mil indígenas da Groenlândia não se importam com quem é o dono da Groenlândia e, no fim das contas, precisamos demonstrar respeito".

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