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Carnaval é resistência: Benfica reúne foliões e diversidade

opovo.com.br By Luciana Cartaxo; Maria Clara Moreira; Luciana-Cartaxo--Maria-Clara-Moreira 2026-02-17 1166 words
Benfica mistura festa, política e diversidade no Carnaval

Resumo

Participantes que acompanham a festa desde sexta-feira destacam a animação contínua e a circulação por diferentes polos da Cidade.

Para os entrevistados, o Carnaval representa alegria, resistência, juventude e espaço de expressão coletiva.

Momentos como o coro em "He-Man", do Trem da Alegria, reforçam o clima de nostalgia e empolgação nas ruas do bairro.

O bairro Benfica registra intensa movimentação neste Carnaval. Mesmo sob calor forte e clima abafado típico de pré e pós-chuva, foliões ocupam as ruas desde a sexta-feira, 13, mantendo a animação ao longo dos dias.

O ambiente mistura fantasia, discurso político, celebração coletiva e referências culturais que atravessam gerações.

A atmosfera no bairro é marcada por falas sobre diversidade, resistência e pertencimento. Em meio à programação, músicas conhecidas embalam o público.

Quando "He-Man", do Trem da Alegria, tocou, a reação foi imediata: foliões cantaram em coro, em um dos momentos de maior empolgação da noite.

"Dançar é terapia", diz folião que brinca desde sexta-feira

Gerardo Pessoa, 63, acompanha o Carnaval desde o início da programação. Ele conta que está nas ruas desde sexta-feira e que, ao longo dos dias, circulou por diferentes espaços da Cidade, incluindo o Teatro do bairro José Walter. Nesta noite, escolheu o Benfica como destino.

"Cinco dias já que eu venho", afirmou. Questionado sobre a escolha pelo bairro, resumiu: "Aqui é diversidade total".

Fantasiado, ele explica que não repete figurino. "Todo dia eu faço diferente. Eu invento na hora", disse. Segundo ele, até mesmo a fantasia camuflada usada em um dos dias foi criação própria.

Para Gerardo, o principal motivo para participar da festa é simples e direto. "É dançar, dançar, dançar. É uma terapia para mim", declarou, destacando o Carnaval como espaço de bem-estar e liberdade.

"O Carnaval habita nossas existências"

Dora Lima, 59, define o Carnaval como algo permanente. "Nós temos alma carnavalesca. O Carnaval habita nossas existências", afirmou.

Para ela, a festa é democrática e carrega significado político e simbólico. "Carnaval é a festa da alegria, da ousadia, da resistência", disse. Em meio à entrevista, reforçou mensagens que considera centrais neste momento: "Amor e paz. O amor vence o medo".

Ao explicar por que escolheu o Benfica, destacou a identidade histórica e afetiva do bairro. "É um bairro histórico, da boemia, da troca de afetos. É um bairro que agrega valores comunitários. É o bairro da felicidade", afirmou.

Entre frases estampadas e intervenções urbanas vistas ao longo da noite, ela também citou palavras de ordem que circulam entre grupos de foliões, como "Mexeu com uma, mexeu com todas" e "Preta poderosa", reforçando o caráter político que, para ela, marca o Carnaval no bairro.

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"Carnaval é juventude, alegria e revolução"

Ana Cristina, 45,
também participa da programação desde o primeiro dia de Carnaval. Frequentadora do Benfica neste período, ela explica que nesta noite pretende circular por outros polos da Cidade, incluindo a Mocinha e a Praia de Iracema.

Para ela, o significado do Carnaval vai além da folia. "Carnaval é juventude, alegria, política, revolução", declarou, associando a festa a um espaço de expressão coletiva.

Ela não descarta estender a programação caso haja atividades também no dia seguinte. "Se tiver amanhã, ainda tem", disse.

