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Tensão com Kassab e pressão do PL travam costuras de Tarcísio em SP

metropoles.com By Vinicius Passarelli 2026-02-18 1236 words
Tensão com Kassab e pressão do PL travam costuras de Tarcísio em SP

Tarcísio tem pressão do PL e de Gilberto Kassab sobre escolha do vice da chapa, mas mantém preferência em manter atual ocupante

atualizado

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A tensão com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, e a pressão do PL pela vaga de vice têm sido os principais fatores de impasse na que ameaçam atrasar a montagem da chapa para a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.

Enquanto o governador tem manifestado intenção de manter para a disputa seu atual vice, Felício Ramuth (PSD), Kassab insiste em ser ele próprio a ocupar a vaga, visando à cadeira no Palácio dos Bandeirantes em 2030, quando Tarcísio pode deixar o cargo para a disputa da Presidência da República.

Além disso, Kassab, que também é secretário de Governo e Relações Institucionais do governo paulista, tem incomodado outros partidos da base, além do próprio Tarcísio, diante do movimento do PSD para filiar quadros de outras legendas aliadas. Recentemente, o cacique anunciou a filiação de sete deputados com mandatos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), sendo seis do PSDB.

Ao longo do mandato, o PSD absorveu uma série de prefeitos do interior eleitos em outros partidos, especialmente ex-tucanos. A estratégia gerou críticas no entorno de Tarcísio de que Kassab se utilizou da função da sua pasta no governo, voltada à articulação política com prefeitos e deputados, para fortalecer o próprio partido.

Outra frente de desgaste entre Kassab e o núcleo duro de Tarcísio foi a dificuldade na relação entre ele e o então chefe da Casa Civil, Artur Prado, que no mês passado foi transferido para a secretaria de Justiça.

Neste cenário de crise entre Kassab e Tarcísio, o PSD pode perder espaço na chapa principal. Diante disso, Felício Ramuth não descarta mudar de partido para se manter no posto de vice. O próprio Tarcísio já indicou a interlocutores a possibilidade desse movimento.

O vice-governador deve se reunir até o final do mês com Kassab para tratar do tema. A aliados, ele tem defendido que o PSD coloque os dois nomes – ele, Ramuth, e Kassab – como opções para o governador escolher. Caso Kassab se imponha, Ramuth deve iniciar conversas com outras legendas.

Pressão do PL

Em outro flanco, porém, tem o PL, que também reivindica a vaga. O partido busca viabilizar como vice da chapa o presidente da Alesp, André do Prado. Além da pressão exercida pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, Prado também conta com o endosso dos deputados que formam a base de Tarcísio no Legislativo paulista.

O "bloco" de Prado coleta assinaturas de uma carta em apoio ao pupilo de Valdemar para a vice. O documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, cita o papel do Parlamento paulista em vitórias do governador, como a privatização da Sabesp e o Rodoanel Norte.

A carta ainda diz
que, "apesar das diferenças naturais do Parlamento, compartilham respeito, consideração e confiança na liderança do presidente André do Prado", elogiando o "perfil conciliador" do chefe da Alesp.

Nos bastidores, alguns aliados enxergam com bastante otimismo a chance de Prado conseguir a vaga, mesmo sabendo que Tarcísio tem preferência por Ramuth.

Integrantes do PL argumentam que o partido é a principal legenda da direita do País e que, portanto, é natural que tente emplacar nomes nas chapas nos principais estados, entre eles São Paulo, o maior colégio eleitoral.

Em diversos momento durante o mandato de Tarcísio, o PL tentou levar o governador para os seus quadros, mas o mandatário paulista preferiu se manter no Republicanos. O movimento visava principalmente à eventual candidatura de Tarcísio à Presidência, mas também mantinha a ideia de o governador tentar a reeleição pelo PL.

Deputados estaduais do PL também afirmam que o partido tem a maior bancada da Alesp e, portanto, é quem possibilitou a governabilidade de Tarcísio. Diante disso, teria o direito de ter a vice. A interlocutores, no entanto, o chefe do Palácio dos Bandeirantes tem dito que o PL "não pode ter tudo".

Em recado à legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, Tarcísio também já lembrou do fato de estar apoiando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, quando questionado sobre as pretensões do PL em São Paulo.

"Vamos tomar essa decisão em conjunto. Obviamente, o PL é um partido superimportante para nós. É óbvio que a gente tem que ver também que nós vamos estar apoiando o candidato à Presidência da República do PL. Isso tem um significado", lembrou durante entrevista em agenda no dia 4 de fevereiro.

Diante da indefinição, partidos como o MDB também estão de olho na vaga. Em reunião com o governador no inicio do mês, o presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, tratou do assunto e acenou com o desejo do MDB.

Ao Metrópoles, o presidente estadual da legenda, Rodrigo Arenas, reforçou a intenção do MDB em participar da montagem da chapa prioritária em São Paulo.

"O MDB-SP tem uma relação sólida com Tarcísio, construída a partir do segundo turno de 2022. Nossa base quer manter esse apoio em 2026. Entendemos que podemos colaborar na discussão sobre as vagas da chapa majoritária. Por isso, de fato, colocamos o MDB como opção para a vaga de vice-governador", disse o dirigente.

Chapa para o Senado

Nas contas dos partidos da base, o PL já teria o seu espaço na chapa com a indicação de um nome para a disputa ao Senado, na vaga que originalmente era de Eduardo Bolsonaro (PL). A sigla, por meio de seus interlocutores, propagandeia 6 nomes, concorrendo com 1 do PSD, que pode deixar o partido, e 1 do PP no banco de apostas até o momento.

O ex-deputado federal tem defendido nomes de aliados seus, como o deputado estadual Gil Diniz (PL), os deputados federais Mario Frias (PL) e Marco Feliciano (PL) e a vereadora Sonaira Fernandes (PL), sua ex-assessora. Aliados do clã afirmam que, no fim, a escolha caberá a Bolsonaro, que mesmo preso em Brasília mantém conversas com os filhos e aliados sobre a montagem das chapas para a eleição.

Tarcísio, por outro lado, defende que esse nome seja de perfil mais moderado e tem externado a interlocutores que teme que a direita fique sem nenhuma das duas cadeiras do Senado em disputa neste ano caso insista em dois nomes bolsonaristas.

Uma das vagas deve ser do deputado e ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP).

Na avaliação do governador, caso a esquerda e o PT entrem na disputa com nomes considerados mais "centristas", como Simone Tebet (MDB), Marina Silva (Rede) ou mesmo Fernando Haddad (PT), a chapa lulista teria chances de fazer as duas cadeiras.

Alguns nomes ventilados entre aliados de Tarcísio para a corrida são a deputada federal Rosana Valle (PL), nome preferido da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), e o deputado federal Cezinha de Madureira (PSD), este último em conversas com o PL, visando justamente à candidatura ao Senado.

Ainda de acordo com aliados do grupo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) defende que o nome para concorrer à Casa, ao lado de Derrite, seja evangélico: além de Feliciano, Sonaira e Cezinha, outro da bancada evangélica que tem o nome citado é o deputado federal Gilberto Nascimento (PL).

Publicamente, Tarcísio afirma que essa escolha ficará para os próximos meses, perto do prazo da definição das chapas, e que terá como principal critério o desempenho dos postulantes nas pesquisas de intenção de votos.

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