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PT diz que ‘não há fundamento jurídico’ para discutir inelegibilidade de Lula por desfile no Rio

otempo.com.br By O TEMPO Politica 2026-02-16 678 words
BRASÍLIA - O departamento jurídico do Partido dos Trabalhadores (PT) reagiu às iniciativas da oposição de buscar medidas contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por conta da homenagem ao presidente da República no Carnaval do Rio de Janeiro.

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De acordo com o partido, não houve propaganda eleitoral antecipada e "não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade" de Lula por conta do desfile. A posição foi manifestada em nota divulgada nesta segunda-feira (16/2).

Lula foi homenageado pela Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí no domingo (15/2). O samba-enredo "Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil" retratou a história do petista e alegorias fizeram alusões políticas, além do campo pessoal relacionado ao presidente.

A situação gerou alerta no entorno de Lula. Houve uma preocupação sobre o limite da homenagem com o risco eleitoral, e recomendações expressas da Presidência da República e do PT. Isso, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avisou que eventual conduta irregular poderia ser julgada em algum momento.

No comunicado, o jurídico do PT afirmou que o enredo apresentado é uma manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural, plenamente assegurada pela Constituição Federal.

"A concepção, desenvolvimento e execução do desfile ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação, financiamento, coordenação ou qualquer ingerência do Partido dos Trabalhadores ou do presidente Lula", alegou.

Os advogados da sigla afirmaram ainda que há jurisprudência firme do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE "no sentido de que manifestações políticas e culturais espontâneas de artistas constituem exercício legítimo da liberdade de expressão, inclusive em contextos eleitorais e em eventos públicos".

Por isso, não há configuração na lei de propaganda eleitoral antecipada "a mera exaltação de qualidades pessoais de agente político, sobretudo quando realizada por terceiros e sem pedido explícito de voto, elemento indispensável para caracterização de irregularidade eleitoral, inexistente no caso".

A legenda lembrou que liminares foram concedidas pela Justiça Eleitoral permitindo o uso do samba-enredo na homenagem. "À luz desses elementos, não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio", frisou.

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O PT destacou ainda que "atua em estrita observância" à lei e que orientou previamente os filiados e apoiadores sobre as regras aplicáveis no período de pré-campanha eleitoral. "O Partido reitera seu respeito às instituições e à Justiça Eleitoral, confiante na prevalência da Constituição, da liberdade artística e da segurança jurídica", finalizou.

Ações da oposição

A oposição atua em várias frentes em busca de punição a Lula pelo contexto da homenagem. Ações na Justiça foram anunciadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República em campo oposto ao de Lula, e pelo partido Novo, que alegam abuso de poder político e econômico além de propaganda antecipada.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou que irá protocolar representação no Ministério Público por improbidade administrativa contra Lula e a Acadêmicos de Niterói. O parlamentar também avisou que agirá contra a candidatura de Lula se esta for registrada na Justiça Eleitoral.

A cúpula do Partido Liberal também prepara uma ação. A sigla diz que o desfile "materializou uma série de ilícitos eleitorais que merecem responsabilização"porque "a escola, patrocinada com dinheiro público, promoveu verdadeiro discurso político de exaltação da imagem do pré-candidato Lula".

Além disso, acusou que houve "inaceitável ataque à imagem" do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), "presente em diversas alas e alegorias da escola, em claro desvio de finalidade, com inequívoca conotação eleitoral e com a indevida construção da narrativa 'bem x mal', que sempre marcou as campanhas eleitorais do PT".

"O uso de conhecido jingle de campanha, a menção repetida ao número de urna, a existência de ala com o símbolo do partido, a exploração de promessas de campanha, a exaltação do governo, e o tratamento depreciativo de segmentos da sociedade vinculados à oposição revelam a evidente conotação político-eleitoral da escola, num precedente exótico e inédito", acusou o PL.

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