"Carnaval é amor e paz", diz frequentadora assídua do Benfica

Ângela Maria Leite Pereira, 75, é presença certa no Carnaval do Benfica. "Sempre comemoro. E sempre venho aqui para o Benfica. É o meu lugar, Benfica", afirmou.

Para ela, a festa carrega um significado simples e afetivo. "O Carnaval é amor, é paz, é coisa gostosa da nossa vida", resumiu.

Aos 75 anos, Ângela reforça a relação de pertencimento com o bairro, que escolhe todos os anos como destino durante o período carnavalesco.

Rogério Marcio, 36, jornalista que trabalha em órgão público, e Hermínia Vieira, 38, participam juntos da programação. Amigos, eles contam que manter a tradição das fantasias faz parte da experiência.

"É um momento também para extravasar", disseram. Segundo eles, a fantasia é quase regra: "A gente sempre passa o ano fantasiado".

Neste ano, já saíram como Power Rangers: ele de Ranger vermelho e ela de Ranger rosa. Nesta noite, integram a "turma do Chaves": além dos dois, que foram de Chiquinha e de Quico, o grupo conta com personagens como Seu Madruga e Chaves, que estão espalhados pelo bairro e devem se reencontrar ao longo da programação.

Para Rogério, o Carnaval é mais do que diversão. "É alegria, é um movimento de cultura, de resgate. É um período no ano para viver realmente alegria, democracia. É uma festa popular, democrática", afirmou. Ele ainda destacou a dimensão nacional da celebração: "É uma festa única no País. Carnaval é próprio do Brasil".

Dos quatro dias de folia, o grupo tirou apenas um para descansar. Nos demais, esteve nas ruas.

Noivos celebram tradição de fantasias e acompanham blocos desde quinta-feira

Almir da Silva Rodrigues, 29, e Lucinara Fernandes, 30, estão noivos há um ano, o pedido aconteceu em setembro do ano passado, "sob as estrelas de Canoa Quebrada". O casamento está marcado para novembro.

O casal acompanha a programação desde quinta-feira. "A gente está comemorando desde quinta, porque a gente gosta muito dos Transnacionais, a gente é muito fã deles", disseram. Eles seguem acompanhando os blocos da Prefeitura desde o início.

As fantasias também fazem parte da história dos dois. "Desde que a gente começou a namorar, a gente faz fantasia", contaram. Já se vestiram de personagens como Sailor Moon e outros temas. Nesta noite, Lucinara veio vestida de noiva.

Para eles, o Carnaval tem significado especial. "É muita festa, é momento de celebrar, é momento de respirar para o começo do ano", afirmaram. "O brasileiro tem uma rotina tão difícil que o Carnaval é felicidade. É tudo que é o oposto do que a gente vive todo dia."

Grávida de 23 semanas, foliã adapta rotina para aproveitar a festa

Tamires Oliveira, 34, jornalista e fotógrafa, participa do Carnaval grávida de 23 semanas. Ela conta que tem ajustado o ritmo para conseguir aproveitar a programação.

"Como eu não tenho tanta energia, eu escolho um bloco, um show, venho, curto um pouquinho e depois já vou descansar", afirmou. "Ainda dá para curtir, mas já está ali na reta final para realmente ter que descansar e ver eu e a neném."

Apesar das adaptações, Tamires diz que gosta muito de Carnaval. Embora seja natural de Fortaleza, voltou a morar na Cidade há três anos e, desde então, tem aproveitado a programação local. "A gente curte muito a programação de Fortaleza mesmo. Não costuma viajar", explicou.

Para ela, o significado da festa está ligado à leveza. "É a época de curtir, ser feliz, independente. A gente já tem um ano tão pesado, tão puxado, então é hora de esquecer tudo e se jogar um pouquinho", disse. Sobre o futuro, garantiu que a tradição deve continuar: "Com certeza. Já está pulando na minha barriga."

Confira os registros do Carnaval no Benfica:

Com informações da repórter Maria Clara Moreira

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